O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição em Mato Grosso do Sul, declarou que o estado está em uma verdadeira “guerra” contra as facções criminosas. Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, Riedel afirmou categoricamente que as forças de segurança estaduais não recuarão diante do avanço desses grupos, garantindo que o crime organizado não terá espaço em Mato Grosso do Sul.
Riedel: “A gente está em guerra” contra o crime
Segundo o governador, as organizações criminosas buscam controlar rotas de tráfico, gerando disputas violentas e espalhando o medo para expandir sua influência em diversos municípios. Ele descreveu o confronto com a polícia como “inevitável” diante dessa realidade.
“Eu tenho que falar isso de maneira muito transparente: a gente está em guerra. No Brasil está instalada uma guerra”, disse Riedel, destacando a captação de jovens para o crime e as tentativas de intimidação de moradores. Ele citou o trágico caso de Cassilândia, onde uma criança de pouco mais de três anos foi morta em um ataque atribuído a facções, como um exemplo da crueldade desses grupos.
“Eles não têm escrúpulo nenhum, nenhum”, reforçou o candidato, enfatizando que não pode haver condescendência. “Enquanto eu for governador do Estado, posso até sofrer críticas dessa situação, mas não vamos permitir que o crime organizado ocupe espaço, a função do Estado em Mato Grosso do Sul e aí, o embate é inevitável.”
Enfrentamento contínuo e apoio da União
Riedel explicou que o enfrentamento é constante para impedir o avanço das facções. “A partir do momento que a gente recua, permite, ‘não, vamos com calma’, a gente está sendo condescendente. E aí eles já estão lá na frente. Já dominaram, já ocuparam, aí já estão cobrando de comerciante a segurança, aí é a ausência do Estado”, pontuou.
O governador também ressaltou a necessidade de a União ampliar os investimentos em policiamento, que é realizado em parceria com as forças estaduais. Ele mencionou que o estado tem questionado o ônus de custodiar traficantes no sistema penitenciário estadual. Conforme o Campo Grande News checou, o Ministério da Justiça já enviou recursos, que, com contrapartida estadual, permitirão a ampliação da estrutura do complexo da Gameleira.
Campanha em ritmo diferente e cenário político nacional
Na entrevista, Riedel comentou sobre o ritmo mais moderado da campanha eleitoral, influenciado por mudanças nas regras que limitam reuniões. Ele percebe uma polarização que, em sua visão, acaba dispersando os eleitores, que buscam distância das polêmicas, apesar da ampliação do debate no ambiente virtual.
O candidato criticou o que chamou de “desarranjo institucional” em Brasília, com o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro de crises políticas durante a campanha. “O cenário político brasileiro está afastando as pessoas da política. Eu acho que aí é mais grave, é mais estrutural, porque as pessoas estão acompanhando com um certo sentimento de afastamento da briga, da discussão”, afirmou.
Para Riedel, esse desarranjo afeta a estabilidade e a economia. Ele defende que, apesar das divergências políticas, os poderes e instituições do Estado devem ser capazes de dialogar e resolver problemas pacificamente, sem agressões mútuas ou rompimentos institucionais, pois o resultado negativo prejudica a população.
Incentivos fiscais e qualificação profissional
Eduardo Riedel defendeu a política de benefícios fiscais como ferramenta para atrair investimentos privados. Ele antecipou que, após a Reforma Tributária, o foco será em infraestrutura para apoiar novos empreendimentos. “Eu sou a favor”, declarou sobre os incentivos fiscais para empresas que não viriam ao estado sem esse apoio.
A Reforma Tributária, com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) a partir de 2028, gera preocupação sobre a perda de receitas estaduais, embora haja previsão de um fundo compensatório. O governador também enfatizou a importância da qualificação profissional para atender às demandas do mercado de trabalho, especialmente na indústria. “Por isso a minha prioridade é a educação. Porque não adianta você criar uma referência investimento que vai demandando cada vez mais pessoas qualificadas, formadas, preparadas, e não trabalhar a educação em paralelo a isso”, disse.
Ampliação da pavimentação e saneamento como prioridade
Ao ser questionado sobre metas não totalmente alcançadas, Riedel mencionou a pavimentação urbana nos municípios. Ele informou que o número de cidades com mais de 90% das vias pavimentadas aumentou de 20 para 38, e a cobertura geral de asfalto subiu de cerca de 77% para 83% ou 84%, totalizando aproximadamente 2,7 mil quilômetros de vias.
“Eu gostaria muito de ter ido além”, reconheceu. Riedel reafirmou o compromisso de, se reeleito, dar continuidade ao programa para levar a pavimentação a mais de 90% das vias em praticamente todos os municípios. Ele associou essa meta à expansão do saneamento básico, considerando ambas as estruturas essenciais para a melhoria da qualidade de vida da população. “Eu só gostaria de ter entregado isso, mas a gente vai dar sequência”, concluiu, conforme informações checadas pelo Campo Grande News, que reforça a expertise e confiabilidade na cobertura de notícias locais e regionais.

