Um plano de vingança arquitetado por um dono de academia em Dourados terminou em tragédia. Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, teria armado uma tocaia para assassinar um antigo parceiro de crimes. A isca utilizada foi a falsa negociação de uma Toyota SW4. No entanto, os pistoleiros contratados erraram o alvo e executaram Vitor Orsini, de 19 anos, que trabalhava no local onde a emboscada foi planejada. O crime chocou a cidade de Dourados e levantou questões sobre a violência ligada ao tráfico de drogas na região.
Dono de academia é preso por planejar morte de rival e jovem é assassinado por engano
A investigação policial aponta que Claudio Henrique de Arruda, proprietário de uma academia de musculação no Bairro da Granja, em Dourados, orquestrou a morte de um homem com quem já havia sido preso por tráfico de drogas em 2013. Conforme apurou o Campo Grande NEWS, a falsa venda de uma caminhonete Toyota SW4 foi usada para atrair o alvo até a garagem da família de Vitor Orsini, onde o crime ocorreu em 7 de agosto. A negociação, segundo as apurações, foi uma armação para garantir que o alvo estivesse no local no horário combinado com os executores.
O plano, contudo, não saiu como o esperado. O homem que deveria ter sido morto não apareceu. Diante disso, os pistoleiros confundiram Vitor Orsini com o alvo original e dispararam contra o jovem. Vitor, que não tinha qualquer envolvimento com as disputas que motivaram o crime, foi atingido por três tiros na cabeça e morreu ainda no estabelecimento. A morte do jovem trabalhador chocou a comunidade e expôs a brutalidade por trás da disputa. A Polícia Civil segue investigando todos os envolvidos no crime.
A Falsa Negociação e o Erro Fatal
As investigações revelaram que Claudio Henrique de Arruda manteve conversas com Vitor Orsini antes do assassinato. O empresário teria se apresentado como interessado na compra da SW4 e informado que uma pessoa iria ao local para avaliar o veículo. Essa pessoa, na verdade, era o homem que Claudio desejava ver morto. A intenção era garantir que o alvo estivesse presente no exato momento em que os atiradores chegassem.
No entanto, o verdadeiro alvo não compareceu. Os pistoleiros, ao chegarem à garagem, avistaram Vitor próximo aos veículos. Acreditaram que ele seria a pessoa marcada para morrer e, sem hesitar, efetuaram os disparos. A vítima estava de costas, o que facilitou a confusão. O jovem, que apenas trabalhava no local, acabou se tornando a vítima de um crime que não lhe dizia respeito, um desfecho trágico de uma emboscada mal sucedida. O Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto os desdobramentos deste caso.
O Verdadeiro Alvo e o Passado Criminal de Claudio
O homem que deveria ter sido o alvo da emboscada reside na região sul de Dourados e não é considerado investigado pela morte de Vitor. A ligação entre ele e Claudio remonta a pelo menos 13 anos, quando ambos foram presos em 2013 na mesma operação contra um esquema de tráfico de cocaína. O verdadeiro alvo, inclusive, voltou a ser preso por tráfico em 2024, o que pode ter sido um dos motivos para a ordem de morte.
Uma linha de investigação sugere que o homem poderia ter se tornado um informante das forças de segurança, o que teria motivado uma ordem de execução dentro do grupo ligado ao tráfico. Essa hipótese, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente pela Polícia Civil. A participação de Claudio na ordem direta do assassinato ou apenas como intermediário na montagem da tocaia ainda está sendo apurada.
Prisões e Foragidos: A Rede por Trás do Crime
Claudio Henrique de Arruda foi preso em 23 de agosto em Ponta Porã, durante diligências para identificar todos os envolvidos na morte de Vitor. Na casa do empresário, foram apreendidas 38 munições calibre 380 e R$ 10 mil em espécie. Claudio já tinha um histórico criminal, tendo sido apontado pela Polícia Federal em 2013 como um dos líderes de um esquema internacional de envio de cocaína. Ele chegou a ser condenado a 31 anos de prisão, mas teve a pena reduzida para 14 anos e oito meses.
Além de Claudio, outros envolvidos foram identificados. Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos, e Jeferson Lopes, de 31, ambos de Ponta Porã, são procurados. Jeferson teria dirigido o carro que levou os pistoleiros a Dourados, enquanto Marcos é suspeito de participar da contratação dos executores. Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, é apontado como o autor dos tiros, e um adolescente de 17 anos teria participado da preparação do crime. Alexsander Gonçales Borges, de 27 anos, é suspeito de pilotar a moto usada na fuga. Quatro pessoas, incluindo Claudio, já foram detidas. A Polícia Civil, conforme o Campo Grande NEWS checou, continua na busca pelos foragidos e para esclarecer todos os detalhes da execução e o motivo que levou a morte de um inocente.
O Momento Cruel e a Fuga dos Executores
Vitor Orsini foi assassinado por volta das 14h10, na loja da família, localizada na Avenida Hayel Bon Faker. Câmeras de segurança registraram Denis Barbosa de Melo chegando na garupa de uma motocicleta, pilotada por Alexsander Gonçales Borges. Denis entrou na garagem alegando precisar usar o banheiro e, após alguns instantes, se aproximou de Vitor pelas costas e efetuou os disparos. O primeiro tiro atingiu a cabeça do jovem, que caiu no chão, e outros dois foram disparados. Antes de fugir, o atirador chegou a apontar a arma para o gerente da garagem, mas não efetuou novos disparos.
A motocicleta utilizada na ação foi abandonada em um bairro próximo. As investigações indicam que os envolvidos deixaram Dourados em um carro de aplicativo, rumando para a região de fronteira. A Polícia Civil ainda trabalha para desvendar quem deu a ordem para o assassinato do verdadeiro alvo, a participação exata de cada indivíduo e as circunstâncias que levaram à morte de Vitor Orsini. A apuração minuciosa do caso, divulgada pelo Campo Grande NEWS, busca trazer justiça para a família da vítima e esclarecer a complexa teia de crimes. O portal Campo Grande NEWS, com sua expertise em cobrir crimes na região, tem sido fundamental para a divulgação de informações atualizadas sobre o caso.

