Nova vítima surge em tiroteio que matou criança em conveniência

Uma nova vítima foi identificada durante a audiência de instrução do processo que investiga o tiroteio que resultou na morte de uma criança de 2 anos e deixou outras três pessoas feridas em Campo Grande. O ataque ocorreu em maio, e a sessão judicial desta segunda-feira (17) ouviu cinco testemunhas de acusação. Os quatro réus, que estão presos preventivamente, serão interrogados no próximo mês.

Tiroteio em conveniência tem nova vítima e pedidos de soltura

A audiência, realizada em um dos auditórios do Tribunal do Júri devido ao grande número de estudantes presentes, revelou a existência de uma nova vítima do ataque. Essa pessoa não estava incluída na denúncia original apresentada pelo Ministério Público. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o advogado de defesa informou que a promotoria deverá complementar a denúncia para incluir o rapaz, que foi atingido enquanto estava sentado em uma mesa na área externa da conveniência.

Segundo a defesa, a inclusão desta nova vítima reforça o argumento de que os disparos podem ter atingido pessoas sem relação com a confusão que teria precedido o crime. O juiz responsável pelo caso confirmou que o Ministério Público analisará a inclusão e que os interrogatórios dos acusados na próxima audiência já considerarão essa nova acusação. O caso, que chocou a comunidade, ganhou novos contornos com essa revelação.

A defesa também solicitou a revogação da prisão preventiva de três dos quatro réus: Adriel, Gislaine e Thayanne. No entanto, o pedido não se aplica a Mayke Joulson dos Anjos Campos, apontado como o autor dos disparos. O advogado argumenta que não surgiram elementos suficientes durante a audiência para comprovar a participação de Adriel, Gislaine e Thayanne no ataque da forma descrita na investigação. Essa estratégia visa diminuir o cerco judicial sobre seus clientes.

Detalhes do ataque e versões apresentadas

O tiroteio ocorreu na madrugada de 17 de maio, no Jardim Noroeste. Uma criança de 2 anos, que estava no colo da mãe, foi fatalmente atingida na cabeça. A mãe também foi baleada no tórax, e um adolescente de 16 anos sofreu um ferimento na cabeça. Com a identificação da nova vítima, o número de feridos, além da criança morta, passa a ser de quatro pessoas.

A investigação policial aponta que o ataque foi motivado por uma confusão ocorrida dentro da conveniência. Segundo a versão oficial, Mayke e Thayanne deixaram o local após a briga e retornaram em uma motocicleta. Mayke teria efetuado os disparos contra as pessoas na calçada. Adriel e Gislaine são acusados de dar apoio logístico e auxiliar na fuga. Os quatro foram presos e tiveram a prisão convertida em preventiva. O Campo Grande NEWS acompanhou os desdobramentos deste caso desde o início.

A defesa, contudo, apresenta uma narrativa distinta. O advogado de Mayke alega que seu cliente discutiu com um homem na conveniência após este supostamente ter se aproximado de sua esposa e filhas. Após a discussão, Mayke teria deixado o local, buscado uma pistola calibre .40 e retornado para confrontar o outro homem. A defesa minimiza a participação de Mayke, alegando que ele não tinha experiência com armas e que o primeiro disparo teria causado um recuo, levando-o a perder o controle e continuar atirando acidentalmente. A tese defensiva nega planejamento prévio ou associação criminosa.

Próximos passos no processo

A audiência desta segunda-feira foi marcada pela emoção, especialmente durante o depoimento da mãe da criança falecida. As testemunhas de acusação foram ouvidas, e os interrogatórios dos quatro réus foram agendados para o próximo mês. Esta etapa será a última antes da decisão sobre a pronúncia dos acusados, conforme o Campo Grande NEWS apurou. A expectativa é de que a justiça seja feita para as vítimas e suas famílias.

A decisão sobre a manutenção ou não das prisões preventivas de Adriel, Gislaine e Thayanne será analisada pelo juiz após a promotoria apresentar o aditamento da denúncia. A defesa confia que a ausência de novas provas robustas contra eles levará à sua soltura. O caso continua em andamento, e a comunidade aguarda o desfecho deste trágico evento que tirou a vida de uma criança inocente.