Pedintes na rodoviária de Campo Grande causam prejuízo e desconforto

O entra e sai de pessoas na rodoviária de Campo Grande vai além dos passageiros. A presença de errantes, pedintes e indivíduos em vulnerabilidade social tem se tornado um problema constante, gerando prejuízos e incômodo para quem trabalha e utiliza as dependências da estação e seu entorno. A situação, que se agrava com a questão da antiga rodoviária, figura entre os maiores desafios da cidade.

Na Avenida Gury Marques, a circulação desse público é notória. É comum avistar colchões, travesseiros e até barracas montadas no canteiro central da avenida, utilizados tanto durante o dia quanto à noite. O acúmulo de lixo nas calçadas da estação, como marmitas de isopor, garrafas de bebidas alcoólicas e embalagens diversas, também é um reflexo desse cenário.

Um taxista de 75 anos, que prefere não se identificar, expressou sua preocupação, especialmente com o movimento noturno. Ele relata que, embora se sinta seguro dentro do terminal, as reclamações dos passageiros sobre as abordagens dos pedintes são frequentes. “É complicado à noite. Perturbação é muito grande. Muito pedinte, muito drogado… é o que tá marcando a nossa rodoviária”, desabafou o motorista.

Ademilson Ribeiro, 68 anos, vendedor de cafezinho na entrada do terminal, estima a presença de mais de 30 pessoas em situação de vulnerabilidade na área. Ele chega ao local às 4h30 para montar sua banca e, apesar de não ser diretamente abordado pelos pedintes, afirma que eles incomodam seus clientes. “Pra mim eles não pedem, mas incomoda os clientes. Tem gente que senta aqui e vem cinco pedir, faz fila… tem gente que nem vem comer”, lamentou.

Ribeiro acredita que a solução para o problema passa pela necessidade de mais segurança na região. Ele sente que a presença policial, quando ocorre, é mais focada na área externa, deixando a situação dentro e no entorno da rodoviária sem a devida atenção.

Guilherme Lindenberg, 28 anos, usuário frequente da rodoviária, também relata ter sido abordado por pedintes. Ele considera as abordagens incômodas, mas não as percebe como violentas, refletindo sobre a fragilidade dessas pessoas. “São pessoas fragilizadas e estão fazendo o que eles podem”, comentou.

Lindenberg acredita que a solução para o problema é complexa e exige uma ação conjunta entre segurança pública e assistência social. “O social é a longo prazo. O que mais vem sendo feito é a área policial, quando vem sendo feito”, avaliou, indicando que as ações voltadas para segurança parecem ser mais frequentes, mas não necessariamente mais eficazes a longo prazo.

Em relação à administração da rodoviária, o espaço está aberto, mas as fontes ouvidas pela reportagem indicam uma falta de resolução efetiva para o problema. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a concessionária do terminal não apresentou um plano de ação específico para a situação, deixando comerciantes e usuários desamparados.

O cenário na rodoviária de Campo Grande reflete um desafio social mais amplo, que demanda atenção e estratégias eficazes. A presença de pessoas em vulnerabilidade social e a atuação de pedintes na região afetam diretamente a dinâmica comercial e a segurança percebida pelos usuários, como aponta o levantamento do Campo Grande NEWS. A busca por um equilíbrio entre a acolhida social e a manutenção da ordem pública é fundamental para a revitalização do espaço e o bem-estar de todos.

A reportagem do Campo Grande NEWS buscou contato com a administração da concessionária do terminal para obter um posicionamento sobre as medidas que estão sendo tomadas para solucionar o problema. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. A expectativa é que as autoridades competentes e a concessionária trabalhem em conjunto para encontrar soluções que garantam a segurança e o conforto de todos que frequentam a rodoviária de Campo Grande e seu entorno.