Justiça Eleitoral se aproxima de indígenas na Raposa Serra do Sol

A Justiça Eleitoral intensifica ações de proximidade com eleitores indígenas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Uma comitiva liderada pelos presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), desembargador Mozarildo Cavalcanti, esteve na comunidade indígena Maturuca para promover diálogo e oferecer capacitação. A iniciativa visa garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua origem, possam exercer o direito ao voto com liberdade e segurança, reconhecendo a diversidade cultural do Brasil. Conforme o divulgado pelo TSE, a missão da Justiça Eleitoral vai além da organização das eleições, buscando assegurar a dignidade e a liberdade de escolha de cada eleitor. Essa aproximação é especialmente relevante em um ano que registra um número recorde de candidaturas indígenas em todo o país, conforme aponta a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Diálogo e capacitação para eleitores indígenas

Na comunidade Maturuca, a comitiva da Justiça Eleitoral participou de diversas atividades voltadas para a aproximação com os eleitores indígenas. Uma das principais ações foi o acompanhamento das atividades da Ouvidoria dos Povos Indígenas, uma iniciativa do TRE-RR que funciona como um canal direto de comunicação entre a Justiça Eleitoral e as comunidades. O objetivo é ouvir atentamente as necessidades dos povos originários e adaptar os serviços eleitorais à realidade das aldeias.

O encontro ocorreu no malocão principal, espaço tradicional de reuniões da comunidade. Ali, foram realizadas capacitações para mulheres indígenas sobre o processo de votação, uma demanda apresentada pela própria comunidade. Jovens também foram contemplados com ações específicas, e a escola de informática da comunidade recebeu a doação de computadores do TRE-RR, reforçando o compromisso com a educação e o acesso à informação.

Para facilitar o entendimento sobre os direitos, serviços e as etapas da votação, os indígenas receberam uma cartilha informativa produzida na língua Macuxi, uma das línguas nativas da região. Essa iniciativa demonstra a preocupação em tornar a informação acessível e relevante para todos os eleitores.

A diversidade como pilar democrático

O ministro Kassio Nunes Marques ressaltou a importância de ir além da organização eleitoral. “Nosso dever é garantir que cada cidadão e cada cidadã possa exercer o seu direito de escolha com liberdade, segurança e dignidade”, declarou. Ele enfatizou que o Brasil é formado por uma pluralidade de identidades e perspectivas.

“Um país democrático não pode ser construído a partir de uma única perspectiva, de uma única cultura ou de uma única forma de ver o mundo”, complementou o ministro, reforçando a necessidade de valorizar e incluir todas as vozes no processo democrático. Essa fala ressoa com o crescente número de candidaturas indígenas, que reflete uma maior participação desses povos na política nacional.

Roraima: um estado com forte presença indígena

Roraima se destaca como o estado com a maior proporção de população indígena no Brasil. De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15% da população do estado, o que representa 97,7 mil pessoas, pertence a alguma etnia indígena. Em comparação, os indígenas representam 0,8% da população total do país.

Na Raposa Serra do Sol, vivem diversos povos, incluindo Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Taurepang e Patamona. A presença significativa dessas comunidades torna as ações de aproximação da Justiça Eleitoral ainda mais relevantes para garantir a inclusão e a participação de todos no processo eleitoral.

A importância da “colinha” no dia da eleição

Ao final da agenda em Roraima, em Boa Vista, os presidentes dos tribunais eleitorais participaram de uma simulação de votação na urna eletrônica. O ministro Nunes Marques incentivou os eleitores a levarem a “colinha”, um pequeno papel com os números dos candidatos escolhidos, para facilitar o voto no dia da eleição. A iniciativa foi bem recebida, com Dona Vicentina, de 71 anos, uma das participantes, elogiando a prática: “A colinha ajudou muito na hora de votar”.

O primeiro turno das eleições ocorrerá em 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais e distritais, governadores, dois senadores por unidade da federação e o presidente da República. O segundo turno está marcado para 25 de outubro e poderá ocorrer nas disputas para governador e presidente, caso nenhum candidato atinja mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno.