A história de Aninha, uma gata que antes não gostava de sair de casa, ganhou um capítulo emocionante após a morte de seu tutor, José Pereira. Para honrar a memória do tutor e manter a felina por perto, Joseli Gomes, filha de José, decidiu levar Aninha de Campo Grande, no Brasil, para Chicago, nos Estados Unidos. A jornada, repleta de desafios e surpresas, durou cerca de 40 horas e atravessou três países, provando que o amor por um animal de estimação pode superar grandes distâncias.
Aninha viaja mais de 10.000 km para nova casa em Chicago
A decisão de levar Aninha para Chicago foi tomada com carinho e pensando no que José gostaria. “Com a partida do meu pai, tivemos que tomar algumas decisões que, de certa forma, tentamos tomar pensando no que ele escolheria se ainda estivesse aqui. E, nesse caso, sentimos que ele gostaria que a Aninha ficasse comigo”, explicou Joseli. A mudança também facilitaria a rotina da mãe de Joseli, que passará períodos entre Salvador e Chicago, evitando longos períodos em hotéis para animais.
Para Joseli, a jornada de Aninha era também uma forma de manter viva a conexão especial que ela e o pai tinham com gatos. “Meu pai e eu tínhamos algo muito especial em comum: nós dois éramos completamente apaixonados por gatos. Então, para mim, trazer a Ana para Chicago foi uma maneira de cuidar dela, mas também de continuar cuidando de uma parte muito querida dele”, compartilhou Joseli.
Burocracia resolvida e voo que se tornou aventura
Apesar da expectativa de um processo burocrático complexo, Joseli relatou que a documentação para o transporte internacional de Aninha foi mais simples do que imaginava. Após um check-up veterinário e com a vacina antirrábica em dia, a veterinária iniciou a documentação necessária junto ao MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária). Joseli precisou comparecer pessoalmente ao órgão em Campo Grande para concluir a liberação, o que foi resolvido em menos de 30 dias. Um susto ocorreu na véspera da viagem, quando Joseli descobriu que precisava ir pessoalmente ao MAPA para finalizar uma aprovação, mas conseguiu resolver a tempo.
O maior desafio, contudo, foi encontrar uma companhia aérea que permitisse que Aninha viajasse toda a rota dentro da cabine. Inicialmente, Joseli calculava um voo de cerca de 15 horas, mas a United, companhia que ela costuma usar, não realizava o transporte do animal naquela rota específica. Essa dificuldade transformou uma viagem já longa em uma verdadeira aventura.
De 15 para 40 horas de voo com surpresas inesperadas
A viagem de Aninha e Joseli começou em Campo Grande com destino a Guarulhos. Em São Paulo, drones na pista causaram um atraso, e o trajeto incluiu passagens por Campinas, retorno a Guarulhos, e depois um voo para Bogotá, na Colômbia, antes do trecho final para Chicago. No total, foram aproximadamente 40 horas de viagem.
Aninha passou todos os voos dentro da cabine, como Joseli desejava. “Eu jamais deixaria ela viajar no compartimento de cargas”, afirmou Joseli. Para a surpresa de sua tutora, a gata se comportou de maneira exemplar durante todo o percurso. “Eu estava muito preocupada com a Ana passar tanto tempo viajando, mas ela foi simplesmente maravilhosa”, contou Joseli.
Em diversos aeroportos, Aninha recebeu atenção de outras pessoas. Em Bogotá, um espaço para pets permitiu que ela se movimentasse um pouco. Em uma das etapas do voo, um passageiro ao lado de Joseli pediu para segurar Aninha no colo, demonstrando a simpatia da felina. Aninha comeu, bebeu água e dormiu durante boa parte do trajeto. Quando possível, Joseli a deixava sair da caixa de transporte com a coleira para se esticar um pouco.
Preparação e adaptação: a chave para o sucesso da viagem
A tranquilidade de Aninha durante a viagem foi surpreendente, considerando que em casa ela não é uma gata aventureira. “Meu maior medo era justamente passar 40 horas viajando com ela. Eu ficava pensando em como ela iria reagir, principalmente porque ela odeia coleira, não gosta de sair para passear e não é uma gata acostumada com esse tipo de situação”, revelou Joseli.
Dentro do avião, Aninha encontrou sua rotina. Passava a maior parte do tempo dormindo na caixa de transporte sob o banco. Quando desejava carinho, pedia para sair e ficava no colo de Joseli, retornando à caixa quando queria. Uma das maiores surpresas foi o fascínio de Aninha pelas nuvens vistas pela janela do avião. “Ela simplesmente amou olhar as nuvens pela janela do avião. Ficava olhando tudo com a maior curiosidade, como se já estivesse acostumada com aquilo. Parecia uma pequena viajante experiente”, descreveu Joseli.
A preparação para a viagem começou cerca de 20 dias antes, com o uso de um calmante leve sob orientação veterinária. Quatro dias antes, Aninha iniciou outra medicação manipulada. A caixa de transporte também foi introduzida gradualmente, ficando aberta em casa com a coberta da gata, para que ela se acostumasse. “Aproximadamente uma semana antes, ela já estava dormindo dentro da caixa espontaneamente”, relatou Joseli.
Joseli levou sachês, petiscos e água. Aninha comeu pouco durante o trajeto, mas se recuperou rapidamente ao chegar em sua nova casa. Nos Estados Unidos, não houve inspeção veterinária de Aninha na chegada, algo que Joseli atribuiu à sua cidadania americana. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a burocracia para viajar com animais pode assustar, mas com pesquisa e organização, torna-se gerenciável. “No fim, eu acho que a burocracia assusta muito mais antes de você começar do que depois que entende exatamente o que precisa fazer”, avaliou Joseli.
Hoje, Aninha está instalada em Chicago e conta com a companhia de Preto e Mia, os outros gatos de Joseli. A tutora reforça a importância de conversar com veterinários, conhecer as exigências do país de destino e pesquisar as regras das companhias aéreas. “Para mim, animal é membro da família. Então, deixar para trás simplesmente não era uma opção”, concluiu Joseli, satisfeita com o desfecho dessa emocionante jornada, como divulgado pelo Campo Grande NEWS. Acompanhe a adaptação de Aninha em Chicago pelo Instagram @mia_preto.

