Diego Hernan Dirisio, apontado como o maior traficante de armas da América Latina e com ligações com facções criminosas brasileiras como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (10) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A audiência ocorreu por videoconferência, na 3ª Vara Federal da cidade, após sua extradição da Argentina, onde estava preso desde fevereiro de 2024. A extradição foi conduzida pela Polícia Federal Argentina (PFA) e contou com um forte esquema de segurança.
A captura de Dirisio e de sua sócia, Julieta Nardi, ocorreu em fevereiro deste ano na cidade de Córdoba, Argentina, após troca de informações entre a Interpol de Buenos Aires e Brasília. Ambos possuíam mandado de prisão internacional desde dezembro de 2023, expedido a pedido do Segundo Tribunal Penal Federal da Bahia, pelos crimes de tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A organização liderada por Dirisio é suspeita de ter importado cerca de 25.000 armas desde 2012, provenientes da Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia. Essas armas entravam legalmente no Paraguai e, posteriormente, eram contrabandeadas para o Brasil.
As investigações apontam que a organização criminosa utilizava uma complexa estrutura financeira para ocultar o rastro do dinheiro, com pagamentos intermediados por cambistas informais que operavam entre Paraguai e Estados Unidos. A atuação de Dirisio e sua empresa, da qual era presidente e sua sócia vice-presidente, movimentou mais de 240 milhões de dólares, conforme dados da Operação Dakovo, deflagrada pela Polícia Federal no final de 2023. Esta operação desvendou uma conexão entre empresários, doleiros, vendedores de armas, políticos e narcotraficantes.
O esquema de tráfico internacional de armas
Diego Hernan Dirisio é acusado de ser o principal responsável pelo **tráfico internacional de armas** na América Latina. Sua empresa atuava na importação e venda de armamentos, com evidências de que parte significativa dessas armas seria destinada a organizações criminosas brasileiras, incluindo o CV e o PCC. Conforme o Ministério Público, a organização se dedicava ao tráfico em larga escala, utilizando uma logística que envolvia a entrada legal de armas no Paraguai para posterior contrabando ao Brasil.
A empresa de Dirisio, com sede em Ciudad del Este, no Paraguai, operava com licenças de importação consideradas duvidosas. A partir do Paraguai, as armas eram distribuídas para o mercado ilícito brasileiro, com intermediários em Ciudad del Este facilitando o abastecimento das facções. A organização também contava com o apoio de autoridades paraguaias ligadas a instituições de controle de armamentos no país, o que facilitava a movimentação ilegal.
Em uma das negociações interceptadas, Dirisio demonstrou conhecimento técnico e exigências específicas sobre calibres de armas, evidenciando sua expertise no ramo. Ele teria rejeitado um revólver calibre 308, enfatizando a preferência por calibres como 9mm, .40 e .45, com a justificativa de que esses eram os calibres utilizados no Rio de Janeiro. Essa informação, conforme o Campo Grande NEWS checou, detalha a operação e o nível de envolvimento do acusado.
Mandados e prisões internacionais
Dirisio e Julieta Nardi estavam foragidos e com mandados de prisão internacional desde dezembro de 2023. A solicitação partiu do Brasil, especificamente do Segundo Tribunal Penal Federal da Seção Judicial do Estado da Bahia, pelos crimes de tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A colaboração entre a Interpol Buenos Aires e a Interpol Brasília foi crucial para a localização e prisão do casal em Córdoba, em 2 de fevereiro de 2024, após um período de investigações e vigilância secreta.
Desde a prisão, Dirisio permaneceu sob custódia na província de Córdoba, aguardando o processo de extradição. Sua chegada ao Brasil e a subsequente audiência de custódia em Campo Grande marcam um avanço significativo nas investigações sobre o **tráfico de armas** que abastece o crime organizado no país. O caso é emblemático sobre a complexidade do crime transnacional e a necessidade de cooperação internacional para combatê-lo, como destacado por especialistas em segurança, segundo apurou o Campo Grande NEWS.
Operação Dakovo e o alto valor movimentado
A Operação Dakovo, deflagrada pela Polícia Federal no final de 2023, foi fundamental para desarticular parte da rede de Dirisio. A investigação revelou uma **conexão entre empresários, doleiros, vendedores de armas, políticos e narcotraficantes**. Diego Hernan Dirisio se encontrava na ponta de uma linha de conexão que movimentou mais de 240 milhões de dólares. Ele era o responsável pela compra de grande quantidade de armas e munições, com especialização em armamentos pesados.
A atuação da organização de Dirisio não se limitava ao fornecimento de armas. Eles também utilizavam uma complexa rede financeira para lavar o dinheiro proveniente dessas atividades ilícitas. Essa estrutura envolvia cambistas informais e operações financeiras internacionais, dificultando o rastreamento dos valores. O trabalho do Campo Grande NEWS em trazer detalhes sobre a operação e as conexões do traficante reforça a importância da cobertura jornalística local em casos de repercussão nacional e internacional.
A extradição de Diego Hernan Dirisio e sua apresentação à justiça brasileira representam um duro golpe contra o **tráfico internacional de armas**. As autoridades brasileiras buscam desmantelar completamente essa rede criminosa e impedir o fluxo de armamentos que alimentam a violência e o crime organizado em diversas regiões do país. A audiência de custódia em Campo Grande é o primeiro passo para que Dirisio responda pelos crimes que lhe são imputados.

