TJMS solta médico preso por suspeita de matar fisioterapeuta

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou, nesta quinta-feira (20), a soltura do cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos. Ele estava preso preventivamente desde o dia 14 de agosto, sob suspeita de ter matado a esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos. A defesa do médico sustenta a inocência de seu cliente e pretende contestar os laudos periciais que embasaram a investigação.

A decisão do TJMS representa uma reviravolta no caso, que ganhou contornos de feminicídio após a conclusão do inquérito policial. Conforme divulgado pelo Campo Grande News, a investigação policial apontou que Fabíola Marcotti foi morta em um contexto de violência doméstica, afastando a hipótese inicial de suicídio apresentada pelo próprio médico. A informação sobre a soltura foi confirmada ao Campo Grande News pelo advogado José Belga Trad.

Defesa argumenta inocência e contesta laudos

João Jazbik Neto estava detido preventivamente há uma semana, tendo sido levado à prisão pela segunda vez desde a morte de Fabíola. Após audiência de custódia no dia seguinte à prisão, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande. A defesa do cardiologista recorreu ao TJMS contra a ordem de prisão, apresentando diversos argumentos para pedir a liberdade do acusado.

O advogado José Belga Trad reafirmou a inocência do médico, destacando que a vítima teria deixado uma carta em seu diário expressando ideações suicidas. “Os laudos serão contestados em juízo pela defesa. Além de tudo, ele colaborou com as investigações e estava cumprindo rigorosamente as cautelares fixadas em habeas corpus anteriormente concedido pelo Tribunal”, afirmou Trad ao Campo Grande News.

Os fundamentos específicos que levaram o TJMS a determinar a soltura, bem como as eventuais medidas cautelares impostas, ainda não foram detalhados pela reportagem. No entanto, a decisão judicial representa um alívio temporário para a defesa, que segue firme na tese de inocência do cardiologista.

O caso: morte, prisões e reviravoltas na investigação

Fabíola Marcotti foi encontrada morta no dia 18 de maio, na chácara onde residia com o marido, na região da Chácara dos Poderes. Inicialmente, João Jazbik Neto acionou socorro e informou que a esposa teria tirado a própria vida. No mesmo dia, o médico foi preso em flagrante por posse irregular de armas de fogo e fraude processual.

A polícia descobriu que um armário com armas e munições foi removido da residência principal para outro imóvel na propriedade após a morte de Fabíola. Divergências entre relatos e elementos periciais levaram a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) a investigar a possibilidade de feminicídio. Conforme o Campo Grande News checou, o caso ganhou novas nuances com a evolução da investigação.

João Jazbik Neto chegou a ser liberado em 22 de maio, mediante medidas cautelares como tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar. Em julho, o TJMS confirmou sua liberdade, mas essa decisão se referia às acusações relacionadas às armas e à fraude processual, não ao mérito da morte de Fabíola.

Laudos apontam violência doméstica e agressões

Uma reviravolta significativa ocorreu em 28 de julho, quando o Campo Grande News revelou que o laudo necroscópico havia afastado a hipótese de suicídio por disparo encostado ou muito próximo à cabeça. O documento também descrevia hematomas em diversas partes do corpo da fisioterapeuta. Essa informação, apurada com rigor pelo Campo Grande News, foi crucial para o avanço da investigação.

Em 14 de agosto, João Jazbik Neto foi preso novamente, desta vez por um mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, no inquérito que investigava diretamente a morte de Fabíola. A defesa, na época, classificou a medida como “descabida”, pois ainda não havia denúncia formal apresentada.

Na segunda-feira seguinte, 17 de agosto, a Polícia Civil concluiu o inquérito. Laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal afastaram o suicídio e indicaram que Fabíola foi morta em contexto de violência doméstica e familiar. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público para análise.

O juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, explicou ao Campo Grande News os motivos que levaram à decretação da prisão preventiva. Segundo ele, a perícia apontou que Fabíola sofreu agressões antes do disparo. A análise pericial detalhou que a vítima teria recebido um golpe contundente na lateral direita da cabeça, caído e sofrido outro golpe na lateral esquerda, já no chão. A investigação, com base na análise de manchas de sangue, trajetória do projétil e posição do corpo, concluiu que a morte ocorreu em um cenário de violência contra a vítima.