Um mergulho profundo nas conexões culturais entre a Bahia e a África Ocidental, especialmente o povo Iorubá, é o que promete o livro “Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim”. A obra, que reúne textos de Pierre Verger, será lançada nesta quarta-feira, 16 de setembro, em São Paulo. Mais do que um fotógrafo, Verger se destacou como um incansável estudioso das tradições orais, da religião dos orixás e da diáspora africana, e este livro traz à tona aspectos de sua pesquisa que podem surpreender até mesmo seus admiradores mais fiéis.
Pierre Verger: Um Legado Além das Lentes
O lançamento de “Iorubahia – Escritos raros” em São Paulo é um evento aguardado por estudiosos e admiradores da cultura afro-brasileira. A publicação, fruto da parceria entre o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger, apresenta 12 ensaios do autor, sendo que quatro deles são inéditos. Esses escritos foram produzidos entre 1958 e 1972, período em que Verger viveu intensamente entre Salvador e a Nigéria, aprofundando suas pesquisas sobre o povo Iorubá. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a obra busca apresentar um Verger multifacetado, que transcende a imagem de apenas fotógrafo ou historiador.
Um Verger em Três Eixos Essenciais
A coletânea foi cuidadosamente organizada em três eixos temáticos centrais: os aspectos históricos das relações transatlânticas, a religião Iorubá e a cultura, conhecimento e oralidade Iorubá. Essa divisão permite ao leitor compreender a amplitude do trabalho de Verger e como ele conectava diferentes áreas do saber. A organizadora da obra e coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger, Ângela Lühning, ressalta a importância de apresentar um **Verger múltiplo**. Ela explica que a intenção é mostrar um autor que vai além de uma única categoria, seja ele o fotógrafo renomado, o escritor dedicado a temas históricos, ou o estudioso do Candomblé e das religiões afro-brasileiras de influência Iorubá. O livro revela um Verger que dialoga com todas essas áreas e um pouco mais, de uma forma que pode ser surpreendente em vários dos textos apresentados.
“Um Verger múltiplo, que vai além de uma categoria única do Verger, apenas fotógrafo ou apenas escritor voltado para temáticas históricas, o Verger, supostamente, apenas dedicado a estudos sobre o Candomblé e religião afro-brasileira de influência Iorubá. O Verger que dialoga com tudo isso e um pouco mais, de uma forma talvez um pouco surpreendente em vários textos”, explicou Ângela Lühning. Essa visão ampliada é um dos grandes trunfos do livro, que convida à reflexão sobre a complexidade do pensamento e da obra de Verger. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa abordagem inédita promete enriquecer o debate acadêmico e o interesse do público em geral.
Quem Foi Pierre Fatumbi Verger
Nascido em Paris em 1902, Pierre Fatumbi Verger iniciou sua carreira como fotógrafo viajante, explorando o mundo com seu olhar atento. Sua mudança para Salvador em 1946 marcou um ponto de virada em sua vida e obra. A capital baiana se tornou um lar para Verger, permanecendo em sua vida até seu falecimento em 1996. Sua especialização em fotografia documental e de campo o levou a mergulhar em áreas como antropologia, história, conhecimentos orais e botânica. Verger não era apenas um observador, mas um pesquisador profundo, dedicado a registrar e compreender as nuances das culturas que encontrava. Conforme o Campo Grande NEWS checou, sua dedicação à cultura Iorubá e suas conexões com o Brasil foram fundamentais para o desenvolvimento de seu legado.
Detalhes do Lançamento
O lançamento de “Iorubahia – Escritos raros” acontecerá nesta quarta-feira, 16 de setembro, às 19h, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. A entrada é gratuita, e os ingressos podem ser retirados uma hora antes do evento. Esta é uma excelente oportunidade para o público ter contato direto com uma obra que celebra a riqueza da cultura Iorubá e a visão única de Pierre Verger. A iniciativa do Instituto Çarê e da Fundação Pierre Verger reforça a importância de preservar e divulgar o conhecimento acumulado por grandes pesquisadores como Verger.
A obra “Iorubahia – Escritos raros” é mais do que um livro, é um convite para desvendar as intrincadas teias que ligam o Brasil à África. Pierre Verger, com sua sensibilidade e rigor acadêmico, nos oferece um panorama fascinante sobre a cultura Iorubá, suas tradições e sua influência duradoura. A expectativa é que o livro contribua significativamente para a compreensão dessas relações históricas e culturais, fortalecendo a identidade e o reconhecimento da herança africana no Brasil. O Campo Grande NEWS ressalta a importância de eventos como este para a disseminação do conhecimento e a valorização de figuras como Pierre Verger.


