Sem apoio, MS terá representante de MT no Miss Brasil Gay 2026
O estado de Mato Grosso do Sul não terá uma representante sul-mato-grossense no concurso Miss Brasil Gay 2026. Samanta Blossom, eleita em 2025 para representar o estado nos 50 anos da competição, não conseguiu os recursos necessários para participar da disputa nacional. A vaga foi preenchida pela cuiabana Marianny Souza, que agora carrega a faixa do Mato Grosso do Sul. A final do concurso será realizada neste sábado (22), em Juiz de Fora, Minas Gerais.
A situação envolve a organização do concurso, que tradicionalmente permite que cada estado envie sua própria candidata. Neste ano, a coordenação nacional abriu a possibilidade de uma coordenação estadual indicar uma segunda representante, e a organização de Mato Grosso assumiu essa oportunidade, escolhendo Marianny Souza para concorrer com a faixa de Mato Grosso do Sul.
Marianny Souza, moradora de Cuiabá, explicou que participou do concurso em Mato Grosso e foi aclamada Miss Mato Grosso do Sul para a competição nacional. Ela ressalta que, embora seja de Mato Grosso, está representando o estado do Centro-Oeste. “A coordenação do Mato Grosso assumiu a oportunidade de trazer uma candidata para representar o Mato Grosso do Sul. Eu participei do concurso no Mato Grosso e lá fui aclamada Miss Mato Grosso do Sul para vir ao nacional. Moro em Cuiabá, porém estou representando o estado do Mato Grosso do Sul”, afirmou Marianny.
A falta de recursos de Samanta Blossom
Por trás dessa troca, está a realidade enfrentada por Samanta Blossom, de 26 anos. Segundo ela, a edição estadual do Miss Brasil Gay de Mato Grosso do Sul contou com poucos recursos e não conseguiu oferecer o suporte financeiro que em anos anteriores seria destinado à vencedora. A inscrição para o concurso nacional, por exemplo, custaria entre R$ 3,5 mil e R$ 3,8 mil, sem contar as despesas com transporte, trajes típicos e de gala, produção, cabelo, acessórios e demais custos de preparação.
“Para eu poder ir para o Miss Brasil teria que custear tudo”, lamentou Samanta. Ela relatou que a coordenação estadual buscou apoio de políticos, estabelecimentos comerciais e espaços ligados ao público LGBTQIA+, mas os recursos necessários não foram obtidos. Houve também uma tentativa de apoio junto ao governo estadual, inclusive para o custeio do transporte, mas, de acordo com Samanta, não houve disponibilização de passagens, tornando a participação inviável.
Samanta Blossom tinha planos ambiciosos para representar Mato Grosso do Sul. Ela pretendia levar elementos do Pantanal para o palco nacional, com o traje de gala destacando a fauna, a flora e os rios do bioma. O traje típico seria inspirado em uma ave característica do estado, com uma produção performática e asas. “Eu já tinha planejado o traje de gala para representar o Pantanal, com sua fauna, flora e rios, e tinha feito todo o esboço. O traje típico seria uma ave do estado, bem performática, com asas. Acabou sendo um sonho que ficou para depois”, desabafou.
Planos para o futuro e apoio mútuo
Apesar da frustração, Samanta pretende tentar novamente no futuro. Com mais tempo de preparação, ela planeja buscar patrocinadores, adquirir materiais com antecedência e organizar eventos para arrecadar fundos. “Preferi focar no meu novo emprego, me estabilizar e ter uma renda boa para poder investir e levar o nome do estado no futuro”, explicou.
Samanta faz questão de afastar qualquer clima de rivalidade com Marianny Souza. Ela entrou em contato com a candidata, ofereceu todo o seu apoio e declarou que está torcendo por ela. “Eu entrei em contato com ela, dei todo o meu apoio, disse que estou torcendo e que ela representará muito bem o nosso estado”, afirmou Samanta.
Marianny Souza encara o desafio com otimismo
Marianny Souza, por sua vez, recebeu a missão de representar um estado diferente daquele onde vive com otimismo e sem receio de críticas. “É um desafio e uma oportunidade de mostrar o meu trabalho e mostrar quem eu sou, carregando um estado rico em cultura”, disse. Ela afirmou não ter enfrentado rejeição pelo fato de ser mato-grossense e concorrer com a faixa de Mato Grosso do Sul, contando, inclusive, com o apoio de misses anteriores do estado.
“Os haters não me preocupam. Inclusive, tenho apoio das misses anteriores do estado. O pessoal da parada também tem acompanhado meus posts. Estou bem tranquila em relação a isso”, contou Marianny. Ela enfatizou que a preparação para um concurso como o Miss Brasil Gay vai além da estética, envolvendo muito estudo e compreensão sobre o significado da coroa e do título.
“Foram dias intensos, dias de muita preparação, muito estudo, porque não é só vir, por um vestido, uma peruca na cabeça. A gente tem que estudar e entender. Porque a gente carrega uma responsabilidade, então precisa saber, entender o que é essa coroa e o que esse título representa”, explicou. Marianny pretende representar Mato Grosso do Sul da melhor forma possível e, se Deus quiser, trazer o título para o estado.
Celebração dos 50 anos do Miss Brasil Gay
O Miss Brasil Gay, criado em 1976, completa 50 anos em 2026. A edição deste sábado reúne 27 candidatas, representando os estados e o Distrito Federal. As competidoras desfilam com trajes típicos e de gala, e as seis finalistas avançam para uma etapa de oratória e conhecimentos gerais. A final começa às 20h deste sábado (22), no Terrazzo, em Juiz de Fora (MG). Para quem acompanha de Mato Grosso do Sul ou Mato Grosso, onde o fuso horário está uma hora atrás de Minas Gerais, o concurso começa às 19h e pode ser assistido pela internet no perfil oficial do concurso.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a falta de apoio financeiro tem sido um obstáculo recorrente para a participação de candidatas em concursos de beleza em diversas regiões. A reportagem do Campo Grande NEWS buscou entender a dimensão do problema, que afeta diretamente a representatividade de estados em competições nacionais.
A esperança de Samanta Blossom é de que, no futuro, com mais estabilidade financeira, ela possa representar Mato Grosso do Sul. Enquanto isso, Marianny Souza assume a responsabilidade com dedicação, buscando honrar a faixa que carrega. A cobertura completa do evento e suas repercussões poderá ser acompanhada por meio de plataformas digitais, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.

