A Bolívia atravessa uma grave crise de abastecimento de combustíveis, especialmente diesel e gasolina, gerando filas de até três dias em postos e afetando severamente motoristas e o setor produtivo. A situação tem impactado diretamente quem viaja pela fronteira com o Brasil, em Corumbá, e até mesmo turistas brasileiros que se encontravam no país vizinho. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a escassez tem levado a cenas de apreensão e longas esperas, com pessoas passando dias dentro de seus veículos.
Bolívia em crise: filas de diesel e gasolina paralisam o país
Em importantes cidades bolivianas como La Paz, Cochabamba e Santa Cruz, a falta de combustíveis se tornou uma rotina angustiante para os motoristas. Relatos indicam que as filas nos postos de gasolina chegam a durar até 72 horas, com muitos condutores optando por permanecer dentro de seus veículos para não perderem a vez. A situação é particularmente crítica para o setor agrícola, que está em pleno período de colheita de inverno e depende do diesel para suas operações.
No município de Fernández Alonso, no norte de Santa Cruz, produtores rurais já realizaram bloqueios pontuais de estradas em protesto. Eles afirmam que o combustível destinado às atividades no campo não tem sido entregue há vários dias, colocando em risco a produção. A Asosur, Associação de Varejistas Privados de Hidrocarbonetos de Santa Cruz, confirmou uma redução significativa nos volumes de combustível enviados ao departamento. Segundo Susy Dorado, gerente da entidade, Santa Cruz necessita de aproximadamente 3,5 milhões de litros de gasolina e uma quantidade similar de diesel diariamente, mas os volumes distribuídos estão muito aquém da demanda.
Brasileiros retidos na Bolívia pela falta de diesel
A crise de abastecimento não poupou nem mesmo os brasileiros que se encontravam na Bolívia. Um grupo de torcedores do São Paulo que viajava em um ônibus fretado ficou retido por três dias na região de fronteira, aguardando a chegada de diesel para poder retornar ao Brasil. O incidente ocorreu após a partida do time contra o Bolívar, em La Paz, pela Copa Sul-Americana.
Ao chegarem à fronteira com Corumbá, os torcedores relataram as dificuldades enfrentadas, conforme noticiado pelo Diário Corumbaense. Rubens Velloso, um dos passageiros, descreveu a longa espera: “Tivemos que ficar três dias na fila em um posto de gasolina para abastecer o nosso ônibus. Logo que conseguimos, viemos embora.” Ele expressou a preocupação que sentiram durante o período, temendo não conseguir retornar: “O ônibus foi fretado e ficamos com muito receio de não conseguirmos voltar e ficarmos na fila, mas conseguimos”, completou.
O motorista do coletivo, conhecido como “Motora”, precisou passar noites na fila enquanto aguardava o abastecimento, evidenciando a gravidade da situação. A reportagem do Campo Grande NEWS destacou a importância da informação para viajantes que planejam cruzar a fronteira, alertando para possíveis imprevistos.
Falhas logísticas, diz ministro boliviano
Em meio ao cenário de escassez, o ministro da Economia da Bolívia, José Gabriel Espinoza, declarou que a falta de combustíveis não está ligada a problemas financeiros ou à falta de moeda estrangeira. De acordo com o ministro, a dificuldade é resultado de “falhas logísticas” na distribuição dos combustíveis pelo país. A expectativa agora recai sobre um pronunciamento da YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), estatal boliviana de petróleo, que deve detalhar a situação atual e as medidas que serão tomadas para normalizar o fornecimento de gasolina e diesel.
A situação na fronteira exige atenção redobrada de quem pretende viajar para a Bolívia. O Campo Grande NEWS segue acompanhando os desdobramentos dessa crise que afeta milhares de pessoas e a economia do país vizinho, buscando sempre trazer informações atualizadas e relevantes para seus leitores.

