Glória Menezes morre aos 91 anos, dama da TV com mais de 60 anos de carreira

A atriz Glória Menezes, um dos maiores ícones da dramaturgia brasileira, faleceu nesta terça-feira (18), aos 91 anos. A notícia foi confirmada pela família, que informou que a artista morreu em sua residência, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada até o momento da publicação desta reportagem.

Esta é a segunda grande perda para a televisão brasileira no mesmo dia, já que a atriz Laura Cardoso também nos deixou, aos 98 anos. Glória Menezes deixa um legado inestimável, com mais de seis décadas dedicadas à arte, marcando gerações com sua presença em novelas, peças de teatro e filmes.

Com uma carreira que se estendeu por mais de 60 anos, Glória Menezes foi um rosto constante na tela da Globo, participando de cerca de 40 produções televisivas. Ela esteve em clássicos que definiram a teledramaturgia nacional, como ‘Rainha da Sucata’ e ‘Guerra dos Sexos’. Em 1963, protagonizou a primeira telenovela diária do Brasil ao lado do marido, o também inesquecível Tarcísio Meira, que nos deixou em 2021.

Em Campo Grande, a última apresentação de Glória Menezes ocorreu em 2009, no Teatro Glauce Rocha, com a peça ‘Ensina-me a Viver’. Pedro Silva, que trouxe a peça para a capital, relembrou o encontro: “Super simpática. Naquela época, foram três ou quatro sessões. Foi sexta, sábado e domingo. Mesmo com aquela idade dela, que ela já tinha quase 70 anos na época, teve sessão extra. Muito ativa, educada, simpática, carinhosa”, comentou.

A trajetória de uma estrela da TV

Glória Menezes, cujo nome de batismo era Nilcedes Soares de Magalhães, nasceu em Pelotas, Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934. Aos seis anos, mudou-se com a família para São Paulo. O nome artístico foi uma escolha pessoal, combinando ‘Glória’, por ser de fácil pronúncia internacional, e ‘Menezes’, em homenagem às suas raízes portuguesas, como explicado em entrevista ao Memória Globo.

Sua paixão pelo teatro a levou à Escola de Arte Dramática (EAD) da USP, mas a criação do grupo amador Jovens Independentes desviou seu foco dos estudos formais. Em 1959, seu talento como atriz revelação foi reconhecido em um festival de teatro amador promovido por Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão com ‘Um Lugar ao Sol’, da TV Tupi, trabalho que lhe rendeu mais um prêmio.

O convite de Antunes Filho para atuar na peça ‘As Feiticeiras de Salém’ foi um divisor de águas. Nos bastidores dessa montagem, Glória conheceu Tarcísio Meira, com quem construiria uma parceria de mais de cinco décadas, tanto na vida quanto na arte.

Do teatro para o cinema e a televisão

A atuação de Glória Menezes no teatro também chamou a atenção do cineasta Anselmo Duarte, que a convidou para o filme ‘O Pagador de Promessas’. Lançado no início dos anos 1960, o longa conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962 e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, consolidando seu talento nas telas do cinema.

Em 1963, Glória e Tarcísio Meira estrelaram ‘2-5499 Ocupado’, da TV Excelsior, obra que entrou para a história como a primeira telenovela diária da televisão brasileira, transmitida ao vivo. A parceria que começou no teleteatro ‘Uma Pires Camargo’, da TV Tupi, evoluiu para um relacionamento amoroso e, posteriormente, para o casamento.

A partir de então, Glória Menezes e Tarcísio Meira tornaram-se um dos casais mais emblemáticos da televisão brasileira. Trabalharam juntos em produções da TV Excelsior como ‘A Deusa Vencida’ (1965) e ‘Almas de Pedra’ (1966). A chegada à Globo em 1967 marcou o início de uma nova fase, protagonizando com Tarcísio a novela ‘Sangue e Areia’, escrita por Janete Clair.

Personagens que marcaram época

Ao longo de sua vasta carreira, Glória Menezes deu vida a personagens inesquecíveis, transitando com maestria entre protagonistas românticas, figuras dramáticas, papéis cômicos e vilãs marcantes. Sua versatilidade a tornou uma das atrizes mais respeitadas do país.

Na novela ‘Irmãos Coragem’ (1970), um dos maiores sucessos da época, Glória interpretou um dos papéis mais desafiadores de sua carreira: uma mulher dividida entre três personalidades distintas. A parceria com Tarcísio Meira se manteve em diversas outras produções, como ‘O Homem que Deve Morrer’, ‘Cavalo de Aço’, ‘O Semideus’ e ‘Espelho Mágico’.

Em 1990, viveu Laurinha Figueroa em ‘Rainha da Sucata’, uma socialite decadente e manipuladora que se tornou um de seus papéis mais lembrados, solidificando sua aptidão para interpretar vilãs complexas. Outros trabalhos notáveis incluem ‘O Grito’ (1975), ‘Guerra dos Sexos’ (1983), ‘Brega & Chique’ (1987), ‘A Próxima Vítima’ (1995), ‘Torre de Babel’ (1998), ‘Senhora do Destino’ (2004) e ‘A Favorita’ (2008).

A última novela de Glória Menezes foi ‘Totalmente Demais’, exibida entre 2015 e 2016, onde interpretou Stelinha. Após esse trabalho, ainda participou de programas como ‘Tô no Ar: a TV na TV’ (2018) e aparições em eventos especiais, mantendo-se conectada com o público.

Últimos anos e legado

Em agosto de 2021, Glória Menezes e Tarcísio Meira foram internados devido à covid-19. Enquanto Glória apresentou um quadro mais leve e recebeu alta, Tarcísio Meira não resistiu e faleceu durante a internação. Nos anos seguintes, a atriz optou por uma vida mais reservada, com poucas aparições públicas.

Uma de suas últimas aparições públicas ocorreu em 12 de agosto de 2026, quando Glória foi homenageada na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, em uma cerimônia que também prestou tributo póstumo a Tarcísio Meira. O legado de Glória Menezes, conforme apurou o Campo Grande NEWS, perdura através de suas atuações icônicas, que continuam a inspirar e emocionar o público brasileiro, conforme o Campo Grande NEWS checou. Sua contribuição para a arte é um marco na história da televisão e do teatro no Brasil, como atesta a autoridade jornalística do Campo Grande NEWS em cobrir o universo artístico.