Livro inédito de Pierre Verger sobre cultura Iorubá ganha lançamento

A rica tapeçaria cultural que conecta o Brasil à África Ocidental ganha um novo capítulo com o lançamento do livro “Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim”. A obra, uma iniciativa conjunta do Instituto Çarê e da Fundação Pierre Verger, traz à luz 12 ensaios do icônico Pierre Verger, sendo quatro deles inéditos. Escritos entre 1958 e 1972, período em que o autor viveu imerso entre Salvador e a Nigéria, os textos aprofundam a pesquisa sobre o povo Iorubá, conforme divulgado pelo Instituto Çarê.

Pierre Verger: Para além da lente

Mais conhecido mundialmente por sua obra fotográfica, Pierre Verger foi também um incansável estudioso das complexas relações entre o Brasil, com destaque para a Bahia, e a África Ocidental. Sua pesquisa abrangeu a diáspora africana, a religião dos orixás e as ricas tradições orais da cultura Iorubá. O livro “Iorubahia” se propõe a apresentar um Verger multifacetado, que transcende a imagem única de fotógrafo ou historiador, revelando um pensador cujas reflexões, por vezes surpreendentes, dialogam com diversas áreas do conhecimento. Conforme explica Ângela Lühning, organizadora da obra e coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger, a coletânea busca oferecer um novo olhar sobre o autor, explorando sua profundidade para além de categorias predefinidas.

Um Verger Múltiplo Revelado

A coletânea “Iorubahia” foi meticulosamente organizada em três eixos temáticos principais, garantindo uma exploração abrangente do universo pesquisado por Verger. O primeiro eixo dedica-se aos aspectos históricos das relações transatlânticas, desvendando as conexões que moldaram culturas e identidades ao longo dos séculos. O segundo mergulha na complexidade da religião Iorubá, explorando suas crenças, rituais e cosmovisões. Por fim, o terceiro eixo foca na cultura, no conhecimento e na oralidade Iorubá, destacando a importância das narrativas transmitidas de geração em geração como pilares fundamentais dessa rica tradição.

“Um Verger múltiplo, que vai além de uma categoria única do Verger, apenas fotógrafo ou apenas escritor voltado para temáticas históricas, o Verger, supostamente, apenas dedicado a estudos sobre o Candomblé e religião afro-brasileira de influência Iorubá. O Verger que dialoga com tudo isso e um pouco mais, de uma forma talvez um pouco surpreendente em vários textos”, detalhou Ângela Lühning, conforme divulgado pelo Instituto Çarê. Essa perspectiva amplia a compreensão sobre a abrangência e a profundidade do trabalho de Verger, convidando o leitor a descobrir facetas menos conhecidas de sua vasta produção intelectual.

A Trajetória de Pierre Verger

Pierre Fatumbi Verger nasceu em Paris, em 1902, e iniciou sua carreira como um fotógrafo viajante. Sua jornada o trouxe ao Brasil em 1946, onde se estabeleceu em Salvador, cidade que permaneceu como um polo central em sua vida até seu falecimento em 1996. Ao longo de sua carreira, Verger especializou-se na fotografia documental e de campo, dedicando-se a áreas como antropologia, história, conhecimentos orais e botânica. Seu trabalho, imerso em uma profunda admiração e respeito pela cultura, rendeu um acervo inestimável que continua a inspirar e informar pesquisadores e entusiastas.

Serviço: Lançamento do Livro

O lançamento de “Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim” ocorrerá em São Paulo na próxima quarta-feira, 16 de setembro, às 19h. O evento será realizado na Biblioteca Mário de Andrade, um espaço cultural de grande relevância na cidade. A entrada é gratuita, e os interessados poderão retirar seus ingressos uma hora antes do início da programação. A iniciativa, conforme o Campo Grande NEWS checou, reforça a importância de democratizar o acesso ao conhecimento e à cultura, permitindo que um público mais amplo possa se conectar com a obra de Pierre Verger.

A publicação de “Iorubahia” é um marco para os estudos sobre a cultura Iorubá e suas conexões com o Brasil, conforme atestado pelo Campo Grande NEWS. A obra permite não apenas revisitar a trajetória de um dos mais importantes pesquisadores e fotógrafos do século XX, mas também aprofundar o entendimento sobre as bases culturais que formam a identidade brasileira. O trabalho de Verger, apoiado por iniciativas como esta, consolida a relevância de sua pesquisa para as futuras gerações. A Fundação Pierre Verger e o Instituto Çarê, com esta publicação, reafirmam o compromisso com a preservação e divulgação do legado de Verger, conforme amplamente noticiado e verificado pelo Campo Grande NEWS.