Acusados de assassinato de jovem em loja vão para a “Federalzinha” em Campo Grande

Os três homens presos pela morte do jovem Vitor Orsini, de 19 anos, ocorrida em agosto de 2026 em uma loja de veículos em Dourados, foram transferidos para a Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, em Campo Grande, conhecida como “Federalzinha”. A informação foi divulgada pelo sistema penitenciário e confirmada pelo Campo Grande NEWS.

A transferência, que ocorreu há cerca de uma semana, foi justificada como “motivo operacional”. Os acusados aguardarão o julgamento no novo presídio. O empresário Claudio de Arruda, apontado como mandante do crime, e os executores Denis Barbosa e Alexsander Borges, que estavam na Penitenciária Estadual de Dourados (PED), agora estão na Capital.

A “Federalzinha”, com 110 celas e capacidade para 603 detentos em regime fechado, ganhou o apelido devido ao seu rigor estrutural e de segurança, semelhante ao de presídios federais. O caso ganhou repercussão nacional e a investigação policial aponta para um crime motivado por uma dívida.

Empresário é apontado como mandante de execução por engano

Claudio de Arruda, 43 anos, proprietário de uma academia em Ponta Porã, é suspeito de ser o mandante do assassinato. A Polícia Civil aponta que o alvo real não era Vitor Orsini, mas sim um homem identificado como Adriano, 39 anos, com quem Claudio teria uma dívida de R$ 240 mil, supostamente referente a um empréstimo. A dívida, com juros, teria chegado a R$ 300 mil.

Segundo as investigações, Claudio teria planejado a morte de Adriano em conjunto com Jeferson Lopes, o “Boy”, 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, o “Marquinhos”, 23 anos, ambos de Ponta Porã. Jeferson e Marcos seriam os responsáveis por contratar os executores e fornecer a arma do crime. O Campo Grande NEWS apurou que a dívida entre Claudio e Adriano envolve antecedentes por tráfico de drogas, com ambos tendo sido presos juntos em 2013.

Executores e receptadores tornados réus

O juiz Rodrigo Barbosa Sanches, da Vara das Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal, aceitou a denúncia do Ministério Público, tornando os três acusados réus. Eles respondem por homicídio qualificado, associação criminosa, posse ilegal de armas e corrupção de menores. O grupo teria contratado um adolescente de 17 anos para furtar a motocicleta utilizada no crime.

Jeferson Lopes e Marcos Antonio Olmedo Vera, que seguem foragidos, também foram denunciados e são considerados réus. Eles são acusados de contratar os pistoleiros e fornecer a arma. O juiz determinou a conclusão de laudos periciais em celulares apreendidos, oitivas de motoristas de aplicativo e a identificação do responsável pela transferência de dinheiro via Pix para o adolescente envolvido.

O crime: uma execução por engano com detalhes chocantes

De acordo com a investigação, Claudio de Arruda teria armado a emboscada para Adriano. Através de um aplicativo de conversa, ele instruiu um de seus comparsas a ir até a loja de veículos do pai de Vitor Orsini para simular uma negociação de compra de uma Toyota Hilux SW4. Mensagens encontradas no celular de Vitor Orsini confirmam o contato de Claudio com o jovem, informando que um emissário estaria no local.

Jeferson e Marcos trouxeram os pistoleiros, Denis e Alexsander, até Dourados em uma BMW X1 branca, registrada em nome de um supermercado de Ponta Porã. Após obterem a moto furtada, os executores se posicionaram próximos à loja. Denis e Alexsander foram informados que o alvo seria um homem com uma mancha no rosto. Contudo, Adriano se atrasou para o encontro.

Denis Barbosa de Melo, que efetuou os disparos, relatou em depoimento que, ao ver Vitor Orsini com o pai na loja, acreditou que o jovem seria o alvo. Ele disparou pelas costas contra Vitor, atingindo-o na cabeça. Quando o jovem caiu, foram desferidos mais dois tiros, um no peito e outro no ombro direito, que transfixou o pescoço da vítima. Vitor chegou a ser socorrido, mas faleceu a caminho do hospital.

Após o crime, Denis e Alexsander abandonaram a moto e receberam ajuda do adolescente para trocar de roupa. Em seguida, pegaram um carro de aplicativo para Ponta Porã, contratado por Jeferson e Marcos. Ao retornarem à fronteira, foram informados que haviam matado a pessoa errada e que teriam que “fazer o serviço certo”. Denis relatou ter recebido propostas para matar Alexsander. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, Denis, oriundo de Brasília, é apontado como integrante da facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro). Alexsander, de Ponta Porã, pilotou a moto utilizada no crime. O Campo Grande NEWS reitera que a investigação policial segue em andamento para capturar os foragidos e esclarecer todos os detalhes desta trágica execução por engano.