A esperança de revitalização do Complexo Ferroviário de Campo Grande ganha um novo capítulo, mas com um ritmo que preocupa. A Prefeitura da Capital obteve a prorrogação do convênio com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para a contratação dos projetos de restauração, garantindo recursos de R$ 800 mil do Novo PAC. Contudo, a etapa crucial da licitação para a abertura do edital ainda não foi realizada, e o prazo foi estendido até janeiro de 2027.
O acordo, firmado em dezembro de 2024, inicialmente previa a conclusão das etapas de contratação em um período menor. Agora, com o prazo ampliado, o Iphan-MS tem cobrado da prefeitura uma previsão clara para o início do processo licitatório. A demora levanta questionamentos sobre a efetiva utilização dos recursos e o avanço da recuperação deste importante patrimônio histórico da cidade.
A verba assegurada pelo Novo PAC não se destina diretamente à execução das obras físicas de reforma, mas sim à contratação dos projetos executivos de restauração. Esta fase é fundamental para detalhar as intervenções necessárias, os serviços a serem realizados e os custos envolvidos na futura recuperação dos edios históricos, como a antiga estação ferroviária e os galpões.
Atraso na licitação gera apreensão
Passados cerca de um ano e oito meses desde a formalização do contrato, a situação gera apreensão entre moradores e defensores do patrimônio histórico. O Iphan-MS, em ofício enviado em agosto deste ano, solicitou à prefeitura um cronograma detalhado das atividades a serem cumpridas no período estendido do convênio. A cobrança visa garantir que as metas estabelecidas sejam alcançadas.
Segundo a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), o processo para a abertura do edital está em fase de ajustes técnicos. Após a aprovação desta etapa, o processo seguirá para a elaboração e publicação do edital pela SELC (Secretaria Especial de Licitações e Contratos), o que ainda demandará tempo.
Chuvas agravam estado de conservação
A urgência na recuperação do Complexo Ferroviário se intensificou após as chuvas de abril de 2025, que agravaram os problemas estruturais já existentes. O desgaste natural do tempo e a falta de manutenção contínua deixaram as edificações em estado precário, aumentando a pressão por ações concretas.
A presidente da Associação dos Moradores da Esplanada, Kátia Larucci, expressou preocupação com o andamento do processo. Sua associação representa a área onde se localiza o Complexo Ferroviário, um quadrilátero com grande concentração de patrimônios tombados. Ela teme que a demora na abertura da licitação resulte na perda dos recursos, o que seria um grande prejuízo para a revitalização do espaço.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a prorrogação do prazo ocorreu após um pedido do próprio município, que alegou a necessidade de mais tempo para concluir as etapas preparatórias da contratação. O Iphan Nacional confirmou a extensão por mais um ano, e informou que, caso necessário, uma nova dilação poderá ser solicitada até 60 dias antes do encerramento do contrato, mediante justificativa.
Histórico do projeto e próximos passos
O projeto do Complexo Ferroviário faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e visa a contratação dos estudos necessários para a futura restauração de estruturas icônicas, como a antiga estação, os galpões e a Rotunda. A elaboração desses projetos é a primeira etapa antes que as obras físicas possam ser iniciadas.
O pedido de prorrogação foi discutido ainda na gestão anterior da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos. Em novembro de 2025, o então secretário Marcelo Miglioli já indicava a necessidade de ampliar o prazo para viabilizar a contratação dos projetos, citando ajustes no modelo de contratação como motivo. A informação foi divulgada pelo Campo Grande NEWS na época, destacando a complexidade e os trâmites burocráticos envolvidos.
A Sisep informou que a fase atual de ajustes técnicos é um passo necessário antes da abertura do edital. A expectativa é que, após a conclusão desta etapa, o processo avance para a publicação no Diogrande, dando início formal à busca por empresas para a elaboração dos projetos de restauração. Acompanhar de perto o cumprimento dos prazos e a transparência do processo licitatório será fundamental para garantir que os R$ 800 mil do Novo PAC sejam efetivamente utilizados na revitalização deste importante patrimônio histórico de Campo Grande, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

