China une povos por rios: Amazonas e Yangtzé inspiram futuro sustentável

A China está promovendo a conexão entre diferentes povos e culturas através da relação intrínseca entre as populações e os grandes rios do planeta. O rio Yangtzé, vital para a economia chinesa, serviu como palco para um encontro que reuniu convidados de nações cujas vidas são marcadas por rios como o Amazonas, Nilo, Danúbio e Mississippi. O Brasil teve uma participação significativa na 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado em Chongqing.

O evento, parte da Iniciativa para a Civilização Global do presidente Xi Jinping, visa disseminar “valores comuns” da humanidade por meio da cooperação internacional. Com o tema “Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações”, o fórum atraiu especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países, reforçando a importância dos intercâmbios culturais e científicos.

A discussão sobre a Rota Econômica do Rio Yangtzé, um dos berços da civilização chinesa, também esteve em pauta. O rio, com seus 6,3 mil quilômetros de extensão, conecta o interior do país ao estratégico porto de Xangai. A Agência Brasil acompanhou o fórum, que incluiu um cruzeiro pelo Yangtzé, visitando locais históricos como a fortaleza de Shibaozhai e o templo de Zhang Fei.

China busca reescrever a história dos grandes rios

Estudiosos chineses apontam que a historiografia ocidental tem negligenciado o papel dos rios chineses no desenvolvimento humano. Pesquisas arqueológicas recentes revelam que o cultivo de arroz na região do Yangtzé remonta a quase 10 mil anos. Li Guoqiang, professor da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), observou que o foco tradicional em Mesopotâmia e Nilo moldou paradigmas de pesquisa ocidentais.

Especialistas egípcios compartilharam experiências sobre a gestão das águas do Nilo, crucial para prever secas e enchentes. Alaa Hussein Mahmoud Menshawy, da Universidade de Luxor, ressaltou o valor do intercâmbio para enfrentar desafios globais como poluição, mudanças climáticas e crescimento populacional. A colaboração é vista como essencial para proteger rios e comunidades dependentes.

Os desafios ambientais do Yangtzé e a busca por sustentabilidade

O rápido desenvolvimento econômico da China nas últimas décadas trouxe consigo sérios problemas ambientais para o rio Yangtzé, o maior da Ásia. A extinção do golfinho Baiji em 2006 é um exemplo trágico das consequências. O professor Li Guoqiang admitiu que o desenvolvimento acelerado causou danos ecológicos, mas destacou uma mudança de paradigma.

A China tem priorizado a concepção da “teoria das duas montanhas”, que busca conciliar desenvolvimento econômico com preservação ecológica. Medidas como a proibição da pesca profissional por uma década e projetos de recuperação do rio demonstram esse compromisso. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a política de “civilização ecológica” foi incorporada à constituição chinesa em 2018, tornando-se uma política de Estado permanente.

Brasil e China: Lições para o futuro do Amazonas

O Fórum do Rio Yangtzé também serviu de plataforma para a professora brasileira Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), discutir os impactos da industrialização e urbanização chinesa no rio. Ela observou que a China, ao atingir um “limite”, intensificou esforços de conservação e restauração ambiental.

Em um esforço para conectar histórias, uma equipe chinesa produziu o documentário “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”, que explora a vida dos povos ribeirinhos em ambos os países. Vivian Yan, produtora do documentário, ficou impressionada com a diversidade e vitalidade das comunidades amazônicas, ressaltando a forte ligação delas com o rio e o meio ambiente.

A professora Vera Maria expressou a esperança de que o Brasil aprenda com a experiência chinesa para evitar erros na exploração econômica da Amazônia. Ela alertou contra a importação de modelos de desenvolvimento inadequados para a região e defendeu economias baseadas em produtos da floresta, como açaí e castanha-do-Brasil, que geram recursos sem destruir o ecossistema.

O pesquisador André Pereira Reinnert Tokarski, do Centro Universitário Alves Faria (Unialfa), defendeu um “caminho do meio” para a Amazônia, evitando a exploração predatória e a rejeição total de atividades econômicas. Ele ponderou que a miséria local também representa um impacto socioambiental negativo, e que é preciso equilibrar desenvolvimento e preservação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a questão energética na Amazônia, que utiliza diesel para geração de energia apesar da abundância de água, é um paradoxo a ser resolvido.

A especialista em biodiversidade Vera Maria lembrou que todos os mamíferos aquáticos do Rio Amazonas estão classificados como ameaçados, um alerta para a necessidade de ações urgentes. O intercâmbio entre China e Brasil, mediado por iniciativas como o Fórum do Rio Yangtzé, busca construir pontes de conhecimento para um futuro mais sustentável para os grandes rios do mundo e as comunidades que deles dependem. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expertise chinesa em gestão hídrica e desenvolvimento sustentável pode oferecer insights valiosos para a preservação da Amazônia.