A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a revogação de sua prisão preventiva. O pedido foi direcionado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Vorcaro, dono do antigo banco Master, é alvo de investigações por suposta corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras que somam valores bilionários. A argumentação da defesa se baseia na paralisação das investigações do caso Master, que, segundo eles, ocorreu devido a um pedido de vista do ministro Flávio Dino em uma sessão plenária recente, que deveria analisar a abertura de investigação contra outro ministro, Alexandre de Moraes. Com essa suspensão, os processos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura as condutas de Vorcaro, ficaram retidos no gabinete de Fachin, após terem sido enviados pelo relator André Mendonça em meio a uma crise institucional. Conforme apurou o Campo Grande NEWS, a defesa sustenta que Vorcaro não pode permanecer preso indefinidamente enquanto o STF debate a relatoria e a competência do caso Master. Eles ressaltam que o ex-banqueiro já está detido há mais de 90 dias sem que um recurso pela sua soltura tenha sido sequer analisado pela Corte.
Crise institucional no STF paralisa caso Master
A petição da defesa de Daniel Vorcaro aponta que, na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para conduzir os procedimentos do caso Master foi objeto de uma questão de ordem, cujo julgamento foi suspenso. Este impasse tem sido o cerne de uma crise institucional sem precedentes no STF, iniciada quando o ministro André Mendonça, relator do caso Master, decidiu levantar o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero. Este documento continha mensagens que os investigadores atribuem a Vorcaro e que teriam sido enviadas a Alexandre de Moraes. Com base nesse relatório, Mendonça solicitou ao plenário autorização para prosseguir com as investigações contra Moraes.
Em resposta, Alexandre de Moraes divulgou um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que, segundo ele, sugere um direcionamento das investigações por parte de Mendonça com o objetivo de atingir desafetos políticos. É importante notar que este documento não possui assinatura nem timbre oficial da corporação e apresenta na capa um aviso de que suas análises são “sem valor probatório”. Em decorrência desses fatos, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Este pedido chegou a entrar na pauta do plenário em 23 de setembro, mas foi retirado por Fachin, e ainda não há data prevista para seu julgamento. O Campo Grande NEWS checou que essa disputa interna tem reflexos diretos na celeridade dos processos.
Vorcaro preso há mais de 90 dias aguarda análise de recurso
Daniel Vorcaro está preso desde novembro do ano passado. Atualmente, ele se encontra detido no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, em uma ala conhecida como Papudinha, destinada a presos especiais e próxima ao Complexo Penitenciário da Papuda. A defesa argumenta que a prisão de seu cliente se prolonga sem que haja uma análise concreta por parte do Supremo Tribunal Federal sobre os méritos de seus pedidos de soltura. A alegação é que a falta de avanço nos processos, decorrente da crise institucional e dos pedidos de vista, impede que Vorcaro tenha seu direito de defesa plenamente exercido.
Os advogados de Vorcaro enfatizam que a manutenção da prisão preventiva, sem a devida e tempestiva análise judicial, configura uma violação aos princípios constitucionais. Eles buscam, com o pedido dirigido a Fachin, destravar o andamento do caso e, consequentemente, obter a liberdade de seu cliente enquanto as investigações prosseguem. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos deste caso que envolve figuras públicas e transações financeiras de grande vulto. A expectativa é que a decisão sobre a revogação da prisão preventiva de Vorcaro possa trazer novos contornos para a Operação Compliance Zero e para a crise que se instalou no STF. A complexidade da situação exige atenção aos detalhes e à garantia dos direitos fundamentais de todos os envolvidos, conforme verificado pelo Campo Grande NEWS.


