Em 5 de setembro de 1918, o deputado estadual Rosário Congro tomou posse como Intendente Geral da Prefeitura de Campo Grande. A nomeação, feita pelo presidente do Estado, Dom Aquino Corrêa, marcou o fim de um período de instabilidade administrativa e jurídica no município. A intervenção estadual foi motivada por uma grave dualidade de poderes que se arrastava desde o início do ano, impedindo o bom funcionamento da cidade.
Intervenção estadual busca estabilidade em Campo Grande
A nomeação de Rosário Congro para a prefeitura de Campo Grande em 1918, conforme informações divulgadas pelo jornal O Matto-Grosso em 15 de setembro daquele ano, foi um marco na história política local. A decisão visava solucionar um impasse que paralisava a administração municipal. A situação se tornou insustentável devido a conflitos políticos que resultaram na existência paralela de uma Câmara Municipal e Juízes de Paz.
Essa dualidade de órgãos gerava sérios entraves e prejudicava a vida administrativa e jurídica do município. Diante desse cenário, a Assembleia Legislativa do Estado agiu para pôr fim à grave anomalia. A solução encontrada foi anular as eleições realizadas em novembro do ano anterior e autorizar o presidente do Estado a nomear o Intendente Geral e os Juízes de Paz.
Com essa medida, o município de Campo Grande teve sua autonomia política completamente cassada, e o Intendente Geral passou a exercer também as funções do poder legislativo. Essa intervenção estadual foi formalizada pela lei de número 768, datada de 9 de julho de 1918. O ato de nomeação do Intendente Geral, sob o número 329, ocorreu em 14 de agosto do mesmo ano, recaindo a escolha sobre o deputado estadual Rosário Congro.
Posse e primeiros atos do novo intendente
A posse de Rosário Congro como Intendente Geral aconteceu em 5 de setembro de 1918, diante de uma numerosa e atenta plateia. Conforme relatos da imprensa cuiabana na época, o evento contou com a participação da banda do 5º Regimento, um gesto de cortesia do comandante da guarnição. O novo intendente proferiu uma alocução inspiradora, delineando as diretrizes de seu governo e impressionando os presentes.
Durante a cerimônia, Rosário Congro leu e assinou seu primeiro ato oficial, seguido pelo recebimento dos arquivos das intendências que operavam em duplicidade. Em seguida, nomeou seu secretário e tesoureiro, demonstrando agilidade na organização da nova gestão. A população de Campo Grande expressou satisfação com a normalização da vida municipal e demonstrou confiança na ação do novo governo, aplaudindo a escolha acertada de Dom Aquino Corrêa.
Os Juízes de Paz nomeados para o município foram Antônio Benjamim Correa da Costa, Leopoldo Gonçalves dos Santos e João Coelho. Seus suplentes eram João Pedro de Souza, Manoel Joaquim de Moraes e Cândido da Costa Lima. No entanto, Cândido da Costa Lima não chegou a prestar o compromisso legal exigido.
Contexto histórico e a imprensa da época
A intervenção estadual em Campo Grande, ocorrida em 1918, reflete um período de intensa disputa política em Mato Grosso. A capacidade de um governante de intervir em municípios e nomear seus representantes era uma prática comum em tempos de instabilidade política, visando manter o controle e a ordem. A imprensa local, como o jornal O Matto-Grosso, desempenhava um papel crucial na divulgação e legitimação dessas ações.
A cobertura da posse de Rosário Congro pelo jornal O Matto-Grosso evidencia a importância do evento para a cidade. A descrição detalhada da cerimônia, incluindo a alocução do novo intendente e a reação do público, demonstra o interesse da sociedade na retomada da normalidade administrativa. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a mídia da época buscava informar e, ao mesmo tempo, construir uma narrativa sobre os acontecimentos políticos.
A nomeação de Rosário Congro, um deputado estadual, para o cargo de intendente-interventor, indicava a intenção do governo estadual de impor sua vontade e garantir a execução de suas políticas em Campo Grande. A cassação da autonomia municipal era uma medida drástica, mas vista como necessária para superar a crise. A confiança da população no novo governo, como relatado pela imprensa, pode ser interpretada como um reflexo do desejo por ordem e estabilidade após um período de incertezas.
A publicação oficial sobre o município de Campo Grande, de 1919, citada como fonte, certamente detalha os desdobramentos dessa intervenção. A atuação de Rosário Congro como intendente-interventor moldou os rumos da administração local em um momento decisivo. A história de Campo Grande, desde suas origens até os dias atuais, é rica em eventos que moldaram sua identidade, como a participação na Guerra do Paraguai e, mais recentemente, a epidemia de Covid-19.
O livro “Campo Grande 150 Anos de História”, do jornalista Sergio Cruz, com suas 468 páginas, oferece um panorama completo desses fatos marcantes. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a obra é um importante registro para quem deseja conhecer a fundo a trajetória da cidade. A relevância de eventos como a posse de Rosário Congro em 1918 é fundamental para a compreensão da evolução política e social de Campo Grande. A cidade, que em 2026 comemora 153 anos de fundação, carrega em sua história marcas indeléveis de momentos como este.
A intervenção estadual em 1918, que levou Rosário Congro à prefeitura, é um exemplo de como as disputas políticas e a busca por estabilidade moldaram o desenvolvimento de municípios brasileiros. A atuação de Dom Aquino Corrêa na nomeação de interventores demonstrava o poder centralizador do governo estadual. Conforme o Campo Grande NEWS destaca em suas análises, a compreensão desses períodos históricos é essencial para entender o presente.

