Policial Civil é Cooptado e Liga Policiais a Compradores de Drogas Desviadas em Campo Grande

A Operação Infiltrados, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), aponta para um esquema complexo que supostamente liga policiais civis da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) a traficantes em Campo Grande. No centro da investigação está Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, que, após ser detido em uma abordagem em 2021 sem apreensão de drogas, teria sido cooptado pelos próprios agentes para atuar como intermediário na venda de entorpecentes.

Gaeco Desvenda Esquema de Drogas e Policiais em Campo Grande

Uma abordagem policial que, em 2021, terminou sem apreensão de drogas, hoje é vista pelo Gaeco como o ponto de partida para desvendar uma suposta rede de ligação entre policiais civis e traficantes. A investigação, batizada de Operação Infiltrados, detalha como Lucas da Silva dos Santos, o “LK”, teria passado de detido a parceiro de agentes públicos, intermediando a compra e venda de entorpecentes. Essa reviravolta levanta sérias questões sobre a integridade dentro das forças de segurança.

A Abordagem que Mudou Tudo

Tudo começou em 28 de abril de 2021, quando Lucas da Silva dos Santos, “LK”, foi abordado pela Polícia Civil próximo à UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Conforme o registro da ocorrência, ele demonstrou nervosismo, tentou fugir e discutiu com os policiais Neverson Vieira de Araújo e Adriano Luiz Graeff. A situação evoluiu para a condução de “LK” à Denar por desobediência e desacato. O que chamou a atenção dos investigadores do Gaeco foi a ausência de qualquer material ilícito apreendido com “LK” naquela ocasião.

Para o Gaeco, essa abordagem sem apreensão não foi um acaso, mas sim o início de uma aproximação que culminou na inserção de “LK” no suposto esquema. Essa hipótese ganhou força após a análise de conversas encontradas no celular de Alan Roberto Martinez Martin Abdalla, o “Scooby”. Em um diálogo, “Scooby” relata o que teria ouvido do próprio “LK”, indicando uma cooptação:

“O LK falou pra mim que os caras ‘cantou’ ele um dia que ele tava preso lá. Diz que ele estava preso lá, os caras trocou ideia com ele lá, aí diz desde então ele trabalha com os caras, derruba trampo, pega mercadoria pra vender, diz que os caras leva na mão dele.”

Pagamentos e Intermediação de Drogas

A expressão “os caras”, utilizada na conversa, é interpretada pelo Gaeco como referência a policiais civis da Denar. A partir desse relato, a investigação sustenta que “LK” foi cooptado e passou a atuar como elo entre os agentes e compradores de drogas. Essa tese foi reforçada pela descoberta de transferências bancárias entre “LK” e um dos policiais envolvidos na abordagem inicial, Neverson Vieira de Araújo. Foram identificados três pagamentos totalizando R$ 1,5 mil: R$ 100 em outubro de 2021, R$ 800 em novembro de 2021 e R$ 600 via Pix em março de 2022.

O Gaeco aponta que os pagamentos eram, em sua maioria, em dinheiro vivo, o que dificultava o rastreamento. Em uma das conversas, Edmilson teria enviado uma foto de dinheiro em espécie para comprovar a disponibilidade de valores para quitar uma dívida. Houve também uma tentativa de pagamento com duas motocicletas, que teria sido recusada, pois os supostos fornecedores exigiam dinheiro. Conforme o relatório, um diálogo revela: “Aí não compensa. Pra nós tem que acertar pra retirar. O amigo não pega moto nem carro.” Para o Gaeco, essa fala reforça a preferência por pagamentos em espécie.

De Suspeito a Intermediário Chave

Com essas evidências, o Gaeco conclui que Lucas “LK” deixou de ser apenas um suspeito abordado pela polícia para se tornar uma peça central na suposta organização criminosa. Ele teria feito a ponte entre policiais civis, apontados como fornecedores, e indivíduos interessados em adquirir entorpecentes. Nas conversas analisadas, “LK” aparece negociando valores com Edmilson Santos Pereira. Os fornecedores mencionados nos diálogos seriam policiais civis, embora utilizassem termos como “os caras” e “os amigos” para se referir a eles.

Em uma das conversas destacadas pelo Gaeco, “LK” expressa sua frustração com cobranças pendentes: “O cara tá me cobrando aqui, tá ligado? Ele quer trazer mais aqui, mas tem que acertar o bagulho.” Essa fala, segundo os investigadores, indicaria uma dinâmica onde novas remessas de drogas só seriam liberadas após a quitação de débitos anteriores. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação aponta para uma operação que movimentava valores significativos, com a possibilidade de envolvimento de múltiplos policiais.

Em outro áudio analisado, “Scooby” demonstra surpresa por nunca ter recebido uma proposta semelhante, mesmo tendo sido alvo de abordagens policiais no passado. Ele afirma: “Já fui pego várias vezes pelo Denar, nunca me pegaram com nada, mas tinha até investigação em meu nome (…) mas te juro pra você mano, nunca na minha vida esses caras nunca chegou em mim e falou: chega aí, vamo trabalhar.” A investigação do Gaeco, com base nesses elementos, busca esclarecer a extensão do esquema e identificar todos os envolvidos, tanto na polícia quanto no tráfico.

A complexidade do caso, com trocas de mensagens, transferências bancárias e relatos de intermediários, sugere uma operação bem estabelecida. O Campo Grande NEWS continua acompanhando o desenrolar da Operação Infiltrados e trará novas informações assim que disponíveis, reforçando seu compromisso com a apuração de fatos relevantes para a comunidade. A atuação do Gaeco demonstra a importância de investigações profundas para combater a corrupção e o crime organizado, mesmo quando os envolvidos são agentes públicos. A confiabilidade das informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS é fundamental para manter a população informada sobre casos que afetam a segurança pública.