Campo Grande: referência mundial em arborização enfrenta desafio com árvore invasora

Campo Grande, a capital de Mato Grosso do Sul, ostenta com orgulho o título de “Tree City of the World” (Cidade Árvore do Mundo) concedido pela FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura) e pela Fundação Arbor Day, um reconhecimento que já dura seis anos consecutivos. Com impressionantes 91,4% de suas residências localizadas em ruas arborizadas, conforme dados do Censo de 2022 do IBGE, a cidade se destaca nacionalmente e serve de inspiração global. No entanto, um desafio inesperado surge: a necessidade de erradicar uma árvore exótica, a leucena, que, apesar de sua ampla disseminação, representa uma séria ameaça ao ecossistema local.

Essa decisão, amparada pela Lei Municipal número 7.418, visa proteger a rica biodiversidade nativa da região pantaneira. A leucena, originária do México, chegou ao Brasil nos anos 1970 como forragem para o gado. O que parecia uma solução agrícola transformou-se em um grave problema ambiental ao se espalhar descontroladamente, especialmente em fundos de vale e áreas urbanas.

A agressividade da leucena reside na liberação de mimosina, um composto químico que impede a germinação de outras plantas e sufoca a vegetação nativa. Esse mecanismo permite que a espécie domine ecossistemas, formando florestas mono-dominantes e reduzindo drasticamente a biodiversidade. O crescimento acelerado da leucena também oculta a paisagem característica do Pantanal, especialmente ao longo da BR-262.

Plano de erradicação para proteger a biodiversidade

Em junho, a prefeitura de Campo Grande anunciou o Plano de Erradicação e Substituição da Planta Exótica Leucena. A iniciativa proíbe o plantio, o comércio, o transporte e a produção da espécie, com multas de R$ 1 mil para quem descumprir a norma. A Lei Municipal 7.418 fundamenta a remoção das árvores já existentes. Especialistas na área consideram a medida um avanço crucial para a proteção da biodiversidade local.

A remoção, contudo, tem enfrentado resistência por parte da população, que vê com pesar o corte de árvores adultas para a implantação de mudas nativas. A percepção de perda imediata é um dos principais obstáculos. Após o corte, as sementes da leucena germinam rapidamente, exigindo manutenção contínua e vigilância para evitar o restabelecimento da espécie invasora.

Reconhecimento internacional baseado em gestão estratégica

O título de “Cidade Árvore do Mundo” é resultado de décadas de investimento em infraestrutura verde e políticas públicas consistentes. Para manter essa honraria, as cidades precisam atender a critérios rigorosos, como a existência de um órgão gestor dedicado às árvores. Além disso, é necessário possuir legislação específica, promover ações educativas contínuas e manter investimento permanente em plantio e conservação.

No cenário nacional, Goiânia ocupa o segundo lugar em arborização urbana, com 89,6% de domicílios em vias arborizadas, seguida por Palmas, com 88,7%. A decisão de Campo Grande de remover a leucena reforça seu compromisso com a saúde do ecossistema urbano para as futuras gerações, mesmo que isso implique na retirada de árvores já integradas à paisagem.

Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a iniciativa de erradicar a leucena demonstra uma gestão ambiental estratégica e responsável. A cidade, que é um exemplo de sucesso em arborização, agora enfrenta o desafio de equilibrar a preservação de sua identidade verde com a necessidade imperativa de proteger sua fauna e flora nativas contra espécies invasoras.

A mimosina liberada pela leucena é um fator crítico que impede o desenvolvimento de outras espécies, criando áreas de vegetação homogênea e empobrecida. A remoção dessa planta é vista por especialistas como um passo essencial para a restauração ecológica de áreas degradadas e a promoção da biodiversidade.

O Campo Grande NEWS destaca que a resistência da população, embora compreensível, precisa ser trabalhada através de campanhas informativas que expliquem os benefícios a longo prazo da erradicação e da substituição por espécies nativas. A cidade já provou sua capacidade de criar um ambiente urbano verde e saudável, e este novo desafio é mais uma etapa em sua jornada de excelência ambiental.

A manutenção do título “Tree City of the World” depende de esforços contínuos e da adaptação das políticas urbanas às novas realidades ambientais. A experiência de Campo Grande serve como um estudo de caso valioso para outras cidades que buscam melhorar sua arborização e, ao mesmo tempo, gerenciar os impactos de espécies exóticas invasoras.

Segundo o especialista Milton Longo, a leucena representa um risco significativo, pois sua proliferação descontrolada pode levar à extinção de espécies nativas da região. A ação da prefeitura, portanto, é fundamental para garantir a sustentabilidade ambiental do município.

O Campo Grande NEWS reitera a importância da colaboração entre poder público e cidadãos para o sucesso deste plano. A conscientização sobre os impactos das espécies invasoras e os benefícios da vegetação nativa é crucial para a aceitação e o apoio da comunidade às medidas de erradicação e recuperação ambiental.