O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o fim da escala 6×1, argumentando que a medida pode significar um ganho expressivo para os trabalhadores rurais. A proposta, que visa garantir mais tempo de descanso e flexibilizar jornadas, foi apresentada durante agenda oficial do ministro na região. Ele destacou a importância de adaptar as escalas às particularidades de cada atividade no campo.
Conforme informação divulgada pelo Campo Grande NEWS, Marinho reuniu-se com servidores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso do Sul (SRTE-MS) e representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Na ocasião, o ministro abordou a proposta de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, com a garantia de duas folgas semanais. A iniciativa, segundo ele, visa primordialmente melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida dos brasileiros.
Jornada flexível para o campo
Ao ser questionado sobre os reflexos da extinção da escala 6×1 para os trabalhadores rurais, o ministro Luiz Marinho afirmou que a mudança pode melhorar significativamente as condições de quem atua no campo. Ele, no entanto, ressaltou a necessidade de ouvir e debater as preocupações das empresas, ponderando que cada atividade possui suas particularidades que precisam ser consideradas em negociações coletivas.
A proposta em discussão envolve, além da redução da jornada, a garantia de duas folgas por semana. Marinho explicou que o fim da escala 6×1 não significa a proibição do trabalho aos sábados e domingos, mas sim a organização de diferentes modelos de escala, como o 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de folga) ou o 12×36 (doze horas de trabalho e trinta e seis de descanso). O principal instrumento para essa organização, segundo o ministro, será o contrato coletivo de trabalho.
Argumentos contra e a favor da mudança
O ministro rejeitou o argumento de que a redução da jornada de trabalho possa prejudicar financeiramente as empresas, classificando a ideia como “piada”. Ele relembrou que medidas como a criação do 13º salário, licença-maternidade, férias e a redução da jornada de 48 para 44 horas também geraram receios semelhantes no passado, mas acabaram por se consolidar e trazer benefícios. Para Marinho, aumentar o tempo de descanso contribui tanto para a saúde dos trabalhadores quanto para a produtividade.
Como exemplo, o ministro citou empresas que já adotaram a escala 5×2 e observaram uma melhora na ocupação de vagas, especialmente diante da resistência de jovens e mulheres ao regime 6×1. Ele também mencionou o caso de uma empresa em Brasília que, após a mudança, viu as faltas diárias zerarem. “Isso é muito importante para a empresa, para o Estado brasileiro, para a Previdência, para o SUS, mas é mais importante para esse trabalhador e para essa trabalhadora”, afirmou.
Marinho ainda apontou a escala 6×1 como um dos fatores relacionados aos mais de 500 mil afastamentos por estresse registrados em 2025. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a busca por maior bem-estar no ambiente de trabalho tem sido um tema cada vez mais presente nas discussões sobre legislação trabalhista.
A expectativa no Congresso Nacional
Sobre a tramitação da proposta no Congresso Nacional, Luiz Marinho expressou otimismo, mas ressaltou que o avanço dependerá da pressão da sociedade civil, dos trabalhadores e dos sindicatos. Ele comparou o processo ao cozimento de feijão na panela de pressão, indicando que a cobrança popular pode acelerar a votação do tema. “Nós sabemos, nesse Congresso, como ele trata o tema do trabalho e como trata quando tem muita pressão”, declarou.
O ministro acredita que, com a articulação e o diálogo dos sindicatos com deputados e senadores, a aprovação do fim da escala 6×1 é uma questão de tempo. Ele citou como exemplo a recente isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, cujo avanço atribuiu diretamente à cobrança da população. “Se não fosse a pressão da sociedade, esse Congresso teria aprovado a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil? Não teria”, pontuou.
Após a reunião na Superintendência do Trabalho, o ministro participou da instalação da Mesa do Pacto pelo Trabalho Decente do Meio Rural de Mato Grosso do Sul, na Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul). A iniciativa reforça o compromisso do governo em buscar soluções que promovam um trabalho mais digno e sustentável no campo. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos dessas discussões que podem impactar diretamente a vida de milhares de trabalhadores.

