Campanha Eleitoral Inova: Pix Substitui Gasolina na Divulgação em Redes Sociais
A pouco mais de duas semanas das eleições em Mato Grosso do Sul, onde mais de 2 milhões de eleitores definirão seus representantes, as estratégias de campanha ganham contornos digitais. Se antes a troca de favores envolvia combustível, agora o Pix de até R$ 500 por quinzena é a moeda de troca para que eleitores divulguem candidaturas em plataformas como Instagram e WhatsApp. A informação foi divulgada pelo Campo Grande News.
Relatos de cabos eleitorais apontam que a divulgação de material publicitário, como artes, vídeos e jingles, em seus perfis pessoais tem sido remunerada. Essa nova modalidade de engajamento, embora eficaz para alcançar um público específico, não garante que o apoio online se traduza em votos reais, como veremos adiante.
Essa prática, que se intensifica em meio à corrida eleitoral, reflete uma adaptação das campanhas às novas dinâmicas de comunicação e mobilização. A praticidade e o alcance das redes sociais tornam a estratégia atrativa para os candidatos, enquanto a remuneração em dinheiro, via Pix, oferece um incentivo financeiro para os eleitores engajados. O Campo Grande News checou detalhes dessa movimentação.
Pagamentos e Tarefas nas Redes Sociais
Quatro cabos eleitorais entrevistados pelo Campo Grande News confirmaram ter recebido ou recebido propostas de pagamento para divulgar propaganda eleitoral em suas redes sociais. As tarefas variam desde a simples publicação de um story com material pronto até a coordenação de pequenos grupos de divulgadores. Os valores mencionados giram entre R$ 200 e R$ 500 por quinzena, dependendo da complexidade das atividades exigidas.
O material enviado pelas equipes de campanha geralmente inclui artes com números de candidatos, vídeos e jingles. O conteúdo, muitas vezes destinado a plataformas com validade temporal, como os stories do Instagram e os status do WhatsApp, precisa ser publicado em horários específicos, conforme orientação. Um cabo eleitoral de 32 anos, que coordena um grupo de 15 pessoas remotamente para uma candidatura do Republicanos, afirma receber R$ 500 por quinzena via Pix. Ele ressalta que as negociações sobre as tarefas e valores foram feitas antes da aceitação do trabalho.
Outra entrevistada, uma artesã de 41 anos, relata que aceitou uma proposta de R$ 200 por 15 dias para divulgar uma candidatura do PP, incluindo a participação em uma reunião semanal. Ela já havia recusado uma oferta de R$ 350 que exigia presença em todas as reuniões, por atrapalhar sua rotina. Para ela, a modalidade de trabalho remoto, focada em postagens, é a mais viável.
Atléticas Universitárias e Engajamento Coletivo
Um caso peculiar envolve uma atlética universitária, onde pelo menos dez integrantes foram convidados a publicar material de candidaturas do PP e do União Brasil. O convite, segundo uma estudante de 18 anos, foi apresentado como uma oportunidade de ganhar dinheiro e arrecadar fundos para a entidade. O grupo recebe o material e as orientações de publicação, devendo enviar um print como comprovação.
A estudante relata que foi informado ao grupo um valor total de R$ 5 mil, além de R$ 1 mil pela participação em uma reunião. A divisão interna prevê R$ 200 para cada participante, com o restante destinado à atlética. Essa ação coletiva demonstra como as campanhas buscam diversificar seus canais de divulgação, utilizando grupos e associações como intermediários.
Desconfiança e Não Correspondência entre Publicação e Voto
Apesar do engajamento nas redes sociais, a ligação entre a divulgação e a intenção de voto nem sempre se confirma. A artesã, por exemplo, afirma que já pretendia votar no candidato do PP antes mesmo de aceitar a proposta de divulgação. No entanto, outras entrevistadas relatam que o apoio exibido online não reflete suas escolhas reais.
A estudante universitária, que publica material do PP e do União Brasil, se declara de esquerda e afirma que votará em candidatos de sua identificação, não nos que divulga. Ela inclusive arquiva as publicações após algumas horas, por não gostar de divulgar material político. Essa prática, aponta o Campo Grande News, revela a complexidade da influência digital na decisão de voto.
Uma mulher de 34 anos, que atuou para duas candidaturas do PL tanto presencialmente quanto nas redes sociais, relata que entrou na campanha buscando renda extra. Ela afirma que os pagamentos previstos não foram realizados, o que gerou desconfiança. “Se ela não foi capaz de honrar as pessoas com quem estava trabalhando para poder se eleger, não vai honrar o trabalho posteriormente”, avalia, indicando que não votará nas candidaturas para as quais trabalhou. A reportagem do Campo Grande News detalha essas situações.
A remuneração por divulgação em redes sociais, embora nova em sua forma atual, levanta questões sobre a autenticidade do apoio eleitoral e a influência real dessas ações na decisão do eleitorado. A prática, conforme apurado pelo Campo Grande News, demonstra uma adaptação das estratégias de campanha à era digital, onde o engajamento online é cada vez mais valorizado.

