A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a soltura do influenciador digital Eduardo Razuk e de seu irmão, Rafael, na noite desta segunda-feira (31). A decisão ocorreu 13 dias após a prisão da dupla em Campo Grande, no âmbito da Operação Rodas da Sorte, que investiga sorteios online. A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna entendeu que as diligências foram cumpridas e o inquérito policial chegou ao fim, substituindo a prisão por medidas cautelares.
Conforme os autos obtidos pelo Campo Grande News, a ordem de soltura foi liberada às 18h20, prevendo a expedição de alvará. Eduardo e Rafael Razuk deverão comparecer mensalmente à Justiça e estão proibidos de sair do Brasil, com a obrigação de entregar seus passaportes em até 48 horas. Outras restrições impostas durante a investigação foram mantidas, visando garantir o andamento do processo.
A magistrada ponderou que o cenário inicial da Operação Rodas da Sorte mudou com o avanço das apurações. Foram realizadas buscas, apreendidos eletrônicos e materiais, bens bloqueados e perfis de redes sociais restritos. Segundo a juíza, essas ações diminuíram o risco de interferência dos irmãos no caso. A Polícia Civil já apresentou o relatório final do inquérito, aguardando a avaliação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para decidir sobre futuras denúncias.
O MPMS havia se manifestado contra a liberdade da dupla, alegando risco de retomada das atividades ilícitas e interferência nas investigações. No entanto, a juíza considerou que não havia fatos concretos que demonstrassem esse risco no momento atual. Ela ressaltou que a possibilidade abstrata de criação de novos perfis ou uso de terceiros não justifica a manutenção da prisão preventiva, a medida mais gravosa prevista no sistema cautelar.
A decisão também levou em conta que Eduardo e Rafael são réus primários, possuem residência fixa e ocupação lícita, conforme informações apresentadas pela defesa. O documento registra ainda a colaboração da dupla durante o cumprimento dos mandados, permitindo o acesso das equipes e entregando os aparelhos celulares apreendidos. O descumprimento das medidas cautelares pode levar a novas restrições e até mesmo o retorno à prisão.
Segundo o advogado de Eduardo Razuk, Tiago Bunning, a defesa comprovou a legalidade dos sorteios e argumentou que as cautelares já cumpridas, como busca, sequestro de bens e valores e suspensão das redes sociais, eram suficientes para assegurar a investigação, tornando a prisão desnecessária. A defesa de Rafael foi conduzida pelo advogado João Paulo Calves.
Operação Rodas da Sorte investigou sorteios online
Rafael e Eduardo Razuk foram presos em 18 de agosto, durante a Operação Rodas da Sorte, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). A investigação apura sorteios divulgados pela internet e a movimentação financeira relacionada. Na ocasião, foram cumpridos mandados de prisão e busca em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro.
As equipes apreenderam 22 veículos de alto padrão e dois relógios de luxo. A Justiça também tornou indisponíveis cinco imóveis e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 500 milhões em contas ligadas aos investigados. Perfis de Eduardo nas redes sociais também sofreram restrições. Conforme o Campo Grande News checou, a defesa sustenta que os sorteios eram autorizados pela Loteria da Paraíba e que os valores recebidos tinham origem lícita. Na semana passada, uma tentativa de derrubar as prisões por meio de liminar foi negada.
A juíza salientou que a colaboração dos investigados e a apreensão de bens e equipamentos já garantem a ordem pública e a instrução criminal. A necessidade da prisão preventiva, que é uma medida excepcional, foi reavaliada diante do fim do inquérito e da conclusão de que as provas estão sob controle do Estado. A análise das informações, segundo o Campo Grande News apurou, levou em conta a ausência de indícios de conduta concreta superveniente que justificasse a continuidade da prisão.
A magistrada enfatizou que a mera possibilidade teórica de reiteração delitiva não se sobrepõe aos direitos fundamentais dos investigados, especialmente quando outras medidas cautelares podem ser eficazes para evitar a interferência no processo. A decisão reforça a tendência de se buscar alternativas à prisão sempre que possível, em conformidade com os princípios do direito penal.
A soltura de Eduardo e Rafael Razuk representa uma nova fase na investigação da Operação Rodas da Sorte. Agora, a expectativa é pela manifestação do MPMS, que decidirá se oferecerá denúncia contra os irmãos e outros envolvidos. A Justiça monitorará o cumprimento das medidas cautelares impostas para garantir que a investigação prossiga sem impedimentos e que a verdade dos fatos seja apurada.

