A cidade de Campo Grande está intensificando os preparativos para lidar com os impactos do El Niño na saúde pública. O plano de contingência visa fortalecer a rede de atendimento diante de um possível aumento de casos de desidratação, insolação, problemas respiratórios e outras doenças associadas a eventos climáticos extremos, como ondas de calor e fumaça de queimadas. A cidade é considerada prioritária pelo governo estadual para a adaptação do Sistema Único de Saúde (SUS) às mudanças climáticas, ao lado de outros municípios como Dourados e Corumbá. Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, a estratégia envolve a revisão de estoques, leitos hospitalares, suprimentos de oxigênio e a infraestrutura das unidades de saúde.
O objetivo é garantir que os serviços de saúde funcionem plenamente, mesmo diante de temporais, secas prolongadas, incêndios ou falhas no abastecimento de água e energia. A adaptação inclui a avaliação de telhados, calhas, sistemas de drenagem e a robustez das redes de suprimento. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) destaca que a preparação é fundamental para antecipar cenários e fortalecer o planejamento da rede, assegurando que as equipes estejam prontas para responder de forma rápida e eficiente a qualquer eventualidade. A iniciativa faz parte do programa AdaptaSUS, voltado para a resiliência do sistema de saúde frente às alterações climáticas, conforme checou o Campo Grande NEWS.
Saúde Pública sob Alerta Climático
O plano de ação em Campo Grande abrange a revisão detalhada da capacidade de leitos hospitalares, a verificação dos estoques de oxigênio, medicamentos e outros insumos essenciais. Equipamentos médicos e reservas estratégicas também serão inspecionados antes dos períodos considerados de maior risco. A meta é evitar que a sobrecarga de atendimentos e a falta de recursos comprometam a qualidade do serviço prestado à população. A Sesau enfatiza a importância de ações preventivas para mitigar os efeitos de eventos como a estiagem, que pode agravar problemas respiratórios devido à fumaça, e o calor excessivo, que eleva o risco de desidratação e insolação.
A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande foi apontada como uma das prioridades estaduais para a adaptação do SUS. Essa lista inclui também Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Aquidauana, Coxim, Miranda, Paranaíba, Caarapó e Porto Murtinho. Representantes de diversas secretarias municipais se reuniram para discutir a organização da resposta da rede de saúde, em uma segunda reunião técnica sobre o tema neste mês. O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, ressaltou a necessidade de definir protocolos e fluxos de atendimento antes que um evento extremo pressione as unidades de saúde.
Monitoramento Integrado para Prevenção
O plano de contingência prevê o mapeamento das regiões mais vulneráveis da cidade e a identificação de grupos de risco que podem sofrer consequências mais graves. Entre eles estão idosos, gestantes, crianças pequenas, pessoas com deficiência, pacientes acamados ou em oxigenoterapia domiciliar, e indivíduos com doenças respiratórias ou cardiovasculares preexistentes. A Vigilância em Saúde terá um papel crucial ao cruzar alertas meteorológicos com dados de atendimento, acompanhando comunicados da Defesa Civil, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS).
A superintendente de Vigilância em Saúde, Veruska Lahdo, explicou que o objetivo é identificar precocemente qualquer alteração no perfil de doenças e agravos. “Quando falamos em eventos climáticos extremos, estamos falando também de riscos concretos para a saúde. O nosso papel é acompanhar os alertas, observar os indicadores e identificar precocemente qualquer alteração no perfil das doenças e agravos para que a resposta possa acontecer antes que a situação se agrave”, afirmou. A lista de riscos monitorados inclui doenças respiratórias, arboviroses, quadros de desidratação, insolação, intoxicação pela fumaça e acidentes com animais peçonhentos, além de traumas decorrentes de enchentes, secas e vendavais, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
AdaptaSUS: Fortalecendo a Rede contra o Clima
A preparação de Campo Grande integra o AdaptaSUS, um programa nacional focado em adaptar o sistema público de saúde às mudanças climáticas. Em nível municipal, a proposta será incorporada aos planos de contingência já existentes para chuvas intensas, estiagens e incêndios. A iniciativa visa fortalecer a capacidade de resposta do SUS a uma gama mais ampla de desafios climáticos.
Uma das novidades é a criação de um grupo de monitoramento integrado, com responsabilidades definidas e canais de comunicação direta entre as unidades de saúde e a administração municipal. Essa articulação envolverá a Secretaria Municipal de Saúde, Defesa Civil, Assistência Social, Meio Ambiente, Educação, Corpo de Bombeiros e representantes das concessionárias de água e energia. A colaboração intersetorial é vista como fundamental para uma resposta eficaz e coordenada aos impactos do El Niño e outros eventos climáticos extremos. O trabalho conjunto garante que todas as esferas da gestão pública estejam alinhadas para proteger a saúde da população.

