Um cenário de árvores cortadas e troncos espalhados chamou a atenção de quem passou pelo parque em frente à Praça do Preto Velho, na Avenida Fábio Zahran, no Bairro Jardim Paulista, em Campo Grande. No entanto, essa aparente devastação faz parte de um projeto importante de recuperação de áreas degradadas, focado na erradicação de uma espécie invasora que prejudica a vegetação nativa.
Parque em Campo Grande passa por revitalização com corte de leucenas
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) de Campo Grande explicou que as árvores removidas são leucenas, uma espécie considerada invasora. Sua proliferação acelerada e alta capacidade de reprodução comprometem a biodiversidade local, podendo reduzir em até 70% a diversidade de plantas nativas em uma área. Essa ação, que começou no mês passado, é o primeiro passo para a recuperação ambiental do local.
A retirada de leucenas não é novidade no município. Conforme o Campo Grande NEWS checou, em julho do ano passado, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) já havia atuado na remoção dessas árvores em outras praças. O objetivo é claro: restaurar o equilíbrio ecológico e dar espaço para o crescimento das espécies originais da região.
A ação visa não apenas a recuperação da vegetação, mas também a melhoria da qualidade de vida dos moradores. A psicóloga Ivalli Gonçalves, 41 anos, que reside na região, observou mudanças positivas após o início dos cortes. Ela relatou um ambiente mais limpo e seguro para suas caminhadas diárias com o cachorro.
Moradora relata mais segurança e limpeza após remoção
“Primeiro, eles começaram a cortar por dentro do córrego. Eu achei que estavam adentrando e pensei que estava tudo certo. Depois, foram colocando para fora”, contou Ivalli sobre o processo. Apesar do impacto visual inicial, ela vê benefícios concretos na intervenção.
“Para mim, que ando todo dia com meu cachorro, está mais limpo. Tinha bastante mato aqui, então, está ficando melhor”, afirmou a moradora. A sensação de segurança também aumentou. “Antes, tinha bastante mato e bastante árvore, então ficava bem mais escuro, mais deserto. Para quem corre ou anda aqui, é um risco, né? Eu sentia um pouquinho de medo de passar, de não saber se ia ter alguém ali”, completou.
Leucena: uma ameaça silenciosa à biodiversidade
A leucena, cientificamente conhecida como *Leucaena leucocephala*, é uma leguminosa de origem tropical que se adaptou muito bem ao clima brasileiro. Seu crescimento rápido e a produção massiva de sementes, que podem chegar a 250 mil por árvore, além da capacidade de rebrotar facilmente, a tornam uma competidora agressiva contra as espécies nativas. Essa competição desequilibra o ecossistema, empobrecendo a diversidade de plantas e, consequentemente, afetando a fauna que delas depende.
A erradicação da leucena é, portanto, uma medida essencial para a preservação da vegetação original. Ao controlar sua expansão, as autoridades ambientais buscam garantir que as espécies nativas possam florescer e se restabelecer, promovendo um ambiente mais rico e resiliente.
Ações de recuperação se intensificam em Campo Grande
Desde o ano passado, o município tem intensificado a retirada da leucena em diversas áreas verdes. Em outubro, exemplares foram removidos da Praça das Águas. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, em 2025, um projeto de recuperação abrangeu cerca de 19 mil metros quadrados de Áreas de Preservação Permanente (APPs) ocupadas por leucenas na bacia do Córrego Bandeira.
Nessas áreas recuperadas, um passo importante foi dado com o plantio de 600 mudas de espécies nativas. A distribuição foi estratégica: 200 mudas próximas à Rua Portuguesa, 200 no Parque Linear das Cabaças (ao lado da Praça do Preto Velho) e outras 200 na margem do Córrego Portinho Pache. Essa iniciativa demonstra o compromisso da prefeitura em não apenas remover o que prejudica, mas também em restaurar ativamente a cobertura vegetal nativa, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.
Essas ações são fundamentais para manter a saúde ambiental da cidade, garantindo que parques e áreas de preservação cumpram seu papel de refúgios ecológicos e espaços de lazer para a população. A colaboração entre as secretarias de Meio Ambiente e Infraestrutura tem sido crucial para o sucesso desses projetos de revitalização.

