A trajetória de Luciano Pedro Beladelli, de coletor de latinhas na adolescência a juiz de direito, é um testemunho de que as origens humildes não definem o destino. Ele compartilhou sua inspiradora jornada com alunos da Escola Estadual Lino Vilachá, em Campo Grande, no projeto “Magistratura Vai à Escola”. Natural da região, Beladelli retornou ao bairro Nova Lima, onde cresceu, para relatar as dificuldades enfrentadas e a importância do estudo e da persistência.
A visita, que envolveu uma viagem de cerca de 130 km de Anastácio, onde atua hoje, foi marcada por lembranças e reflexões profundas. O juiz, que passou dez anos como oficial de Justiça percorrendo as ruas que hoje visita como magistrado, destacou a importância de compartilhar sua história para motivar os jovens. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a iniciativa visa aproximar o Poder Judiciário da comunidade escolar, mostrando a realidade por trás da toga.
Beladelli revelou que, antes de ingressar na magistratura, trabalhou como frentista e juntava latinhas para auxiliar em casa. Foram anos de estudo intenso e 21 concursos prestados até alcançar seu objetivo. “Às vezes, olhamos para uma pessoa e pensamos que tudo foi fácil. Mas as coisas não são assim. Vêm de muita luta, estudo e incentivo”, disse o magistrado, que está há 15 anos na carreira, em declarações que ressoaram com os estudantes.
A força da persistência em busca de um sonho
O juiz Luciano Pedro Beladelli enfatizou que sua história é um exemplo de que é possível superar obstáculos, mesmo quando as condições iniciais são desafiadoras. Aos estudantes, ele contou sobre a época em que a paisagem do bairro era diferente e como ele testemunhou o desenvolvimento do comércio local. Essa conexão com o passado serviu como pano de fundo para a mensagem principal: a dedicação aos estudos e a resiliência diante das adversidades.
Ele ressaltou que a aprovação em concursos públicos, especialmente para carreiras jurídicas, exige uma preparação contínua e muita determinação. A jornada de Beladelli, marcada pela persistência em prestar 21 concursos, demonstra que o caminho para o sucesso muitas vezes é longo e repleto de tentativas. Essa perseverança é um dos pilares que o juiz buscou transmitir aos jovens.
A conversa, segundo o Campo Grande NEWS apurou, também abordou a realidade social e econômica que muitos alunos enfrentam, mostrando que, independentemente das circunstâncias, o esforço e o estudo podem abrir portas. A experiência de Beladelli como oficial de Justiça, por dez anos, também foi um ponto importante, pois ele pôde relatar o contato direto com a população e os desafios do sistema judiciário.
Debate sobre representatividade feminina na Justiça
Durante o encontro, os estudantes demonstraram interesse em entender o funcionamento da Justiça e as questões sociais envolvidas. Uma pergunta sobre a baixa representatividade feminina nos tribunais chamou a atenção. Beladelli explicou que a presença de mulheres diminui nos postos mais altos da magistratura e citou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, onde há apenas três desembargadoras entre 35 integrantes.
Para lidar com essa disparidade, o juiz informou sobre a Resolução nº 525/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essa norma estabelece regras para ampliar o acesso das magistradas aos tribunais, prevendo a alternância entre editais de promoção por merecimento abertos a todos e editais exclusivos para magistradas em casos onde a participação feminina está abaixo do patamar estabelecido. Essa medida busca promover uma maior igualdade de gênero no Judiciário.
A discussão sobre a representatividade feminina é crucial para a formação de uma sociedade mais justa e equitativa. O projeto “Magistratura Vai à Escola”, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, tem o mérito de trazer à tona esses debates importantes para os jovens, incentivando a reflexão crítica sobre as estruturas sociais e jurídicas.
Um conselho para além da carreira jurídica
Ao final da conversa, Luciano Beladelli deixou um conselho valioso que transcende a escolha profissional. Ele falou sobre a importância do respeito, acolhimento e responsabilidade nas relações interpessoais. Essa mensagem final reforçou a ideia de que as dificuldades enfrentadas no início da vida não precisam limitar o potencial de uma pessoa, e que o caráter e a empatia são fundamentais em qualquer caminho.
A visita do juiz à Escola Estadual Lino Vilachá foi mais do que uma aula sobre direito; foi uma lição de vida. O projeto “Magistratura Vai à Escola” cumpre seu papel ao conectar os estudantes com profissionais que, como Luciano Beladelli, demonstram que a perseverança, aliada a valores humanos, pode transformar realidades e construir um futuro mais promissor. Em agosto, Beladelli foi reconhecido como finalista do 6º Prêmio INAC de Integridade pelo projeto “Juventude no Cartório Eleitoral”, evidenciando seu compromisso com a juventude e a integridade.

