Riedel descarta intervenção na Santa Casa e cobra profissionalização da gestão
O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, afastou a possibilidade de uma nova intervenção na Santa Casa de Campo Grande, defendendo a profissionalização da gestão como solução para a crise da instituição, que acumula um passivo de aproximadamente R$ 600 milhões. Segundo Riedel, o Estado deve repassar quase R$ 190 milhões ao hospital em 2026, mas condicionou o aumento dos repasses à produtividade e à transparência no uso dos recursos públicos. As declarações foram feitas durante o programa Frente a Frente, promovido por veículos de comunicação de Mato Grosso do Sul, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A sabatina, mediada por Alexandre Giachetto e com a participação de jornalistas de diversos veículos, abordou temas como a continuidade do governo, incentivos fiscais, expansão industrial, educação, segurança pública e a situação da saúde no estado. Riedel defendeu a manutenção dos incentivos fiscais, destacando a geração de mais de 140 mil empregos em três anos e meio e a necessidade de gastar melhor os recursos públicos antes de buscar novas receitas.
O governador ressaltou a importância da profissionalização da gestão hospitalar e da transparência no uso do dinheiro público, especialmente em instituições como a Santa Casa. Ele enfatizou que o Estado sempre cobrou eficiência e abertura para aumentar os repasses, mas que a responsabilidade pela administração e pelas questões internas da Santa Casa é da própria instituição, por se tratar de uma entidade privada. A relação entre Estado, Município e Santa Casa foi descrita como complexa, mas Riedel reafirmou o compromisso de apoio, condicionado à apresentação de um modelo de gestão transparente e eficiente.
Santa Casa: Passivo milionário e busca por transparência
Em relação à Santa Casa de Campo Grande, Riedel abordou a situação delicada da instituição, que enfrenta um passivo de cerca de R$ 600 milhões. Ele afirmou que o Estado tem aumentado seus repasses, projetando quase R$ 190 milhões para 2026, mas que a continuidade e o aumento desses valores estão condicionados à produtividade e à transparência na aplicação dos recursos. “Quem tem de responder pelas questões da Santa Casa é a própria Santa Casa, porque ela é uma instituição privada”, declarou o governador, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Riedel descartou a intervenção como solução, argumentando que a medida exigiria uma decisão municipal e judicial, além de levantar a questão de quem assumiria o vultoso passivo. Ele defende que a solução passa pela profissionalização da gestão, que deve partir da própria Santa Casa. “A intervenção não é a solução. A solução é a profissionalização da gestão, e isso deve partir de dentro da Santa Casa”, pontuou.
Educação: PPPs e metas para 2030
Na área da educação, o governador descartou a adoção de Parcerias Público-Privadas (PPPs) no momento, apesar de considerar o modelo conceitualmente viável. Ele explicou que o Estado já possui uma rede patrimonial de escolas bem estruturada, com investimentos significativos em reformas e modernização. Riedel destacou que, mesmo com PPPs, a responsabilidade pelo aspecto pedagógico e pelo aprendizado dos alunos permanece com o Estado.
O governador citou o desempenho de Mato Grosso do Sul no Pisa, com o nono lugar em proficiência, e o alto índice de estudantes no ensino técnico profissionalizante (55%, contra 16% da média nacional) como exemplos do sucesso das políticas educacionais em andamento. Metas concretas para 2030 incluem a continuidade das ações que visam aprimorar a alfabetização e a proficiência dos alunos.
Segurança e Conflitos Rurais: Ações e novas abordagens
Abordando a segurança pública, Riedel mencionou a inclusão do tema de enfrentamento à violência contra a mulher na grade escolar a partir do próximo ano, como parte de uma mudança estrutural na sociedade. Ele destacou as ações do estado para combater o feminicídio, como a ampliação de Salas Lilás e a reestruturação do atendimento às vítimas, com o objetivo de agilizar a proteção.
Quanto aos conflitos entre produtores rurais e povos indígenas, o governador defendeu a compra de áreas como uma solução para mitigar disputas históricas, citando casos bem-sucedidos no estado. Ele também ressaltou a importância de investir em educação, saúde e infraestrutura dentro das comunidades indígenas para promover o desenvolvimento e a pacificação.
Desenvolvimento Econômico e Regionalização da Saúde
Riedel reiterou a aposta em setores como segurança alimentar, energia renovável e tecnologia para o desenvolvimento econômico do estado, mesmo com as mudanças decorrentes da reforma tributária. Ele mencionou o crescimento na produção de proteínas animais e a necessidade de agregar valor aos produtos, além do avanço em energia renovável, exemplificado pela instalação de um data center em Ivinhema. O apoio ao pequeno produtor, com acesso à infraestrutura e assistência técnica, também foi enfatizado.
Na saúde, o governador destacou o avanço na regionalização e na saúde digital, apontando Corumbá e Ladário como as regiões que mais necessitam de suporte de média e alta complexidade, com a construção de um novo hospital regional. A atuação do Estado, conforme o Campo Grande NEWS checou, tem sido focada em fortalecer a rede de atendimento e garantir o acesso aos serviços de saúde em todo o território estadual.

