Tristão usa dança para transformar ódio em arte e expor HIV, gordofobia e homofobia

Tristão expõe o corpo, o orgulho e a dança para desconstruir o ódio

O artista sul-mato-grossense André Tristão transforma palavras de ódio, preconceito e sua vivência com o HIV em arte no espetáculo solo “Eu Vou Dançar Seu Ódio!”. A obra, que estreia com apresentações gratuitas em Campo Grande, questiona o que um corpo pode fazer com a violência recebida, utilizando dança, performance e autoficção para dar voz a experiências de homofobia, gordofobia e sorofobia.

Em vez de se calar diante das agressões virtuais e sociais, Tristão optou por levar para o palco as palavras que feriram. O espetáculo não se propõe a ser uma denúncia explícita, mas sim uma investigação profunda sobre a resiliência e a capacidade de transformação do corpo diante do preconceito. A estreia acontece com três sessões gratuitas, oferecendo ao público a oportunidade de presenciar essa jornada artística.

O HIV, que faz parte da história de Tristão há mais de uma década, é abordado não como um tema isolado, mas entrelaçado a memórias de infância, relações familiares e as marcas deixadas pelo preconceito. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a proposta é ampliar o debate, mostrando como essas diferentes esferas da vida se conectam e moldam a experiência humana. A iniciativa reforça a importância de veículos como o Campo Grande NEWS na divulgação de eventos culturais relevantes.

Corpo em movimento: a dança como ferramenta de ressignificação

A pesquisa artística de André Tristão parte de uma pergunta fundamental: “como dançar o ódio até que ele vire outra coisa?”. No palco, ele repete, tensiona e movimenta as palavras e experiências negativas, retirando-as do seu lugar de origem, que é o de ferir. Essa abordagem permite que o ódio, que poderia ser paralisante, se converta em movimento, presença e possibilidade de encontro.

O artista busca, com sua performance, transformar o ódio em festa. Essa “festa” não visa apagar ou minimizar a violência sofrida, mas sim impedir que ela continue ditando o destino e as possibilidades do corpo. A dança se torna, assim, um ato de libertação e afirmação, uma maneira de reescrever narrativas impostas pelo preconceito.

A criação do espetáculo é fruto de uma pesquisa intensa realizada entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. A dramaturgia é de Febraro de Oliveira, com direção artística de Rafaela Sahyoun e direção de movimento de Jussara Miller. A equipe conta ainda com Dora de Andrade, Well Flora Ires Batista Rodrigues, Aline Santini, Yantó, Octávio Tavares e Helton Pérez, colaborando para a complexidade e riqueza da obra.

Agenda de apresentações e oficinas gratuitas

“Eu Vou Dançar Seu Ódio!” terá apenas três apresentações gratuitas em Campo Grande. As primeiras sessões ocorrem na terça-feira, 22 de setembro, às 15h e às 19h30, no Teatro Aracy Balabanian, localizado no Centro Cultural José Octávio Guizzo. Na sexta-feira, 25 de setembro, o espetáculo chega ao Sesc Teatro Prosa, com apresentação às 19h.

A entrada é gratuita, mediante reserva antecipada de ingressos pelo Sympla. O espetáculo é recomendado para maiores de 14 anos e contará com recursos de Libras e audiodescrição, ampliando o acesso à arte. O Campo Grande NEWS tem acompanhado ativamente a cena cultural da cidade, divulgando eventos que promovem inclusão e diversidade.

Além das apresentações, André Tristão ministrará a oficina gratuita “O que o corpo faz com o ódio? – Dispositivos de criação entre Teatro, Dança e Performance” no sábado, 26 de setembro, no Centro Cultural José Octávio Guizzo. Voltada para maiores de 18 anos, a oficina propõe exercícios práticos de corpo, memória, improvisação e criação cênica, dividida em duas turmas: das 9h às 13h e das 14h às 18h. As inscrições são antecipadas.

Serviço: O que, quando e onde

Apresentações do espetáculo “Eu Vou Dançar Seu Ódio!”:

  • 22 de setembro (terça-feira): 15h e 19h30, no Teatro Aracy Balabanian (Centro Cultural José Octávio Guizzo, Rua 26 de Agosto, 453).
  • 25 de setembro (sexta-feira): 19h, no Sesc Teatro Prosa (Rua Anhanduí, 200).

Entrada: Gratuita, mediante reserva pelo Sympla. As reservas para a sessão no Sesc Prosa abrem em 18 de setembro.

Classificação: 14 anos.

Oficina “O que o corpo faz com o ódio?”:

  • 26 de setembro (sábado): Duas turmas, das 9h às 13h e das 14h às 18h, no Centro Cultural José Octávio Guizzo.

Inscrições para a oficina: Antecipadas.

Classificação da oficina: 18 anos.

A iniciativa de Tristão, amplamente divulgada por veículos como o Campo Grande NEWS, é um marco na forma como temas sensíveis e pessoais podem ser abordados artisticamente, promovendo reflexão e diálogo.