Caixa: greve de trabalhadores pode acabar na segunda-feira (21); veja detalhes da proposta

Empregados da Caixa Econômica Federal em greve há uma semana devem decidir na próxima segunda-feira, 21 de agosto, se retornam ao trabalho ou se mantêm a paralisação. A categoria votará se acata ou não a nova proposta apresentada pelo banco para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028. O custeio do plano de saúde, o Saúde Caixa, é uma das principais bandeiras de reivindicação dos trabalhadores.

A proposta do banco visa resolver o impasse que levou à greve, com foco principal na divisão dos custos do plano de saúde. Os empregados buscam o restabelecimento da proporção de 70% para a Caixa e 30% para os trabalhadores no custeio do benefício. A oferta apresentada pela Caixa na madrugada desta quinta-feira, 17 de agosto, prevê um aumento no teto de participação do banco no custeio do Saúde Caixa, passando de 6,5% para 9% da folha de pagamento, a partir de 2027.

Saúde Caixa: avanços e pontos de negociação

Um dos pontos cruciais da proposta é a manutenção do modelo solidário do plano de saúde, o que significa que não haverá cobrança diferenciada por faixa etária. Além disso, o acordo estabelece que não haverá reajuste das mensalidades em 2026, com a Caixa assumindo integralmente o déficit do plano neste ano. Para garantir a gestão e o acompanhamento do Saúde Caixa, a proposta também prevê a presença de pelo menos um empregado dedicado em cada Gerência de Pessoas e Representação Regional de Pessoas (Repes) para atuar exclusivamente com o plano. Um grupo de trabalho será constituído em até 60 dias para discutir um novo modelo de gestão do plano.

Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), avaliou a nova proposta como um avanço significativo. “A ampliação da participação da Caixa de 6,5% para 9% é um avanço importante, pois representa um aumento recorrente da participação da Caixa de cerca de R$ 900 milhões”, afirmou.

A Caixa declarou que manterá todos os direitos já pactuados nos ACTs específicos e na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Segundo Juvandia, a nova proposta é fruto direto da mobilização dos trabalhadores. “A mobilização mostrou que era necessário colocar mais recursos da empresa no Saúde Caixa e preservar um princípio fundamental do nosso plano, que é o pacto intergeracional. E só conquistamos isso em mesa de negociações graças à mobilização dos trabalhadores”, completou.

Outras propostas e benefícios em discussão

A negociação que se iniciou na última quarta-feira também trouxe alterações em outros pontos importantes para os empregados. No programa de remuneração variável Super Caixa, para o segundo semestre de 2026, a proposta aumenta a premiação inicial por habilitação de 25% para 50%. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa mudança visa incentivar a participação e o desempenho dos trabalhadores.

Em relação ao Plano de Funções Gratificadas (PFG), a Caixa se comprometeu a criar espaços de escuta e discussão com a representação dos empregados. Um debate em grupo paritário sobre o plano será realizado, buscando maior transparência e participação nas decisões que afetam as funções gratificadas. A Caixa manteve ainda a proposta de pagamento de um prêmio de R$ 3 mil por empregado, como reconhecimento pela superação do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026, meta que já havia sido atingida em junho de 2026.

Votação e próximos passos

A greve dos empregados da Caixa foi deflagrada no último dia 10. A votação da proposta apresentada pelo banco será realizada de forma virtual no dia 21 de agosto, com horário estendido das 11h às 18h. Antes da votação, entre 9h e 11h, haverá uma plenária virtual para esclarecimento de dúvidas dos trabalhadores. Essa transparência no processo, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, é fundamental para uma decisão consciente da categoria.

Em caso de aprovação da proposta, o dia paralisado em 20 de agosto será abonado. Os dias úteis em que a greve ocorreu deverão ser compensados em até 180 dias, conforme estabelecido nas negociações. A agência de notícias do Campo Grande NEWS entrou em contato com a Caixa para obter um posicionamento oficial sobre os desdobramentos, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.