Empresário preso em desmanche de motos alega ter notas fiscais de 260 peças

Empresário preso em desmanche de motos alega ter notas fiscais de 260 peças

Mais de 260 peças e componentes de motocicletas foram apreendidos pela Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos) em um desmanche clandestino em Campo Grande. O empresário Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho, dono da PH Moto Forte, foi preso na ação, juntamente com sua esposa e um funcionário. Carvalho nega ter adquirido materiais de origem criminosa e afirma possuir notas fiscais que comprovam a procedência de parte das peças.

A operação revelou um esquema que envolvia a desmontagem de motocicletas e a separação de componentes. Entre os itens apreendidos estão 65 motores, muitos com a identificação raspada, além de armas, munições e um bloqueador de sinais. Os três detidos passarão por audiência de custódia.

O empresário Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho assumiu a propriedade de uma pistola Glock .380 encontrada na residência e tentou isentar a esposa de qualquer envolvimento com a arma. Ele declarou que a arma era exclusivamente dele e que sua esposa não tinha conhecimento sobre ela.

Passagem secreta ligava casa a desmanche

Durante as buscas, os policiais descobriram uma passagem secreta atrás de um freezer que conectava diretamente a residência do empresário ao imóvel utilizado como desmanche. Segundo a polícia, essa estrutura permitia o acesso entre os dois locais, onde motocicletas desmontadas e peças estavam armazenadas.

Carvalho negou que a passagem tivesse o objetivo de esconder materiais. Ele explicou que o local funcionava como um depósito para a empresa devido à falta de espaço na loja principal, e que a geladeira foi colocada ali para não deixar o cômodo exposto.

O empresário também afirmou que adquiriu a empresa já com um grande estoque de peças antigas e que materiais sem saída comercial eram armazenados no imóvel vizinho. Conforme o Campo Grande NEWS checou, ele alega que esses eram materiais que já não tinham giro comercial na loja.

Empresário alega compra legal de peças e motores

Sobre os motores e componentes apreendidos, Phellipe insistiu que não comprou material proveniente de furtos ou roubos. Ele declarou que a maioria dos itens foi adquirida legalmente em lojas, leilões ou estabelecimentos que comercializam sucatas para retirada de peças.

Carvalho explicou que trabalha com motores considerados inservíveis e que parte deles já chega com a numeração raspada após leilões, destinados à prensa. Ele garantiu ter notas fiscais e como comprovar a compra de boa parte do material, afirmando que comprou em lojas de venda legal.

Questionado sobre a documentação de todos os objetos, o empresário admitiu não ter nota fiscal individual de todas as peças, mas disse que conseguiria comprovar a origem. Ele possui licença para comprar material de leilão para retirada de peças, conforme declarou.

Motores inservíveis e carcaças descartadas

Segundo Phellipe, motores e motocicletas provenientes de sucata são vendidos para oficinas para desmontagem e reaproveitamento de componentes. As carcaças numeradas, por não terem aproveitamento, seriam descartadas, enquanto as peças como cabeçote, cilindro e câmbio seriam vendidas.

O delegado informou que foram encontrados motores com sinais de adulteração que não correspondiam apenas a veículos baixados pelo Detran. Carvalho contestou, afirmando que a origem dos materiais poderá ser comprovada e que motores inservíveis não podem ser classificados como roubados ou furtados apenas pela numeração apagada.

Entre os veículos encontrados estavam uma Honda Twister 300 e uma Yamaha Fazer 250 com a numeração de identificação retirada ou apagada. Carvalho alegou que eram sucatas compradas em ferro-velho, mas admitiu não ter recebido nota fiscal diretamente. Ele indicou que o estabelecimento vendedor possui a documentação.

Funcionário relata que patrão levava componentes à loja

O funcionário Rhaul Anntony Vidal de Souza, que trabalhava na loja desde março, também negou participação no esquema. Em depoimento, ele afirmou que Phellipe era o responsável pela venda das peças e que o empresário levava componentes para a loja, determinando que ninguém mexesse neles.

Rhaul negou ter atuado em conjunto com Phellipe ou participado de qualquer atividade criminosa. Ele também afirmou nunca ter presenciado o empresário adulterando números de identificação de veículos. O funcionário desconhecia a existência da passagem escondida.

Phellipe também declarou que os negócios e finanças dele e da esposa são independentes. Ele afirmou que Emely não participou da compra, armazenamento ou comercialização dos materiais apreendidos. A esposa foi ouvida e permaneceu em silêncio.

Ao final do depoimento, o empresário reiterou que os materiais encontrados têm origem em compras comerciais da Moto Forte e que a procedência pode ser demonstrada por notas fiscais, registros de leilões e informações de fornecedores, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Phellipe, Emely e Rhaul foram presos e levados para a Defurv. A investigação apura crimes de receptação, adulteração de sinais identificadores, desmanche e comercialização de peças de motocicletas. A audiência de custódia definirá a manutenção das prisões.