Grávida de 19 anos vive drama por falta de ultrassom emergencial na Cândido Mariano
Uma jovem de 19 anos, grávida de apenas quatro semanas e com risco de aborto espontâneo, está passando por momentos de angústia e dor na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande. Desde quinta-feira (17), às 16h, ela aguarda a realização de uma ultrassonografia transvaginal, exame essencial para avaliar sua condição de saúde e a do feto. A espera se estende por mais de 24 horas, com a paciente apresentando sangramento e fortes dores, sem a garantia de quando o procedimento será realizado.
A situação se agravou com a informação de que o médico responsável pelo plantão deixou a unidade hospitalar alegando compromissos pessoais, o que gerou revolta e desespero no casal. A jovem precisou ser internada na enfermaria, mas a falta de atendimento especializado e a ausência de medicação para dor aumentam a apreensão. Conforme divulgado pelo Campo Grande News, a expectativa era de que o exame ocorresse na manhã de sexta-feira (18), mas o especialista só chegou por volta das 11h30 e, após atender alguns pacientes, suspendeu os procedimentos.
O marido da gestante, Christopher Peres, de 24 anos, relatou o drama vivido pelo casal. Após passarem pela Santa Casa e pelo Hospital Universitário, a esperança era de encontrar o atendimento necessário na Cândido Mariano. No entanto, a decepção foi grande quando o médico responsável, segundo o relato de Christopher, disse à sua esposa e a outra paciente que precisava sair e que não seria possível realizar os exames naquele dia. Essa atitude deixou o casal desolado, especialmente considerando o histórico da jovem, que sofreu a perda de um bebê há cerca de um ano.
Histórico de Perdas e Medo de Repetição
Esta é a segunda gestação de Kamilly Vitórya Salomão. A perda de um filho há aproximadamente um ano ainda é uma ferida aberta para o casal, o que torna a atual gravidez ainda mais delicada e cheia de expectativas. A jovem está internada na enfermaria da maternidade, mas continua a apresentar sangramento e fortes dores, sintomas que exigem atenção médica imediata e especializada. A falta de um diagnóstico preciso e de um plano de tratamento adequado aumenta o receio de que a história se repita.
A situação se agrava com a falta de suporte da equipe de enfermagem. Segundo Christopher Peres, novas medicações para aliviar a dor não foram administradas sob a justificativa da ausência médica. Além disso, a equipe alegou dificuldades em obter suporte da assistência social da unidade, o que demonstra uma falha na comunicação e na organização dos serviços dentro da maternidade. A orientação dada ao casal foi para que Kamilly permanecesse internada durante todo o fim de semana, aguardando o retorno da equipe médica na segunda-feira (21).
Intervenção da Imprensa e Nova Perspectiva
Diante da falta de resposta e da demora no atendimento, a reportagem do Campo Grande News entrou em contato com a administração do hospital na tarde de sexta-feira. Inicialmente, foi informado que a diretoria não se encontrava no local, mas que o caso seria encaminhado ao diretor da unidade. Essa ação da imprensa foi crucial para que o caso ganhasse visibilidade e uma solução começasse a ser buscada.
Pouco tempo após o contato da reportagem, Christopher informou que uma funcionária da maternidade comunicou ao casal que uma médica especialista seria acionada e se deslocaria ao hospital por volta das 19h30 para atender a jovem. Kamilly foi colocada em uma lista de prioridade de atendimento, o que trouxe um alívio temporário para a situação. Conforme o Campo Grande News checou, a expectativa era de que o exame ocorresse ainda na noite de sexta-feira, o que poderia mudar o curso do atendimento e oferecer um diagnóstico mais preciso.
Desorganização e Falta de Responsáveis nos Plantões
Em tentativas anteriores de obter informações, o Campo Grande News tentou contato com a administração do hospital por volta das 17h30, mas as chamadas não foram atendidas. Ao contatar o atendimento 24 horas da maternidade, um funcionário da recepção informou que não havia nenhum responsável pelo hospital no momento e que a administração só retornaria na segunda-feira. Questionado sobre a presença de um chefe de plantão ou representante da diretoria médica durante o fim de semana, o funcionário negou que houvesse tal figura na maternidade.
Essa falta de responsáveis durante os plantões de fim de semana levanta sérias questões sobre a organização e a segurança do atendimento na Maternidade Cândido Mariano. A ausência de um profissional com poder de decisão e autonomia para lidar com emergências pode comprometer a saúde de pacientes em situações críticas, como é o caso de gestantes com risco de aborto. Conforme o Campo Grande News checou, a situação expõe uma fragilidade no sistema de gestão da unidade, que precisa ser revista para garantir um atendimento contínuo e de qualidade.
O caso, que foi sugerido por um leitor através do canal Direto das Ruas, evidencia a importância da participação cidadã e da atuação da imprensa na fiscalização e na busca por soluções para problemas que afetam a saúde pública. A esperança agora é que a ultrassonografia transvaginal seja realizada com urgência e que Kamilly receba o acompanhamento médico necessário para garantir a segurança de sua gestação. Conforme o Campo Grande News apurou, a situação gerou grande comoção e preocupação entre familiares e amigos, que acompanham o caso de perto.

