Árbitro saca arma em jogo sub-12 em Campo Grande; versões divergem
Um incidente chocante abalou um jogo de futsal sub-12 em Campo Grande, no último sábado (26). Um árbitro de 55 anos, que é policial militar da reserva, sacou uma arma de fogo durante uma confusão ocorrida no Ginásio do Colégio ABC, palco da Copa ABC de futsal. O caso, que gerou pânico entre os presentes, especialmente crianças, está cercado por versões conflitantes sobre os motivos que levaram à exibição da arma. Conforme apurado pelo ge MS, o ocorrido não foi registrado na súmula da partida, mas um boletim de ocorrência foi registrado em delegacia.
O episódio ocorreu em meio a um torneio para jovens atletas, adicionando uma camada de gravidade à situação. A presença de uma arma de fogo em um ambiente voltado para o esporte infantil levanta sérias preocupações sobre segurança e o controle de temperamento em eventos esportivos. A divergência entre os relatos de testemunhas e da Polícia Militar agrava o caso, dificultando a compreensão exata dos eventos que culminaram na ação do árbitro.
Este tipo de ocorrência, incomum e alarmante, exige uma investigação aprofundada para esclarecer todos os fatos e garantir que medidas adequadas sejam tomadas. A repercussão do vídeo que circula nas redes sociais, mostrando parte da confusão e a arma em punho, intensificou o debate sobre a conduta do árbitro e os protocolos de segurança em competições esportivas. O ge MS buscou contato com o árbitro, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Versões conflitantes sobre o início da confusão
De acordo com o registro na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro, uma representante e uma testemunha de uma das equipes presentes afirmaram que a discussão começou após críticas da plateia à arbitragem, motivadas pela marcação de um pênalti. As testemunhas relataram que não houve ofensas pessoais diretas ao árbitro. No entanto, o boletim de ocorrência aponta que o árbitro teria reagido com xingamentos aos pais das crianças, utilizando termos como “vaza, cornos”, além de convidá-los para brigar e fazer gestos simulando socos.
Em seguida, o árbitro sacou a arma de fogo próximo às crianças. Um dos pais conseguiu intervir e segurar o homem, enquanto diversas pessoas se afastaram do local por medo de disparos, conforme descrito no registro policial. A Polícia Militar foi acionada, mas, segundo o relato das testemunhas, a equipe que atendeu a ocorrência não as ouviu no local. Posteriormente, elas procuraram a delegacia para formalizar o boletim, anexando os vídeos da confusão.
Polícia Militar apresenta outro relato dos fatos
A versão apresentada pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul difere do relato das testemunhas na delegacia, que negaram ofensas pessoais ao árbitro. Em nota oficial, a corporação informou que o árbitro teria sido chamado de “preto safado” durante os xingamentos. Segundo a Polícia Militar, o árbitro sacou a arma após um dos pais supostamente ameaçar retirar uma arma da própria cintura. Essa divergência nos relatos é um ponto crucial na apuração dos fatos, e conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação buscará esclarecer qual versão condiz com a realidade dos eventos.
Árbitro não integra quadro oficial e caso não foi à súmula
O árbitro em questão, com 55 anos, é policial militar da reserva e não faz parte do quadro de árbitros da Federação de Futebol de Salão de Mato Grosso do Sul (FFSMS). A Copa ABC de Futsal é organizada pela GV Eventos. A empresa foi procurada e informou que se manifestará por meio de nota. O Colégio ABC, onde ocorreu o incidente, também foi contatado, mas não havia dado retorno até o fechamento desta reportagem. A ausência do registro na súmula, documento oficial que relata os acontecimentos da partida, levanta questionamentos sobre a comunicação e os procedimentos internos do torneio, como apurado pelo Campo Grande NEWS.
O vídeo da transmissão da partida, divulgado posteriormente, mostra o tumulto na entrada do ginásio. Os árbitros, identificados pelas vestes laranjas, aparecem envolvidos na confusão. Nas imagens, é possível observar o árbitro correndo em direção ao vestiário e retornando com a arma em punho, sendo contido por outro membro da equipe. A gravação é uma das principais evidências anexadas ao boletim de ocorrência registrado na delegacia, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.
A situação gerou grande repercussão e preocupação entre pais e organizadores de eventos esportivos infantis. A segurança em competições, especialmente aquelas envolvendo crianças, é um tema de extrema importância, e incidentes como este reforçam a necessidade de protocolos rigorosos e de um ambiente seguro para todos os participantes. A investigação em curso buscará determinar as responsabilidades e as circunstâncias exatas que levaram a este lamentável episódio.

