Árvore em decomposição mata jovem e alerta para perigo em Campo Grande

A trágica morte da estudante Khadyja Gharyb Rocha, de 23 anos, atingida por um tronco em queda no Parque dos Poderes, reacendeu um alerta urgente sobre a condição das árvores em Campo Grande. O incidente, ocorrido na quarta-feira (19), levou moradores a expor nas redes sociais árvores ocas, secas e com sinais evidentes de deterioração, levantando questionamentos sobre como identificar riscos e a quem recorrer em busca de solução.

Alerta em Campo Grande: Árvores maduras representam risco?

A preocupação é ainda mais latente em uma cidade que ostenta, por sete anos consecutivos (2019-2025), o título internacional de Tree City of the World (Cidade Árvore do Mundo). Este reconhecimento, concedido pela Arbor Day Foundation em parceria com a FAO, valoriza a gestão e o planejamento da arborização urbana. No entanto, um dado alarmante do Manual de Arborização Urbana do município revela que 48% dos exemplares avaliados possuem espaço permeável insuficiente para suas raízes, comprometendo a estabilidade.

A atenção pública se volta agora para sinais de alerta em árvores, como a que caiu sobre Khadyja. Conforme o Campo Grande News checou, moradores relatam a presença de árvores em estado precário, como uma na Rua Brilhante, descrita como capaz de causar um “estrago dos grandes” caso caia. Outro relato aponta uma árvore sem folhas e com galhos secos em frente ao Yotedy, no Parque das Nações Indígenas, onde um galho já se desprendeu e danificou uma grade, aumentando o receio de quem frequenta a área.

Para a doutora em Botânica Zildamara Holsback, a preocupação é legítima e exige avaliação técnica. Ela defende uma espécie de “vigilância da saúde das árvores”, especialmente em locais de grande circulação. Embora a identificação precisa de risco exija conhecimento especializado, alguns sinais podem ser observados por leigos, como rachaduras em galhos, a presença de cupins e a perda de folhas em apenas uma parte da árvore, enquanto o restante aparenta saúde.

Sinais de alerta que merecem atenção

A especialista Zildamara Holsback destaca que a análise para determinar a causa da queda de uma árvore, mesmo sem ventos fortes, envolve diversos fatores. É crucial examinar as raízes e o tronco, verificar a presença de fungos, cupins ou necrose, avaliar as condições do solo e considerar possíveis intervenções anteriores. É importante também verificar se as raízes tiveram espaço para se desenvolver adequadamente e se podas mal executadas alteraram o equilíbrio da copa.

Um caso emblemático de remoção de árvore por risco ocorreu na Praça do Rádio Clube em 2020. Uma figueira imponente, mesmo com a copa verde, foi removida após laudo técnico apontar comprometimento fitossanitário, necrose e infestação por cupins e fungos. A decisão gerou protestos, mas, segundo Zildamara, era necessária para garantir a segurança pública.

Espaço inadequado para raízes compromete estabilidade

O Manual de Arborização Urbana de Campo Grande aponta que 48% das árvores da cidade têm uma faixa livre permeável inferior à recomendada, e quase 18% apresentam o colo pavimentado. Essas condições, segundo o documento, podem causar lesões nas raízes e na base do tronco, diminuindo a resistência da árvore, especialmente a ventos fortes. As raízes, fundamentais para a ancoragem, precisam de espaço compatível com o porte da árvore.

A impermeabilização do entorno, como calçadas e pavimentos, dificulta o desenvolvimento radicular. Áreas permeáveis são essenciais para a drenagem e o crescimento lateral das raízes, que sustentam a árvore. O manual estabelece o “espaço-árvore”, uma área permeável que deve ter no mínimo 1 m², 2 m² e 3 m² para árvores de pequeno, médio e grande porte, respectivamente. O documento desaconselha o plantio em calçadas com menos de 2 metros de largura.

O que fazer ao identificar uma árvore em risco?

Moradores que suspeitam que uma árvore esteja em risco iminente devem acionar os órgãos competentes. A supressão de árvores, mesmo em áreas públicas, depende de autorização do órgão municipal responsável. Em casos de risco iminente, acidentes ou temporais, o Corpo de Bombeiros (193) ou a Defesa Civil (199) devem ser contatados. Se a árvore estiver em contato com a rede elétrica, a Energisa deve ser informada. Para avaliações preventivas, podas ou remoções, o contato é com a Prefeitura pelo número 156.

A especialista Zildamara Holsback reforça que a segurança não se traduz em remoção indiscriminada de árvores. Ela defende a arborização planejada, com escolha adequada de espécies e monitoramento contínuo. “A gente quer a cidade mais arborizada, porém, a gente quer ela arborizada com segurança”, conclui. Conforme o Campo Grande News checou, a cidade investe em arborização, mas a manutenção e o monitoramento da saúde das árvores são cruciais para evitar novas tragédias.

O episódio trágico serve como um lembrete sombrio da importância de um manejo adequado da arborização urbana. A busca por um equilíbrio entre a expansão da cobertura vegetal e a garantia da segurança pública é um desafio contínuo. A colaboração entre a população e os órgãos públicos é fundamental para identificar e mitigar os riscos, como aponta o Campo Grande News em suas reportagens sobre a cidade.