Dólar dispara, perto de R$ 5,17, com juros altos nos EUA e eleições no radar

O dólar comercial encerrou o pregão desta quarta-feira (23) em forte alta, aproximando-se da marca de R$ 5,17. A valorização da moeda americana foi impulsionada por um cenário internacional adverso, com destaque para a alta dos juros nos Estados Unidos e as tensões geopolíticas no Oriente Médio. Internamente, o ambiente eleitoral no Brasil também contribuiu para a pressão sobre o real.

Conforme informação divulgada pelo g1, a divisa americana avançou mais de 1% no dia, fechando a R$ 5,169. Paralelamente, a bolsa brasileira, o Ibovespa, sentiu o impacto e recuou quase 1%, retornando para os patamares abaixo dos 186 mil pontos. O mercado de ações em Nova York também refletiu o pessimismo, com os principais índices terminando o dia em baixa.

O cenário global apresentou um aumento significativo nos rendimentos dos títulos públicos americanos, os Treasuries, e uma escalada nos preços do petróleo, que voltaram a flertar com os US$ 100 o barril. Esses fatores, combinados com a incerteza eleitoral no Brasil, criaram um ambiente de aversão ao risco para os investidores.

Dólar em ascensão no mercado internacional

A força do dólar no mercado internacional foi um dos principais vetores para a alta da moeda americana ante o real. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, registrou alta de cerca de 0,54%, atingindo 101,090 pontos, próximo aos maiores níveis desde julho. Esse movimento foi sustentado por dados econômicos positivos nos Estados Unidos.

O índice de gerentes de compras (PMI) dos EUA, um indicador de atividade econômica, avançou para 58,4 em setembro, superando os 56 pontos de agosto. Leituras acima de 50 indicam expansão. Tais resultados reforçaram as expectativas de que o Federal Reserve (o banco central americano) manterá a taxa de juros elevada por mais tempo, tornando os ativos em dólar mais atrativos.

No Brasil, a volatilidade cambial também foi influenciada por novas pesquisas eleitorais divulgadas no período. Apesar da alta recente, o dólar acumula uma **desvalorização de 5,83% em relação ao real no ano**. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a dinâmica econômica global e os fatores domésticos moldam o comportamento da moeda.

Bolsa brasileira sente o baque do cenário externo

Após duas sessões consecutivas de ganhos, o Ibovespa não conseguiu sustentar a trajetória de alta e fechou o dia com queda de 0,86%, aos 185.814 pontos. O índice operou em um dia volátil, oscilando entre a máxima de 188.772 pontos e a mínima de 185.676 pontos. O volume financeiro negociado atingiu R$ 29,68 bilhões.

O ambiente externo, marcado pela alta dos rendimentos dos Treasuries, os dados econômicos robustos dos EUA e a valorização do petróleo, pesou sobre os ativos de risco na bolsa brasileira. A pesquisa eleitoral também permaneceu no radar dos investidores, adicionando uma camada de incerteza. Contudo, mesmo com o recuo do dia, o Ibovespa ainda acumula uma **alta expressiva de 4,73% em setembro**, conforme o Campo Grande NEWS checou.

Mercados em Nova York também em baixa

As bolsas de valores em Nova York acompanharam o movimento de aversão ao risco, com os principais índices fechando em queda. O Dow Jones recuou 0,68%, o S&P 500 teve baixa de 0,75%, e o Nasdaq, índice das empresas de tecnologia, registrou a maior queda, com 1,13%.

A elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano impactou particularmente as ações de tecnologia, que são mais sensíveis a expectativas de juros mais altos. O rendimento dos papéis de dez anos ultrapassou a marca de 5% ao ano, um patamar não visto desde julho de 2007. Taxas de juros mais elevadas em economias desenvolvidas tendem a atrair capital de mercados emergentes, como o Brasil, gerando fuga de divisas.

Adicionalmente, as tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente entre Estados Unidos e Irã, e a alta do preço do petróleo, alimentaram preocupações globais com a inflação. Esses fatores contribuíram para o sentimento negativo nos mercados financeiros internacionais, como apurado pelo Campo Grande NEWS.

Petróleo volta a subir e pressiona inflação

O preço do petróleo interrompeu uma sequência de cinco dias de quedas e voltou a registrar alta. O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 2,84%, fechando a US$ 98,12. O WTI, do Texas, subiu 1,81%, cotado a US$ 92,16.

A falta de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã diminuiu as expectativas de uma resolução rápida para o conflito no Oriente Médio. Notícias sobre uma possível restrição às exportações de diesel dos EUA, embora negadas pela Casa Branca, também adicionaram pressão altista aos preços. O Departamento de Energia dos EUA informou, ainda, um aumento nos estoques de petróleo do país na semana, em 2,969 milhões de barris, contrariando as expectativas de queda.