ONS suspende geração de energia pela 2ª vez em 2024: Entenda o motivo e o impacto

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tomou uma medida incomum pela segunda vez neste ano: acionou o plano emergencial para reduzir a geração de energia devido ao excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional (SIN). A decisão, que ocorreu neste domingo (23) entre 11h e 13h30, visa garantir a segurança do sistema elétrico, especialmente em períodos de menor consumo como os fins de semana.

ONS intervém para evitar sobrecarga no sistema elétrico

A ação do ONS, que não afeta diretamente o consumidor final, mas impacta as distribuidoras, demonstra a crescente complexidade na gestão da rede elétrica brasileira. O avanço da geração distribuída, em particular a solar, tem apresentado desafios para o equilíbrio entre oferta e demanda.

O plano emergencial prevê a restrição da geração de usinas do Tipo 3, que incluem pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e empreendimentos eólicos e solares de menor porte. O ONS também implementou medidas adicionais para diminuir a geração de usinas sob seu controle direto. Conforme divulgado pelo ONS, essa é a segunda vez que o plano é acionado em 2024, sendo a primeira em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi, quando cerca de 1 gigawatts (GW) de energia foram gerenciados.

Geração distribuída: um avanço com desafios

O plano emergencial foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025, como resposta ao expressivo crescimento da geração distribuída. Essa modalidade, que engloba a produção de energia por consumidores finais, tem aumentado significativamente, especialmente com a popularização da energia solar fotovoltaica. Essa expansão, embora positiva para a diversificação da matriz energética, introduz novas variáveis na operação do sistema. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a capacidade instalada da geração distribuída no país já soma cerca de 50 GW, o que representa um volume considerável de energia que nem sempre é diretamente observável ou controlável pelo ONS, aumentando a complexidade da gestão.

Um incidente ocorrido em agosto de 2025, no Dia dos Pais, quase resultou em uma sobrecarga no sistema devido ao excesso de energia. Naquela ocasião, a geração distribuída chegou a representar impressionantes 37,6% da demanda nacional. Para evitar um blecaute que poderia afetar diversos estados, o ONS precisou intervir, reduzindo a produção de hidrelétricas e termelétricas e cortando 98,5% da geração eólica e solar centralizada. A necessidade de tais medidas ressalta a importância de um monitoramento e controle eficazes.

ONS prepara sistema de corte automático para geração distribuída

Diante desse cenário, o ONS anunciou na última quinta-feira (20) que está desenvolvendo um sistema de desligamento automático para parte da geração distribuída em momentos de crise. Denominado Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), o mecanismo prevê um corte de até 3 gigawatts (GW) em três estágios de 1 GW cada. Essa ferramenta seria acionada apenas como último recurso, após o esgotamento de todas as outras alternativas de controle. Um projeto-piloto está planejado para o fim de 2026, com a possibilidade de expansão em 2027, caso os testes sejam bem-sucedidos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa iniciativa demonstra a proatividade do ONS em buscar soluções tecnológicas para os novos desafios do setor elétrico.

Distribuidoras cumprem determinações, mas pedem clareza

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras seguirão as orientações do ONS para a execução do plano emergencial. No entanto, a entidade solicitou procedimentos mais detalhados e critérios claros para a definição dos cortes. Segundo a Abradee, a definição de parâmetros objetivos é fundamental para garantir a segurança operacional e jurídica dos geradores. Essa demanda por maior transparência e previsibilidade nas ações do ONS é um ponto crucial para a confiança e estabilidade do setor. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a colaboração entre ONS e distribuidoras é essencial para a manutenção da qualidade do fornecimento de energia em todo o país.