Rotatória de R$ 2,4 milhões divide opiniões de comerciantes em Campo Grande

A futura rotatória que receberá um investimento de R$ 2,4 milhões nas avenidas Tamandaré, Euler de Azevedo e Dom Antônio Barbosa, em Campo Grande, está gerando um intenso debate entre os comerciantes da região. Enquanto alguns veem a intervenção como uma solução para a segurança e o fluxo de veículos, outros temem que as mudanças causem mais congestionamentos e prejudiquem seus negócios. A ordem de serviço para o início das obras será assinada nesta quarta-feira (9), segundo informações divulgadas pela prefeitura.

Obra polêmica na rotatória divide comerciantes

Com um investimento que supera os R$ 2,4 milhões, o projeto de reordenamento viário promete trazer mudanças significativas para a região. As intervenções incluirão serviços de drenagem, pavimentação, reforma de calçadas com foco em acessibilidade, novas aberturas no canteiro central e a adequação dos retornos. Além disso, um novo sistema semafórico será implantado, visando reduzir os pontos de conflito e melhorar a ligação entre as regiões do Segredo, Imbirussu e Centro. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a obra, realizada em parceria com o Governo do Estado, visa beneficiar moradores de diversos bairros.

Expectativas e temores sobre a nova rotatória

Américo Júnior, comerciante na área há quatro anos, demonstra uma visão mista sobre o projeto. Ele acredita que a nova sinalização poderá, de fato, aumentar a segurança no local, que já presenciou de cinco a seis acidentes nos horários de pico. No entanto, ele duvida que a medida resolva completamente os problemas de fluxo de veículos. “Para diminuir os acidentes, acredito que sim. Mas, em relação ao fluxo, acho que não vai resolver muita coisa”, pondera.

Uma preocupação adicional para Américo é o impacto nas operações de seu comércio. Ele teme que as mudanças dificultem o estacionamento de caminhões para descarregar mercadorias pesadas, como sacos de milho e ração, e também para os clientes que precisam parar para carregar suas compras. Essa incerteza sobre a logística de abastecimento e atendimento aos clientes é um ponto sensível para os negócios locais.

Comissão de comerciantes critica projeto aprovado

José Nilton, que representa uma comissão de comerciantes e trabalha no endereço há 15 anos, se posiciona firmemente contra o projeto aprovado. Segundo ele, a comissão participou de quatro reuniões com a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e apresentou três propostas alternativas, nenhuma delas acatada. “O projeto aprovado é totalmente diferente do que a gente sugeriu. Ele muda a circulação e pode travar o trânsito, em vez de melhorar”, critica.

Nilton também questiona o momento escolhido para o início das obras, especialmente considerando a futura abertura de um atacadista nas proximidades. Ele argumenta que a intervenção poderia ter sido iniciada em um momento mais oportuno, para evitar a sobreposição de transtornos. A sensação é de que as sugestões da comunidade local não foram devidamente consideradas no planejamento final, gerando desconfiança sobre os resultados esperados.

Visão positiva da intervenção

Em contrapartida, Ana Marina Castelão, comerciante há 11 anos na região e usuária frequente da rotatória, tem uma avaliação positiva sobre a instalação dos semáforos. Ela considera a medida **necessária e de grande valia**, dada a intensidade do trânsito na área, que atende a estudantes universitários, pessoas que vão ao Detran e outros deslocamentos pela cidade. “Vai ser de grande valia, porque o trânsito é intenso. Há pessoas indo para a universidade, para o Detran e para outras regiões da cidade. Já passou da hora de fazerem isso”, afirma.

O projeto completo, com investimento de R$ 2.440.397,75, conforme anunciado na licitação em maio, visa não apenas melhorar o tráfego, mas também a infraestrutura geral do local. A participação técnica do Detran-MS e da Agetran reforça o caráter oficial da iniciativa. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a prefeitura espera que a obra revitalize a região e melhore a mobilidade urbana para milhares de moradores. A expectativa é que, apesar das divergências iniciais, a nova rotatória traga mais segurança e fluidez para Campo Grande.