A angústia das famílias que perderam entes queridos em dois graves acidentes de trânsito em Mato Grosso do Sul continua. Dos 16 corpos carbonizados, cinco já foram identificados, mas as demais 11 vítimas ainda aguardam resultados de exames de DNA para que seus restos mortais sejam liberados. O processo, que envolve a análise de material genético degradado pelo fogo, é complexo e demorado, sem previsão para conclusão, conforme informações divulgadas pela Polícia Científica.
A identificação das vítimas é um desafio que exige paciência e rigor técnico. O fogo intenso em que os corpos foram encontrados degrada o material genético, tornando a análise por DNA um processo minucioso. Amostras precisam passar por etapas de limpeza, moagem e repetição de fases laboratoriais para garantir a precisão na confirmação do parentesco. Essa complexidade, aliada à necessidade de coletar novas amostras caso as primeiras não sejam suficientes, estende o tempo de espera para as famílias enlutadas.
O Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) explica que a prioridade é dar um sepultamento digno aos falecidos, permitindo que as famílias possam iniciar o processo de luto e fechamento de ciclo. No entanto, a diretora do IALF, Josemirtes Socorro Fonseca Prado da Silva, ressalta que a **degradação do DNA pelo calor extremo** é o principal fator que alonga os prazos. “Como essas amostras sofreram ação do fogo, de temperaturas elevadas, a tendência é essas amostras estarem com seu DNA degradado. Então ela vai levar mais tempo na realização dos seus exames”, explicou.
Vítimas e o caminho da identificação
Dos acidentes ocorridos na última semana, um na BR-163, em Bandeirantes, e outro entre Iguatemi e Japorã, resultaram em 16 mortes. No primeiro, um Chevrolet Onix e um Toyota Etios colidiram, totalizando cinco óbitos. Quatro ocupantes do Etios, identificados como membros da mesma família – José Doná, Natalina Petrelini Doná, Ana Maria Doná Marques e Sergio Doná – aguardam exames de DNA para serem individualizados. O condutor do Onix, Valderlanio Daniel Santos, já teve seu corpo liberado.
No acidente entre Iguatemi e Japorã, que envolveu um carro de passeio e um caminhão, cinco pessoas morreram carbonizadas. Quatro delas foram identificadas e seus corpos deverão ser entregues às famílias: Luna Benites Santos, de 7 anos, Tiago Honorio dos Santos, 34, Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14, e Ileo Benites, com 30 anos. Os outros três corpos envolvidos neste mesmo acidente ainda dependem de mais testes, incluindo a possibilidade de uso da necropapiloscopia, método especializado em identificação por impressões digitais, que está sendo avaliado por peritos.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a metodologia de identificação segue uma ordem rigorosa. Inicialmente, busca-se a confirmação por meio de impressões digitais, realizada pelo Instituto de Identificação. Quando o calor extremo destrói a pele dos dedos, a equipe do Instituto Médico-Odontológico Legal (IMOL) tenta a identificação pela estrutura dentária, comparando com registros dos familiares.
Caso essas duas abordagens não sejam possíveis ou não resultem em identificação, o caso é encaminhado para o laboratório de análise genética do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF). Lá, a equipe extrai o DNA e quantifica a quantidade disponível para confirmar o parentesco. Esse é o passo crucial para liberar os corpos, mas a degradação causada pelo fogo frequentemente exige a repetição de todo o processo, desde a coleta até a análise, como alertou a diretora do IALF.
A complexidade do DNA após o fogo
A diretora do IALF, Josemirtes Socorro Fonseca Prado da Silva, detalhou o processo em entrevista. Ela enfatizou que, após a extração do DNA, é necessário verificar se a quantidade é suficiente para a identificação. “Então, muitas vezes, você faz todo esse processo da limpeza, purificação, pulverização, e aí você leva para ver a quantidade de DNA, você vê que a quantidade não é suficiente. Então nós temos que voltar novamente para iniciar o processo”, explicou.
A Polícia Científica, conforme o Campo Grande NEWS apurou, está empenhada em agilizar o processamento das amostras. No entanto, a demora é inerente à qualidade do material genético recuperado. A expectativa é que, com o avanço dos trabalhos, as famílias possam, em breve, dar o último adeus aos seus entes queridos, proporcionando o encerramento necessário para o luto. A liberação dos corpos é vista como um passo fundamental para a comunidade, que demonstra grande comoção com as tragédias. A autoridade jornalística do Campo Grande NEWS ressalta a importância da agilidade e transparência neste momento delicado.
Apesar da falta de uma previsão exata para a conclusão dos exames, a diretora Josemirtes Socorro Fonseca Prado da Silva garantiu que a equipe está dedicada aos casos. “Mas a Polícia Científica, ela está empenhada nesses casos, porque a gente sabe que é uma comoção popular. A gente sabe que a família quer dar um enterro digno para seus parentes, quer fechar um ciclo”, afirmou, buscando transmitir alguma tranquilidade aos familiares que aguardam ansiosamente por notícias.

