Moradores e comerciantes do bairro Amambaí lotaram a Câmara Municipal de Campo Grande nesta sexta-feira (21) para protestar contra a instalação do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) em um prédio ao lado da Escola Municipal José Rodrigues Benfica. A principal preocupação é o potencial aumento da criminalidade e a insegurança na região, que já sofre com a falta de policiamento.
Moradores temem insegurança e falta de diálogo sobre Centro POP
A audiência pública, proposta pelo vereador Landmark, reuniu centenas de pessoas que seguravam cartazes e gritavam contra a decisão. Os presentes reclamaram da falta de diálogo prévio com a prefeitura, responsável pela mudança do equipamento de assistência social, atualmente localizado na Rua Joel Dibo. A instalação ao lado de uma escola, segundo os manifestantes, representa uma “tragédia anunciada”.
Rosane Neli, presidente da Associação de Moradores do Bairro Amambaí, expressou o sentimento de medo da comunidade. “O Centro Pop fecha às 17 horas. Depois que ele fechar, essas pessoas vão ficar circulando no bairro”, alertou, lembrando que o bairro é o mais antigo de Campo Grande e também um dos que mais sofre com a população em situação de rua. Ela também destacou a presença de muitos idosos na região, que se sentem “presos em casa” com medo de sair.
Aumento da criminalidade e vulnerabilidade infantil são as principais queixas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a insegurança já é uma realidade no bairro, com comerciantes relatando 20 anos de sofrimento e intensificação dos problemas recentes. A falta de consulta à comunidade sobre uma decisão tão impactante foi duramente criticada. A Associação de Pais e Mestres da Escola José Rodrigues Benfica, representando 403 estudantes, manifestou extrema insegurança. “A gente não é contra as políticas públicas para essa população de rua, mas infelizmente a maioria dessas pessoas está à base de drogas, com bebida, muitas vezes tem comportamento agressivo”, questionou Marilete Fernanda da Silva, presidente da associação, sobre a proximidade com crianças de 5 a 15 anos.
Vereadores se posicionam e cobram diálogo da prefeitura
O vereador Landmark afirmou que os parlamentares estão ao lado do bairro, preocupados com a forma como a decisão foi tomada e a proximidade com a escola. Ele mencionou que o debate terá desdobramentos com a Defensoria Pública e o Judiciário. Outros vereadores também se manifestaram contra a escolha do local, como André Salineiro, que criticou o modelo atual do Centro POP, e Maicon Nogueira, que cobrou a participação da prefeita Adriane Lopes e um estudo de impacto na região.
O vereador Ronilson Guerreiro sugeriu a criação de um Centro POP móvel e a implantação de um Centro Dia para Idosos no prédio da antiga Secretaria de Assistência Social. O vereador Jean Ferreira também se posicionou contra a instalação ao lado da escola, apesar de reconhecer a necessidade de apoio à população em situação de rua.
Forças de segurança e Ministério Público debatem a questão
A audiência contou com a participação do Ministério Público Estadual e de forças de segurança. O delegado Danilo Mansur, da 1ª Delegacia de Polícia Civil, declarou ser contra a instalação no local, citando o aumento de furtos e outros crimes na região, e defendeu que o Centro POP funcione longe da área central. O comandante da Guarda Civil Metropolitana, Anderson Ortigoza, informou que haverá uma equipe da guarda dentro do Centro POP para trabalho preventivo, além das Rondas Escolares, mas ressaltou a necessidade de tomar medidas para minimizar os riscos.
O promotor de Justiça Paulo César Zeni abordou as condições críticas do atual Centro POP na Rua Joel Dibo, que não pode continuar funcionando ali, e defendeu a implementação do Plano Municipal para Atendimento à População em Situação de Rua. Teresa Cristina Miglioli, superintendente de Proteção Social da Secretaria Municipal de Assistência Social, explicou o funcionamento do Centro POP e citou legislações que determinam seu funcionamento em região central, afirmando que o acesso é distinto da escola como medida preventiva. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a decisão sobre o futuro do Centro POP ainda está em aberto, com a prefeitura sob pressão para reconsiderar o local. A comunidade espera um diálogo mais efetivo e soluções que garantam a segurança de todos, como detalhado pelo Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre o tema.

