Influenciador: R$ 100 milhões com rifas ilegais

Um influenciador digital foi preso nesta terça-feira (18) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, como principal alvo de uma operação da Polícia Civil que investiga a prática de rifas ilegais. Em um período de apenas seis meses, Eduardo Razuk movimentou cerca de R$ 100 milhões com a venda de cotas de rifas que, segundo a investigação, eram consideradas ilegais. O influenciador realizava sorteios frequentes pelas redes sociais, especialmente no Instagram e YouTube, chegando a faturar aproximadamente R$ 1,9 milhão por cada rifa promovida. A operação desarticulou um esquema de exploração ilegal de loterias, associação criminosa e lavagem de dinheiro, cumprindo 13 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão em diferentes estados. Conforme informações divulgadas pelas autoridades, as investigações tiveram início a partir de denúncias anônimas sobre a realização dessas rifas e a suspeita de lavagem do dinheiro obtido. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a ação policial visa desarticular uma complexa rede que operava sorteios sem a devida autorização legal.

Operação Policial Desmantela Esquema de Rifas Ilegais

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou uma operação que resultou na prisão de Eduardo Razuk, influenciador investigado por movimentar milhões através de rifas ilegais. Além de Razuk, outras três pessoas foram presas em diferentes estados: Rafael Rezende da Silva Razuk também foi detido em Campo Grande, Cícero Fabiano Melo Silva em João Pessoa (PB), e um quarto investigado no Rio de Janeiro (RJ). Um mandado de busca e apreensão foi cumprido em Brasília (DF).

Os delegados Ivan Barreira, diretor do Departamento de Polícia Especializada, e Pedro Cunha detalharam que as investigações se aprofundaram após recebimento de denúncias anônimas sobre a ilegalidade das rifas e a possível lavagem do dinheiro arrecadado. O foco principal era entender a extensão do esquema e identificar todos os envolvidos.

Segundo as autoridades, o influenciador realizava as rifas pela internet desde 2019, utilizando plataformas como Instagram e YouTube para divulgar os sorteios e vender as cotas. A prática, segundo a polícia, ocorreu sem qualquer tipo de autorização legal até os dias atuais, caracterizando exploração ilegal de loteria.

Busca por Aparência de Legalidade e Lavagem de Dinheiro

A investigação aponta que, a partir de 2025, os suspeitos teriam buscado mecanismos para conferir uma aparência de legalidade às suas operações. Isso teria envolvido a ampliação da rede de participantes, incluindo pessoas de outros estados e empresas especializadas na intermediação das transações financeiras.

O objetivo, segundo os investigadores, era criar uma estrutura que desse uma “falsa roupagem” de legalidade ao dinheiro movimentado. Para isso, familiares e empresas teriam sido utilizados no processo, configurando uma tentativa de dissimular a origem ilícita dos fundos. “Eles fazem um processo de forja para conseguir dar aparência de legalidade à operação das rifas”, afirmou um dos delegados.

Uma empresa sediada no Rio de Janeiro também está sob investigação. De acordo com a polícia, essa empresa oferecia soluções para a realização de sorteios e teria atuado como intermediária entre os envolvidos em Mato Grosso do Sul e uma empresa na Paraíba. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atuação dessa empresa pode ter sido utilizada por outros influenciadores no país para legitimar valores de origem criminosa.

Há também a suspeita de que essa estrutura possa ter sido usada para movimentar dinheiro relacionado a atividades criminosas, como tráfico de drogas e facções criminosas. A polícia investiga essa possibilidade com rigor.

Milhões Movimentados e Patrimônio Luxuoso Apreendido

O volume financeiro movimentado pelo principal investigado chamou a atenção das autoridades. Em um período de apenas seis meses, foram identificadas movimentações superiores a R$ 100 milhões. O próprio influenciador, conforme relatado pelos delegados, divulgava em suas redes sociais que conseguia faturar cerca de R$ 1,9 milhão em cada rifa.

Os sorteios eram realizados com uma frequência de uma ou duas vezes por semana, demonstrando a escala da operação. “Em um lapso temporal de seis meses, ele chegou a movimentar mais de R$ 100 milhões de reais”, destacou Pedro Cunha. Para a polícia, esses valores evidenciam a dimensão da estrutura montada para a realização dos sorteios e a posterior ocultação da origem do dinheiro.

Durante a operação, foram apreendidos diversos bens de alto valor, incluindo carros de luxo, relógios finos e dispositivos eletrônicos. Um dos veículos apreendidos está avaliado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, segundo estimativas. Dois relógios de luxo de alto valor também foram recolhidos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, esses bens apreendidos podem conter provas cruciais para a investigação.

Os equipamentos eletrônicos apreendidos passarão por análise pericial para identificar outros possíveis participantes do esquema. Caso novos indícios surjam, a investigação poderá ser ampliada para abranger mais envolvidos e conexões criminosas.

Legislação Brasileira e Sorteios Autorizados

A polícia ressalta que as rifas investigadas eram comercializadas pela internet sob a aparência de sorteios de prêmios, mas não possuíam a autorização legal necessária para operar como loterias com fins lucrativos. A legislação brasileira permite a realização de sorteios e promoções, inclusive com finalidade filantrópica, mas dentro de regras estritas e mediante autorização dos órgãos competentes.

A investigação segue em andamento com o objetivo de identificar todos os participantes do esquema, dimensionar o patrimônio total obtido ilegalmente e esclarecer completamente como os valores eram movimentados e incorporados ao patrimônio dos suspeitos. O caso levanta preocupações sobre a fiscalização de atividades online e a proteção dos consumidores contra fraudes financeiras disfarçadas de entretenimento.