Cursos de informática seguem firmes na Capital, de iniciantes a avançados
Mesmo com a popularização dos smartphones, a necessidade de conhecimento em informática continua alta em Campo Grande. Cursos gratuitos e pagos oferecem capacitação para pessoas de todas as idades, desde o básico de digitação até ferramentas avançadas como Inteligência Artificial e Power BI. A inclusão digital, que ainda é um desafio para muitos, é o foco principal dessas iniciativas.
A demanda por cursos de informática em Campo Grande demonstra que a tecnologia, apesar de cada vez mais acessível em dispositivos móveis, ainda exige conhecimento específico para uso profissional e para a plena participação na sociedade digital. Iniciativas da prefeitura, ONGs e escolas particulares buscam suprir essa carência, atendendo desde quem nunca ligou um computador até profissionais que buscam aprimoramento.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a Funsat (Fundação Social do Trabalho) oferece cursos gratuitos com cerca de 40% das vagas preenchidas por iniciantes. A maior procura vem de pessoas com mais de 50 anos e de participantes do Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho (PRIMT), que precisam comprovar qualificações. O público jovem representa cerca de 20% dos alunos, com expectativa de aumento na procura.
Inclusão e qualificação profissional nas aulas gratuitas
Os cursos gratuitos, como os oferecidos pela Funsat, geralmente têm duração de um mês e focam no básico, como digitação e uso de programas de edição de texto e planilhas. O presidente da entidade, João Henrique Bezerra, destaca a importância dessas aulas para a inclusão no mercado de trabalho.
Projetos sociais também desempenham um papel crucial. O Asas do Futuro, no Bairro Dom Antônio Barbosa, oferece um curso de 10 meses para jovens de 8 a 15 anos, ensinando desde o básico até a criação de currículos. A assistente social Jaqueline Teixeira da Silva relata que o projeto expandiu para ensinar idosos a usar celulares, visando evitar golpes e promover a comunicação, como chamadas de vídeo.
O Senai, em parceria com a prefeitura, também disponibiliza aulas gratuitas de informática básica em diversos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) espalhados pela cidade. Essa iniciativa visa atender diretamente a população adulta dos bairros, facilitando o acesso à qualificação.
Cursos pagos atualizam conhecimentos com foco em novas tecnologias
No setor privado, escolas como a Microlins oferecem cursos que vão além do básico. Com unidades no Centro e no Bairro Aero Rancho, a rede atualizou seu currículo para incluir temas como Inteligência Artificial, Python, Excel com Power BI e gestão de projetos. Os cursos pagos têm mensalidades que variam entre R$ 300 e R$ 350 e podem durar de seis meses a dois anos, dependendo do nível de aprofundamento desejado.
O responsável pela franquia da Microlins em Campo Grande, Denilson Queiroz, afirma que o perfil dos alunos é bastante diversificado, abrangendo desde crianças de 8 anos até idosos de 80. Ele ressalta que muitos buscam aprimoramento para conseguir empregos mais qualificados, comprovando a relevância contínua dos cursos de informática no mercado de trabalho atual.
Desafios na oferta de cursos gratuitos e o papel das escolas públicas
Nem todas as iniciativas de cursos gratuitos têm tido sucesso em fechar turmas. O Instituto Luther King, na área central, enfrentou dificuldades em formar uma turma para seu curso gratuito de informática básica. A assistente social Flávia Kelly investiga os motivos, cogitando melhorias na divulgação ou ajustes nos horários das aulas, que ocorreriam durante a semana.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que as antigas salas de informática nas escolas públicas, estruturadas como laboratórios fixos, foram descontinuadas devido à obsolescência dos equipamentos, cujos últimos lotes datam de 2012 a 2014. Apesar da falta de reposição generalizada, algumas escolas ainda mantêm aulas com equipamentos remanescentes, como a Escola Municipal Carlos Vilhalva e a ETI Anísio Teixeira. A Escola Municipal Osvaldo Cruz possui um laboratório atualizado para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A Semed tem investido na formação de professores e no uso pedagógico de tecnologias educacionais, mesmo sem laboratórios padronizados em toda a rede. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a iniciativa demonstra um esforço contínuo para integrar a tecnologia ao ensino, adaptando-se às novas realidades.
A oferta de cursos de informática em Campo Grande, seja por meio de órgãos públicos, projetos sociais ou instituições privadas, reflete a importância de garantir que todos tenham acesso ao conhecimento digital. A diversidade de opções e públicos atendidos, como noticiado pelo Campo Grande NEWS, mostra que a inclusão e a atualização tecnológica continuam sendo prioridades na capital sul-mato-grossense.

