A campanha eleitoral invadiu o desfile cívico de 7 de Setembro em Campo Grande, transformando a celebração da Independência em um palco para candidatos que buscam votos. De direita a esquerda, políticos aproveitaram a multidão reunida ao longo do trajeto para dialogar com eleitores, entregar santinhos e apresentar suas propostas na reta final da corrida eleitoral. A estratégia visa capitalizar a visibilidade do feriado nacional em um momento crucial para a decisão do eleitorado.
Candidatos buscam eleitores no 7 de Setembro
Candidatos ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul marcaram presença no evento. Renan Contar (PL), Jaime Verruck (Republicanos), André Puccinelli (MDB) e Luiza Ribeiro (PT) foram alguns dos nomes que circularam entre o público, cumprimentando, conversando e distribuindo material de campanha. A iniciativa busca converter a atenção gerada pelo desfile em apoio nas urnas, em uma tática comum na reta final das campanhas.
Enquanto autoridades ocupavam o palanque oficial, os políticos desciam para o meio da multidão. Em alguns pontos, cabos eleitorais reforçavam a presença de suas campanhas, agitando bandeiras e distribuindo panfletos. A presença de diversos candidatos em um mesmo evento público, como o desfile de 7 de Setembro, oferece uma oportunidade única de contato direto com um grande número de pessoas, algo valioso em um período onde cada voto conta.
Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, a estratégia de campanha aproveita um momento de grande concentração popular em um feriado nacional, ocorrendo em meio à reta final da disputa eleitoral. Para os candidatos, o contato direto é uma oportunidade ímpar de apresentar o rosto, conversar com eleitores e tentar transformar a visibilidade adquirida em votos concretos. A experiência é vista como fundamental para quem busca se destacar em meio a tantas candidaturas.
Renan Contar: Presença anual com olhar político
Renan Contar, candidato ao Senado, chegou cedo ao local e percorreu parte do trajeto, cumprimentando militares e conversando com o público. O candidato, que é capitão da reserva remunerada do Exército, ressaltou que sua participação no evento de 7 de Setembro é uma tradição anual, independente de haver eleição. Ele considera a data um momento de encontro entre famílias e diferentes grupos da sociedade.
Contar reconheceu, no entanto, que a concentração de pessoas proporciona uma oportunidade política valiosa. Para ele, estar no meio do público permite um diálogo direto com os eleitores e a percepção do ambiente político. “Eu venho para o 7 de setembro todos os anos, independente se tem eleição ou não”, afirmou o candidato, destacando a importância de sentir a “temperatura” do eleitorado.
O candidato ao Senado enfatizou que o contato presencial ganha ainda mais relevância durante o período eleitoral. “Como candidato ao Senado aproveito esse momento para estar realmente em contato com as pessoas, ouvindo e aprendendo”, declarou Contar, sublinhando o valor de captar diretamente as demandas e opiniões dos cidadãos.
Jaime Verruck: Associando nome e rosto ao eleitor
Jaime Verruck, candidato a deputado federal e ex-secretário do Estado, também dedicou tempo a percorrer a região entregando material de campanha e conversando com os presentes. Para Verruck, o corpo a corpo é essencial para que o eleitor consiga associar o nome ao rosto do candidato, uma vez que muitas pessoas ainda não conhecem todos os concorrentes ou só sabem o nome.
“É um bom momento desse contato mais direto”, afirmou Verruck, relatando ter ouvido de eleitores durante a caminhada frases como “eu não sabia que você era candidato”. Na avaliação dele, essa proximidade é fundamental para apresentar quem está efetivamente na disputa por vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, combatendo o desconhecimento.
Verruck também destacou que o desfile reúne diversos candidatos, oferecendo uma oportunidade valiosa de contato direto com a população. O Campo Grande NEWS apurou que essa estratégia de estar presente em eventos de grande circulação é uma tática recorrente entre os políticos que buscam aumentar sua visibilidade e conexão com o eleitorado local.
André Puccinelli: Apostando na memória e no contato direto
O ex-governador André Puccinelli, candidato a deputado estadual, também aproveitou o desfile para circular entre o público e distribuir santinhos. Ele aposta na lembrança que parte dos eleitores ainda mantém de seus períodos à frente da Prefeitura de Campo Grande e do Governo de Mato Grosso do Sul para reforçar sua candidatura.
Puccinelli relatou ter recebido um bom acolhimento, com pessoas o abraçando e pedindo fotografias. “De 100 pessoas, 25 me abraçam e pedem pra fotografar comigo”, disse, comentando a receptividade. Contudo, ele ponderou que nem todos que o reconhecem necessariamente votarão nele, demonstrando cautela em sua avaliação.
O candidato afirmou contar com o apoio de vereadores, prefeitos e lideranças políticas em sua campanha, e acredita que terá votos em diversos municípios do estado. “Eu vou tirar voto em todos os municípios”, declarou com confiança. Puccinelli também defendeu a importância da entrega de material impresso, mesmo com o avanço das redes sociais, pois ainda encontra pessoas que desconhecem sua candidatura.
“Nem todos que tomaram conhecimento vão votar em mim, mas algo sério, me dá um papelzinho pra eu não esquecer”, justificou sobre a distribuição de santinhos. Ele complementou que sua estratégia de campanha é multifacetada, reunindo redes sociais, reuniões, caminhadas e contato com lideranças. Puccinelli, que sempre esteve presente em datas cívicas, decidiu aproveitar a concentração de pessoas neste ano para fazer campanha diretamente com o público.
Luiza Ribeiro: 7 de Setembro como espaço de todos
A vereadora Luiza Ribeiro, candidata a deputada estadual pelo PT, também esteve entre os políticos que utilizaram o movimento do desfile para conversar com eleitores e pedir votos. Sua presença ocorre em um evento que, nos últimos anos, tem sido associado a manifestações de grupos de direita.
Questionada sobre a participação da esquerda no espaço, Luiza Ribeiro afirmou que o 7 de Setembro não pertence a um campo político específico. “Esse é um espaço dos brasileiros e das brasileiras, e nós estamos aqui”, declarou. Para ela, a data deve ser vista como uma celebração do país, independentemente das posições ideológicas.
Além de acompanhar o desfile das instituições e organizações, Luiza Ribeiro citou a participação no tradicional Grito dos Excluídos, uma manifestação que ocorre no contexto do 7 de Setembro. Ela ressaltou que, enquanto o desfile apresenta ações e instituições que representam o país, é igualmente necessário dar visibilidade aos problemas enfrentados por parcelas da população. As dificuldades de mães atípicas, vítimas de feminicídio e trabalhadores rurais em busca de reforma agrária foram citadas como exemplos, “É preciso passar também os excluídos”, resumiu a candidata, reforçando a importância de abranger todas as vozes na celebração nacional.

