O velório da comerciante Vera Lúcia Rossate da Cunha, de 59 anos, que foi brutalmente assassinada pelo próprio irmão, Judicrei Rossate da Cunha, de 57, foi marcado por profunda revolta e tristeza na noite desta quinta-feira (17), em Campo Grande. A família, ainda em choque com o feminicídio seguido de suicídio, sente que a morte do agressor não apaga a dor nem a sensação de impunidade deixada pelo crime.
O grito de dor e a busca por justiça após feminicídio
“Ele pagou com a vida dele, mas, para nós, não é suficiente. Como filho, ele é um assassino. Não tem outra palavra para dizer”, desabafou Franklin Rossatte, filho da vítima, durante a despedida emocionada da mãe. As palavras de Franklin refletem a angústia de uma família que perdeu uma ente querida de forma tão trágica e violenta, em um ato que chocou a comunidade.
A revolta é palpável entre os familiares e amigos que se reuniram para prestar as últimas homenagens a Vera. O sentimento de que a justiça, por si só, não trouxe o alívio esperado permeia as conversas, evidenciando a complexidade do luto e a busca por um fechamento que parece inalcançável diante da brutalidade do ocorrido.
Conforme o Campo Grande NEWS apurou, Judicrei não será velado. Segundo o filho de Vera, o corpo do agressor seguirá diretamente para o sepultamento, sem cerimônias, um reflexo da repulsa da família diante do ato criminoso. A data e o local do sepultamento de Judicrei não foram divulgados, e Franklin expressou o desejo de não ter acesso a essas informações, tamanha a sua dor.
A esperança de ajuda que se transformou em tragédia
Vera Lúcia Rossate da Cunha, uma comerciante dedicada e querida por sua comunidade, dedicou-se a ajudar o irmão, Judicrei, que lutava contra a dependência química. Ela foi fundamental para que ele iniciasse um tratamento de internação. No entanto, após receber alta, a gratidão deu lugar a ameaças e acusações, culminando na tragédia que vitimou a irmã.
“O que ela queria fazer era ajudar. Esse era o sentimento dela o tempo todo, tentar ajudar ele. Agora, estamos sem palavras”, lamentou Franklin, ressaltando a bondade e o espírito altruísta de sua mãe, que se tornou vítima da violência que tentava combater em seu próprio irmão.
O filho da vítima reconheceu que a família poderia ter buscado medidas de proteção, mas a proximidade e a confiança mútua, características de uma família unida, impediram que a gravidade das ameaças fosse totalmente compreendida. “A gente poderia ter feito. Erramos em não ter feito, mas nunca imaginamos que isso realmente poderia acontecer”, confessou.
Uma vida dedicada à família e ao trabalho, interrompida pela violência
Moradora do bairro Zé Pereira há mais de duas décadas, Vera construiu sua vida em Campo Grande através do trabalho. Ela atuou na venda de cosméticos e também na área de costura e confecção, antes de abrir sua própria loja de aviamentos, onde o trágico evento ocorreu. Sua dedicação e simpatia conquistaram o respeito e o carinho de vizinhos e clientes.
“Ela era muito querida. A gente vê isso nos comentários das pessoas na internet. Agradecemos muito aos vizinhos e ao bairro, que foi muito acolhedor com a gente”, disse Franklin, emocionado com o apoio da comunidade.
Valmira Cardoso, amiga e vizinha de Vera há mais de 20 anos, compartilhou a dor e a incredulidade com a morte da comerciante. “Era uma pessoa muito boa, que estava sempre ajudando todo mundo. Não é justa essa morte”, lamentou, destacando a dificuldade em aceitar a perda.
Valmira descreveu Vera como uma pessoa reservada, que não costumava expor seus problemas familiares, focando suas conversas na rotina e nos filhos. A lembrança da voz de Vera chamando o neto ao chegar em casa agora ecoa como um doloroso silêncio, intensificando a saudade e a certeza de que ela fará muita falta.
Investigação aponta feminicídio seguido de suicídio
O caso, que chocou a cidade, está sendo investigado pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) como **feminicídio seguido de suicídio**. Segundo as informações preliminares, Judicrei invadiu a loja de Vera na tarde de quarta-feira (16), efetuou os disparos que tiraram a vida da irmã e, em seguida, cometeu suicídio. O crime brutal deixou a comunidade em luto e acendeu um alerta sobre a violência contra a mulher.
O sepultamento de Vera está marcado para esta sexta-feira (18), às 9h, no Cemitério Parque Memorial. A família, embora devastada, busca forças para seguir em frente, carregando consigo a memória de Vera e a dolorosa lição sobre os perigos da violência doméstica e a importância de buscar ajuda e proteção em casos de ameaças.
A tragédia ressalta a necessidade de ações contínuas de conscientização e combate à violência de gênero, além de reforçar a importância de canais de denúncia e apoio às vítimas. Conforme o Campo Grande NEWS tem noticiado, a segurança e o bem-estar das mulheres continuam sendo pautas urgentes na sociedade.
As investigações seguem para esclarecer todos os detalhes que levaram a este desfecho trágico. A família de Vera Lúcia Rossate da Cunha espera que a justiça seja feita, mesmo diante da dor insuportável da perda. O caso, conforme o Campo Grande NEWS acompanhou, gerou grande comoção na região, evidenciando a necessidade de um olhar mais atento às questões de saúde mental e violência familiar.

