GNV em MS: apenas 4 postos em Campo Grande limitam economia para motoristas

O sonho de economizar combustível com o uso do GNV (Gás Natural Veicular) em Mato Grosso do Sul esbarra em uma dura realidade: a falta de postos de abastecimento. Com apenas quatro unidades disponíveis para o público geral, todas concentradas em Campo Grande, a vantagem teórica do GNV se limita à capital, tornando inviável seu uso para quem precisa percorrer longas distâncias no interior do estado. Dos 30 veículos registrados com GNV no Detran-MS, a maioria se beneficia apenas em trajetos urbanos.

GNV no MS: economia limitada pela infraestrutura

Apesar de prometer uma redução de gastos de até 40% no custo do combustível e a isenção total do IPVA, o GNV em Mato Grosso do Sul enfrenta um obstáculo considerável: a escassez de pontos de abastecimento. As informações da MSGÁS (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul) revelam que, em um estado com cerca de 18,2 mil quilômetros de estradas, existem apenas cinco pontos de GNV. Desses, quatro atendem ao consumidor geral e estão localizados exclusivamente em Campo Grande. O quinto posto, situado em Três Lagoas, é destinado ao transporte pesado de uma indústria e não está acessível ao público.

Essa limitação geográfica cria um dilema para os motoristas que optam pelo GNV. Embora possam sentir a economia em seus deslocamentos diários pela capital, essa vantagem se dissipa rapidamente ao viajar para outras cidades. Nesses casos, a dependência da gasolina ou do etanol se torna inevitável assim que o gás armazenado no cilindro se esgota, anulando o benefício financeiro.

O técnico administrativo Reinaldo Carmona, de 65 anos, é um dos 30 motoristas que converteram seus veículos para GNV em Mato Grosso do Sul. Ele instalou o kit em sua Fiat Strada e percorre, em média, entre 600 e 700 quilômetros por mês. Para ele, a economia é notável, estimada em cerca de 30%, especialmente ao considerar a isenção do IPVA, que em seu caso seria de aproximadamente R$ 1,5 mil por ano.

O custo-benefício do GNV em Campo Grande

Reinaldo Carmona relata que seus gastos mensais com GNV para percorrer essa quilometragem ficam entre R$ 150 e R$ 180. Seu veículo consome cerca de 1 metro cúbico de gás para cada 10 a 12 quilômetros rodados, um rendimento comparável ao de um litro de gasolina. No entanto, ele ressalta que a economia só é significativa para quem roda distâncias consideráveis diariamente.

“Se rodar 10 quilômetros por dia, não compensa. Tem que rodar acima de 30 ou 40 quilômetros por dia. Às vezes, a pessoa usa muito o carro para viajar. Nesse caso, a economia vai ser pequena porque não tem onde abastecer”, afirma. Ele exemplifica que, em sua viagem de Campo Grande a Nova Alvorada do Sul, um percurso de cerca de 110 quilômetros, conseguiu realizar a ida e a volta com o gás. Contudo, para distâncias maiores, a troca para a gasolina é obrigatória.

Preços e instalação: o que o consumidor precisa saber

Uma pesquisa realizada pelo Procon-MS entre os dias 8 e 10 de setembro apontou o preço médio do GNV em R$ 4,59 por metro cúbico nos quatro postos de Campo Grande. Em comparação, a gasolina comum custava, em média, R$ 6,37 por litro, e o etanol, R$ 3,87 por litro. Apesar do preço atraente do etanol, seu rendimento geralmente é inferior ao da gasolina e do GNV, o que torna a comparação de custos dependente do consumo específico de cada veículo.

A instalação do kit GNV em Campo Grande custa entre R$ 4,5 mil e R$ 5 mil, dependendo do tamanho do cilindro. Daniel Ferreira de Oliveira Lima, proprietário de uma oficina especializada e, segundo ele, a única homologada em Mato Grosso do Sul para o serviço, afirma que a procura por conversões permanece alta na capital. Ele estima que a economia com o combustível possa chegar a 40%, mas o resultado final varia conforme o veículo, a quilometragem percorrida e os gastos com manutenção.

O processo de instalação exige autorização prévia do Detran-MS, execução por empresa homologada e uma nova vistoria após a adaptação. Daniel alerta sobre a existência de oficinas não homologadas que utilizam laudos de outros estados, o que pode comprometer a segurança e a legalidade do serviço. “Uma empresa regularizada precisa ter engenheiro responsável e cumprir as normas exigidas”, explica.

A manutenção do sistema GNV inclui verificações de vazamentos, limpeza de bicos, substituição de mangueiras e regulagem. Os cilindros também requerem requalificações periódicas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de regulamentação e fiscalização adequada pode expor os consumidores a riscos, comprometendo a segurança e a eficácia do sistema.

Expansão da rede GNV: o futuro para o interior

A MSGÁS já estuda a expansão da rede de GNV para o interior do estado. Projetos estão em andamento para atender uma indústria em Três Lagoas, e Dourados também está incluído no planejamento de expansão, com a possibilidade de receber um ponto de abastecimento no futuro. Essa estratégia visa criar os chamados “corredores azuis”, rotas estratégicas equipadas com postos de abastecimento para veículos movidos a gás, com foco inicial em caminhões e ônibus.

Apesar dos planos de expansão, a situação atual deixa claro que o uso massificado do GNV em Mato Grosso do Sul ainda é um desafio. A infraestrutura precária fora de Campo Grande impede que muitos motoristas usufruam dos benefícios econômicos e ambientais desse combustível alternativo. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a falta de investimento em infraestrutura é o principal gargalo para a popularização do GNV no estado. A expectativa é que, com os projetos da MSGÁS, a realidade dos motoristas no interior possa mudar em breve, democratizando o acesso a um combustível mais econômico e sustentável. A expansão, segundo informações divulgadas pela MSGÁS, é vista como crucial para impulsionar o uso do GNV em Mato Grosso do Sul, abrindo caminho para um futuro com mais opções de abastecimento e maior economia para os consumidores. Conforme o Campo Grande NEWS destaca, a iniciativa pode transformar o cenário do transporte estadual, beneficiando tanto os proprietários de veículos quanto o meio ambiente.