Rio da Prata em seca: peixes resgatados em Jardim pela 3ª vez

A estiagem no Rio da Prata, em Jardim, a 236 quilômetros de Campo Grande, forçou a primeira operação de retirada de peixes isolados em poças neste ano. O monitoramento realizado na sexta-feira (4) identificou 4 quilômetros do leito afetados pela seca, um aumento significativo em relação à semana anterior. O cenário se repete pelo terceiro ano consecutivo, com o Instituto Guarda Mirim Ambiental atuando no resgate de centenas de peixes.

Seca avança e força resgate de peixes no Rio da Prata

A situação crítica no Rio da Prata, em Jardim, levou à primeira grande operação de resgate de peixes isolados em poças neste ano. Conforme monitoramento divulgado pelo Campo Grande NEWS, cerca de 4 quilômetros do leito do rio já estão completamente secos, uma extensão que aumentou em um quilômetro apenas na última semana. Este é o terceiro ano consecutivo que o fenômeno se agrava a ponto de exigir intervenção humana para salvar a vida aquática.

Nisroque da Silva Soares, presidente do Instituto Guarda Mirim Ambiental de Jardim, explicou que a equipe conseguiu retirar 200 peixes de pequeno porte de três poças que se formaram devido à diminuição drástica do nível da água. Entre as espécies resgatadas estão lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras. Estes animais foram realocados em trechos do rio onde ainda há fluxo de água, garantindo sua sobrevivência.

Agravamento da estiagem e histórico preocupante

A necessidade de resgate marca um agravamento da situação observada nas últimas semanas. No dia 27 de agosto, aproximadamente três quilômetros do leito já apresentavam sinais de seca, com peixes isolados em poças. Na ocasião, o instituto optou por manter o monitoramento, confiando em previsões de chuva, mas já se preparava para a intervenção caso o cenário piorasse.

O primeiro alerta deste ano ocorreu em 25 de agosto, quando imagens chocantes mostraram a interrupção completa do fluxo de água sob a Ponte do Curé. Este trecho, que também sofreu com a estiagem nos anos anteriores, já não apresentava passagem de água. Mesmo assim, havia água em pontos próximos, e o curso do rio era retomado mais adiante.

O Rio da Prata e os efeitos da seca nos últimos anos

O fenômeno de secamento do Rio da Prata não é novo na região. Em setembro de 2025, o trecho afetado chegou a cerca de sete quilômetros, concentrando-se nas proximidades da Ponte do Curé e da MS-178. Naquele ano, os primeiros sinais de redução do nível surgiram no início de setembro, e em poucas semanas a extensão seca se ampliou drasticamente, levando à morte de peixes e outros animais aquáticos.

Em 2024, a situação foi semelhante, com aproximadamente seis quilômetros do curso d’água secando durante o período de estiagem, incluindo a região da Ponte do Curé. As operações de retirada de peixes isolados em poças também foram necessárias naquele período. O fluxo de água só começou a ser restabelecido com a chegada das chuvas em novembro.

A importância do Rio da Prata e o monitoramento contínuo

O Rio da Prata é um dos cursos d’água mais importantes da região da Serra da Bodoquena e integra a bacia do Rio Paraguai. Ele é reconhecido mundialmente pela transparência de suas águas e pela rica biodiversidade aquática que abriga. A região é um polo de ecoturismo, atraindo visitantes para atividades como flutuação e observação da fauna.

O avanço do trecho seco de três para quatro quilômetros em apenas oito dias, aliado à necessidade de resgate dos primeiros peixes isolados, reforça a preocupação com o futuro do rio. O Instituto Guarda Mirim Ambiental continua monitorando de perto a situação, buscando estratégias para mitigar os impactos da estiagem. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atuação do instituto é fundamental para a preservação da vida aquática em momentos de crise hídrica.

A situação do Rio da Prata serve como um alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas e a necessidade de ações de conservação. O Campo Grande NEWS reafirma seu compromisso em trazer informações relevantes sobre a situação ambiental da região, destacando a importância da conscientização e da preservação dos nossos recursos hídricos.