O Consórcio Guaicurus, representante das empresas de transporte coletivo de Campo Grande, declarou que um relatório preliminar da intervenção no setor confirma as dificuldades financeiras que as companhias vêm denunciando há anos. Segundo o consórcio, a crise é resultado da falta de revisões tarifárias e de atrasos nos repasses da prefeitura, e defende a reestruturação do contrato de concessão. A entidade também criticou a divulgação do relatório sem que as empresas tivessem a oportunidade de se manifestar previamente.
Crise no transporte: Consórcio aponta falhas da prefeitura e pede mudanças
O Consórcio Guaicurus apresentou um contraponto ao relatório preliminar da intervenção no transporte público de Campo Grande, atribuindo a atual crise financeira do setor à **falta de reajustes tarifários e aos atrasos nos repasses municipais**. Em nota oficial, o grupo enfatizou que o próprio documento da intervenção reconhece o **déficit operacional crônico** enfrentado pelas empresas, o qual tem exigido aportes financeiros das consorciadas para a manutenção dos serviços.
A justificativa principal do consórcio reside na ausência de revisões tarifárias obrigatórias nos anos de 2019 e 2026, além do pagamento incompleto ou intempestivo do subsídio municipal. As empresas também alegam que a prefeitura nunca cumpriu integralmente o termo aditivo de 2022, que estabelecia uma remuneração ao sistema distinta do valor da passagem paga pelo usuário. Conforme o Campo Grande NEWS checou, esse cenário levou o consórcio a defender uma **reestruturação substancial do Contrato de Concessão nº 330/2012**, visando adequar o custeio e a remuneração do transporte público.
Relatório de Intervenção: Uma Visão Crítica da Gestão
O relatório preliminar da intervenção, entregue à prefeitura e à Câmara Municipal, embora reconheça as dificuldades financeiras, também aponta **falhas de planejamento e controle na administração das empresas**. Entre os problemas identificados estão a manutenção inadequada, frota envelhecida, viagens não realizadas e despesas com relação duvidosa com o serviço de transporte. O documento, que ainda não apresenta conclusões definitivas sobre o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, recomenda uma reestruturação ampla que abrange aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e financeiros da concessão.
O relatório também detalha pendências financeiras da prefeitura, que em junho deste ano devia R$ 6,63 milhões às empresas, valor que caiu para R$ 4,89 milhões em setembro. No início da intervenção, havia apenas R$ 415,1 mil em caixa para cobrir uma folha salarial de R$ 1,03 milhão. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, os interventores também apontaram gastos que poderiam ser otimizados, como a compra de diesel por intermediários, que gerava um custo adicional de cerca de R$ 0,50 por litro, representando uma diferença superior a R$ 400 mil mensais.
Autosseguro e Venda de Garagens: Medidas de Redução de Custos em Debate
Em sua defesa, o Consórcio Guaicurus mencionou o **autosseguro**, uma modalidade onde as empresas assumem diretamente despesas com indenizações e reparos, como uma estratégia para reduzir custos. O consórcio cita trechos do relatório que abordam mecanismos alternativos de proteção adotados por grandes frotas, sustentando que essa prática não gerou prejuízos à população. Sobre a venda de garagens, as empresas afirmam que a operação foi regular, argumentando que os imóveis não eram bens reversíveis, ou seja, aqueles que devem retornar ao poder público ao final da concessão, e portanto poderiam ser negociados.
O Consórcio Guaicurus também criticou a forma como o relatório foi divulgado, alegando que a prefeitura e a comissão interventora o apresentaram à imprensa sem garantir previamente o direito ao contraditório. O grupo encerra sua manifestação indicando o interesse em buscar uma **solução consensual com o município** para restabelecer o equilíbrio financeiro do serviço de transporte público. A prefeita Adriane Lopes, ao receber o documento, afirmou que as responsabilidades pelas falhas apontadas serão apuradas, e que o relatório é preliminar e parte da avaliação sobre o futuro da concessão. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta complexa situação, buscando informações precisas para a população.
Próximos Passos e a Busca por Equilíbrio Financeiro
As empresas de transporte coletivo de Campo Grande, representadas pelo Consórcio Guaicurus, buscam demonstrar que as dificuldades financeiras enfrentadas são, em grande parte, decorrentes de fatores externos à sua gestão direta, como a **falta de reajustes tarifários e atrasos em repasses públicos**. A divulgação do relatório preliminar da intervenção trouxe à tona tanto as fragilidades da operação quanto as defesas das concessionárias, que agora esperam por um diálogo construtivo com a prefeitura.
A recomendação de reestruturação do contrato de concessão, presente no relatório, abre caminho para discussões sobre a sustentabilidade financeira do sistema. O objetivo é encontrar um modelo que garanta a qualidade do serviço para os usuários e a viabilidade econômica para as empresas. A forma como a prefeitura e o consórcio irão negociar e implementar as mudanças necessárias definirá o futuro do transporte público na cidade. O acompanhamento detalhado deste processo é crucial, e o **Campo Grande NEWS** se mantém atento aos fatos para informar a comunidade com precisão.

