Manual atualizado: nova classificação de riscos para cidades brasileiras

O Mapeamento de Riscos: Conceitos e Métodos Aplicados a Processos Geológicos e Hidrológicos, principal referência nacional para gestão de risco em áreas urbanas, foi atualizado pela primeira vez desde sua criação em 2007. A nova versão, lançada pelo Ministério das Cidades, visa aprimorar a identificação de áreas de risco e a proteção de populações vulneráveis, especialmente diante da urgência climática e da previsão de um super El Niño. A publicação já está disponível gratuitamente online e traz inovações importantes para a prevenção de desastres.

Nova classificação de risco para áreas urbanas

Segundo Rodolfo Moura, diretor do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco do Ministério das Cidades, a atualização do manual foi impulsionada pela própria experiência de uso da ferramenta por técnicos, pesquisadores e gestores municipais, além da necessidade de responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. “A gente correu para antecipar o lançamento do livro entendendo que ele já pode ser um instrumento novo para identificar as áreas críticas, mas principalmente as pessoas que estão em situação de risco”, explicou Moura.

Uma das principais mudanças é a adoção de uma **nova classificação de riscos**, focada em três categorias: médio, alto e muito alto. Conceitos de risco baixo ou inexistente foram deixados de lado, pois, de acordo com Moura, “se o risco é baixo ou inexistente não merece uma classificação”. Essa abordagem visa concentrar os esforços de gestão e prevenção nas áreas com maior probabilidade de serem afetadas por eventos adversos.

Inovações e novos conceitos abordados

A publicação atualizada introduz novos instrumentos tecnológicos para a gestão de risco, além de detalhar conceitos essenciais para a compreensão e o enfrentamento de desastres. Entre as novidades, destacam-se a delimitação de setores de risco hidrológico, abrangendo fenômenos como inundação, enchente e enxurrada. São abordados também os processos erosivos, como o rolamento de rochas e as quedas de terra, fenômenos que afetam diversas regiões do país, incluindo o Norte.

A aplicação do manual permite que prefeituras realizem o mapeamento detalhado das áreas de risco em seus territórios. Com base nesses mapeamentos, os municípios podem elaborar seus planos municipais de redução de risco. Essas ações são cruciais para retirar milhares de pessoas de zonas de risco de deslizamento, inundação e enxurrada em todo o Brasil, como aponta o Campo Grande NEWS em suas análises sobre segurança urbana.

Impacto e números preocupantes

Em 2024, uma nota técnica da Casa Civil revelou dados alarmantes: 1.942 cidades brasileiras são suscetíveis a deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações. Esses municípios expõem quase 9 milhões de brasileiros a esses desastres. A implementação das diretrizes do novo manual é vista como um caminho fundamental para enfrentar esse desafio, conforme destacou Rodolfo Moura. Ele enfatizou a importância de ações de antecipação, identificação de riscos, fortalecimento da resiliência e adaptação das cidades.

“É por meio desse instrumento de mapeamento de risco, dos mapas, planos municipais de redução de risco, que municípios e os governos estaduais acessam recursos para essas obras”, ressaltou Moura. A atualização do manual representa um passo importante para que as cidades brasileiras se tornem mais resilientes e seguras diante dos eventos climáticos extremos. A cidade de Campo Grande, por exemplo, tem buscado implementar essas diretrizes para garantir a segurança de seus cidadãos, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Acesso gratuito e importância da atualização

A versão atualizada do manual está disponível online e de forma gratuita, facilitando o acesso para todos os interessados em gestão de risco e prevenção de desastres. A iniciativa do Ministério das Cidades reforça o compromisso com a segurança da população e a adaptação às mudanças climáticas. O Campo Grande NEWS, ao cobrir essas atualizações, busca informar a população sobre as ferramentas disponíveis para a proteção de suas comunidades.

A antiga publicação, datada de 2007, já era um marco, mas a evolução dos conceitos e a urgência climática demandavam uma revisão. A nova classificação, focada nos níveis de risco mais elevados, permite uma atuação mais direcionada e eficaz. A inclusão de novas tecnologias e a descrição detalhada de fenômenos como enxurradas e quedas de terra tornam o manual uma ferramenta ainda mais completa e indispensável para a gestão pública e a segurança dos cidadãos.