Campo Grande: Centro encolhe e periferia explode com mais de 180% de crescimento

A paisagem urbana de Campo Grande está em profunda transformação. Enquanto bairros localizados na periferia experimentam um crescimento populacional vertiginoso, com alguns mais que dobrando de tamanho, a região central da cidade assiste a um fenômeno oposto: a perda de moradores. Essa dinâmica, revelada pelo Perfil Socioeconômico 2026, aponta para uma cidade que se expande para longe de seu coração histórico, gerando novos desafios em termos de infraestrutura e serviços públicos. O estudo também indica uma desaceleração significativa nas novas construções, configurando um cenário complexo para o desenvolvimento urbano.

O levantamento, que utiliza dados do Censo 2022 e informações de 2025 sobre alvarás de construção, detalha um crescimento desuniforme na capital sul-mato-grossense. Bairros como Caiobá e Nova Campo Grande registraram aumentos populacionais superiores a 100%, enquanto o Centro perdeu cerca de 2.500 habitantes entre 2010 e 2022. Essa disparidade reflete uma nova configuração territorial, com a demanda por moradia e serviços se deslocando para áreas mais distantes. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a expansão para a periferia intensifica a necessidade de investimentos em transporte, saúde e educação nessas novas fronteiras urbanas.

A cidade ainda abriga uma parcela considerável de sua população em comunidades e favelas, totalizando quase 8 mil pessoas. A comunidade Homex se destaca como a maior delas, concentrando 42% dos moradores dessas áreas. Paralelamente, o mercado imobiliário local apresenta sinais de retração, com uma queda expressiva nas autorizações para novas construções. Os alvarás emitidos em 2025 atingiram o menor patamar desde 2016, indicando um possível arrefecimento no ritmo de expansão física da cidade, apesar do crescimento demográfico em certas regiões.

Crescimento explosivo na periferia contrasta com esvaziamento central

Os dados do Perfil Socioeconômico 2026 pintam um quadro claro de descentralização. O bairro de Caiobá lidera o ranking de crescimento, saltando de 7.874 moradores em 2010 para 22.062 em 2022, um aumento impressionante de 180,2%. Isso representa um acréscimo de 14.188 habitantes em apenas 12 anos. A Nova Campo Grande também mais que dobrou sua população, passando de 10.161 para 20.950 habitantes, um crescimento de 106,2%.

Outras regiões também apresentaram expansão significativa. Rita Vieira registrou um avanço de 74% em sua população, seguida pelo Noroeste, com 72,9%. A região do Centro Oeste ganhou 12.855 novos moradores, elevando seu contingente para 37.671, uma alta de 51,8%. Nasser expandiu-se em 30%, chegando a 33.403 habitantes.

O movimento, no entanto, foi o oposto na região central. O bairro do Centro perdeu 2.502 moradores no mesmo período, caindo de 11.509 em 2010 para 9.007 em 2022, uma retração de 21,7%. Essa tendência de encolhimento se confirma ao analisar as Regiões Urbanas: a Região Urbana do Centro foi a única a registrar queda populacional, diminuindo de 71.037 para 61.653 habitantes, uma redução de 13,2%.

Expansão para além dos limites tradicionais

Enquanto as áreas centrais perdem densidade demográfica, as regiões mais periféricas se tornam polos de atração. O Anhanduizinho se mantém como a região mais populosa, com 218.585 habitantes. As regiões Bandeira, Lagoa, Segredo, Imbirussu e Prosa também apresentaram crescimento, demonstrando que a expansão urbana se espalha por diversos quadrantes da cidade. Essa migração interna de moradores intensifica a demanda por infraestrutura básica e serviços públicos em bairros que antes possuíam menor contingente populacional, conforme destacado pelo Campo Grande NEWS.

A concentração de crescimento em bairros afastados gera desafios logísticos e de planejamento. A necessidade de transporte público mais eficiente, a ampliação de escolas, unidades de saúde e sistemas de saneamento básico se tornam prioridades urgentes nessas áreas em expansão. A falta de planejamento adequado pode levar à precarização dos serviços e à criação de novas desigualdades urbanas.

Comunidades urbanas abrigam quase 8 mil pessoas

O levantamento do Perfil Socioeconômico 2026 também detalha a realidade das comunidades urbanas e favelas em Campo Grande. Em 2022, 7.862 pessoas residiam em 16 dessas localidades, distribuídas em 2.644 domicílios. A comunidade Homex lidera esse cenário, abrigando 3.317 moradores e 1.151 residências, representando 42% da população total dessas áreas.

A segunda maior comunidade é a Samambaia, com 1.251 habitantes em 399 domicílios. Outras comunidades como Jardim Campo Verde (459 habitantes), Nova Capital (407) e Comunidade Esperança (402) também foram mapeadas. A lista inclui ainda Morada dos Angicos, Roda Velha, Mandela, Pequi, Cidade dos Anjos, Jardim Botânico II, Só Por Deus, Uirapuru, Jardim Campo Alto/Sitiocas Alvorada, Portal da Lagoa e Refriko.

A presença significativa de moradores em comunidades urbanas evidencia a persistência de desafios sociais e a necessidade de políticas públicas voltadas para a regularização fundiária, urbanização e acesso a serviços básicos nessas regiões. O Campo Grande NEWS reforça a importância de dados atualizados para a formulação de políticas eficazes.

Construção civil desacelera e alvarás caem 26,4%

Apesar do crescimento populacional em algumas áreas, o setor da construção civil em Campo Grande registrou uma desaceleração notável. Em 2025, o município concedeu 832 alvarás de construção, uma queda de 26,4% em relação aos 1.130 emitidos no ano anterior. A área total autorizada também diminuiu, passando de 836,9 mil metros quadrados em 2024 para 617,4 mil metros quadrados em 2025, uma retração de 26,2%.

A queda foi mais acentuada no segmento residencial, que viu o número de unidades autorizadas cair de 937 para 734. O setor comercial também sofreu uma redução, com 62 alvarás em 2025, contra 100 no ano anterior. Não houve autorizações para construções industriais em 2025, comparado a duas no ano anterior. O número de alvarás de 2025 representa o menor patamar desde 2016, quando foram concedidos 2.125 alvarás. O pico foi em 2020, com 2.451 autorizações.

Essa desaceleração na construção civil pode ser reflexo de diversos fatores, como o cenário econômico, o aumento dos custos de materiais ou uma mudança no perfil de investimento imobiliário. A combinação de crescimento populacional em novas áreas e a retração na construção civil levanta questões importantes sobre o futuro planejamento urbano de Campo Grande e a capacidade da cidade em atender às demandas de sua população em constante mutação.