União Europeia bloqueia carne de MS e setor busca novos mercados

A União Europeia impôs uma suspensão às importações de produtos de origem animal do Brasil, medida que começou a valer nesta quinta-feira (3). O bloqueio afeta carnes, ovos, mel e pescados, representando um novo desafio para a pecuária de Mato Grosso do Sul. A decisão europeia ocorre justamente em um período de forte crescimento nas exportações de carne bovina do estado, que vinha ganhando destaque no mercado internacional. A expectativa é que a retomada das exportações de carne bovina para o bloco europeu só ocorra em meados de 2028, conforme informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico.

UE fecha portas para carne brasileira e MS busca alternativas

A suspensão das importações pela União Europeia, que atinge diversos produtos de origem animal brasileiros, pode gerar um prejuízo estimado em quase US$ 2 bilhões ao país em um ano. A exigência europeia se refere a garantias sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais, proibindo substâncias usadas para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento. O Brasil foi retirado da lista de países em conformidade com a legislação europeia em maio, e desde 1º de julho adota novos procedimentos de controle, que ainda aguardam auditorias e validação das autoridades do bloco.

Crescimento expressivo das exportações de carne bovina de MS

No primeiro semestre de 2026, Mato Grosso do Sul registrou um **crescimento expressivo de 47,9%** nas exportações de carne bovina. Segundo levantamento do Sistema Famasul, as vendas externas atingiram US$ 1,17 bilhão, um aumento significativo em relação aos US$ 791,8 milhões do mesmo período em 2025. O volume embarcado também apresentou alta de 23,4%, chegando a 198,1 mil toneladas. Com esse desempenho, a carne bovina passou a representar 20,6% da receita total do agronegócio estadual no exterior, aproximando-se da celulose.

O agronegócio de Mato Grosso do Sul como um todo somou US$ 5,68 bilhões em exportações no primeiro semestre, um aumento de 12,4%. A consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, atribui esse crescimento à demanda internacional e à competitividade do produto brasileiro. “Mesmo com a redução no número de animais abatidos, as exportações cresceram em receita, mostrando que o desempenho não esteve condicionado apenas ao aumento da oferta”, explicou Oliveira.

A China, principal destino da carne bovina de MS, ampliou em 109% o valor de suas compras no período, enquanto os Estados Unidos aumentaram suas importações em 41,7%. O preço médio da tonelada exportada por Mato Grosso do Sul também avançou 19,7% no primeiro semestre. No entanto, dados mais recentes indicam uma perda de ritmo: em julho, a receita com as vendas de carne bovina à China caiu 46% em relação a junho, e a retração geral foi de 17%.

Retomada das exportações para a Europa pode demorar anos

O governo brasileiro está em negociações com a União Europeia para reverter a suspensão, mas as perspectivas não são otimistas no curto prazo. Para a carne bovina, a adequação às normas europeias pode demandar tempo devido ao ciclo de criação dos animais, com a retomada das exportações prevista apenas para meados de 2028. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já solicitou à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a reinclusão do Brasil na lista de fornecedores, mas ainda aguarda resposta.

A Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) e o jornal Valor Econômico estimam que o impacto financeiro da suspensão para os produtos afetados possa chegar a quase US$ 2 bilhões anuais. Há uma expectativa de que as vendas brasileiras de carne de aves e mel possam ser retomadas ainda em 2026, com a vinda de auditores europeus ao Brasil para avaliar os processos de produção e fiscalização.

Possíveis retaliações e a busca por novos mercados

Diante do bloqueio europeu, o governo federal estuda medidas de reciprocidade contra produtos europeus, como restrições sanitárias a laticínios e azeites. O Palácio do Planalto, contudo, não confirmou se adotará tais retaliações. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a diversificação de mercados é vista como essencial para a continuidade do desempenho do setor. Manter a competitividade da carne brasileira e a demanda internacional são os principais desafios.

O cenário exige atenção especial, pois além do obstáculo europeu, o setor pode enfrentar mudanças nas condições de acesso ao mercado chinês, como a implementação de cotas para importações com tarifa reduzida. A capacidade de adaptação e a busca por novas parcerias comerciais serão cruciais para mitigar os impactos negativos e sustentar o crescimento da pecuária de Mato Grosso do Sul, conforme o Campo Grande NEWS noticiou.

O impacto na pecuária de Mato Grosso do Sul é significativo, especialmente considerando o crescimento recente. A União Europeia é um mercado importante, e a perda de acesso representa um revés considerável. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a indústria busca ativamente alternativas e estratégias para compensar a queda nas exportações para o bloco europeu, focando em mercados que demonstram demanda crescente e estão mais abertos a produtos brasileiros.