Sem mais verba: Estado de MS busca atrair aéreas com infraestrutura

O governo de Mato Grosso do Sul está empenhado em expandir a oferta de voos no estado, buscando convencer companhias aéreas a aumentar a frequência e a criar novas rotas. Sem mais recursos para oferecer incentivos fiscais, como a redução do ICMS sobre o querosene de aviação, o foco agora se volta para a concessão de novos aeroportos e a melhoria da infraestrutura aeroportuária. O objetivo é garantir a continuidade de rotas estratégicas, como a de Corumbá, e impulsionar o tráfego em Campo Grande e Dourados. Conforme informação divulgada pelo governador Eduardo Riedel (PP), essas tratativas são essenciais para a **retomada e o crescimento da aviação regional**.

Expansão aérea sem incentivos fiscais: o novo desafio de MS

O governador Eduardo Riedel anunciou que o Estado já atingiu o limite de sua capacidade de oferecer incentivos fiscais para companhias aéreas. A principal ferramenta utilizada, a redução do ICMS sobre o combustível de aviação, não pode mais ser ampliada. Diante disso, a estratégia para **aumentar a conectividade aérea** de Mato Grosso do Sul agora se concentra em outros pilares: a concessão de aeroportos e investimentos em infraestrutura. Riedel enfatizou que a expansão depende de uma **articulação conjunta** entre o governo estadual, as empresas aéreas e os operadores aeroportuários.

“Eu estou em tratativa com outras companhias pra poder estimular; Corumbá, a Azul não parar Corumbá, é fundamental não parar, né? E ampliar voos aqui pra Campo Grande e própria Dourados”, declarou o governador durante o evento “Café & Política MS”. A fala demonstra a urgência em manter e expandir as ligações aéreas consideradas vitais para o desenvolvimento do estado, especialmente para cidades como Corumbá, que dependem fortemente do transporte aéreo.

A Aena administra atualmente os aeroportos internacionais de Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã. Outros terminais importantes, como os de Dourados, Bonito e Três Lagoas, ainda estão em processo de avaliação para futuras concessões. Essa estratégia de **concessão de aeroportos** visa atrair investimentos privados para a modernização e expansão das estruturas, tornando-as mais atrativas para as companhias aéreas e, consequentemente, para os passageiros.

Dourados: um exemplo de potencial aéreo

O Aeroporto Regional de Dourados é citado pelo governador como um exemplo claro do **potencial de crescimento da aviação** no estado. Apesar de ainda estar em obras para a conclusão de um novo e moderno receptivo de passageiros, previsto para abril de 2027, o terminal já demonstra alta demanda. A ligação aérea entre Dourados e o Aeroporto de Guarulhos (SP) opera com um voo diário e, segundo Riedel, apresenta uma **taxa de ocupação média impressionante de 94%** desde o início do ano. Essa alta demanda já abre discussões sobre a possibilidade de introduzir uma segunda frequência diária.

“Hoje sem receptivo tem um voo diário. Guarulhos. Dourados. O detalhe importante, ele sai lá sete quarenta e cinco da manhã, chega aqui nove, sai dez horas da manhã, volta pra Guarulhos. Esse voo ele tá com noventa e quatro por cento de ocupação média, já desde o início do ano”, detalhou o governador. A expectativa é que, com a entrega do novo receptivo, o aeroporto se torne um dos melhores do país em sua categoria, atraindo ainda mais voos e passageiros.

Investimentos em Bonito e Três Lagoas visam reaquecer rotas

Além de Dourados, o governo estadual planeja investimentos em outros aeroportos regionais. Bonito, um importante destino turístico, deve receber **melhorias significativas em seu receptivo**, visando aprimorar a experiência dos visitantes. Três Lagoas, por sua vez, tem a perspectiva de voltar a receber voos comerciais, o que seria um impulso importante para a economia local e regional. A expectativa é que as concessões desses aeroportos, previstas para novembro, juntamente com a conclusão das obras em Dourados, revitalizem a malha aérea do estado.

“Então, acredito que esses três aeroportos sendo concessionados em novembro, terminando o receptivo de Dourados, três lagoas, vai voltar a ter voo comercial”, afirmou Riedel. A retomada de voos em Três Lagoas, por exemplo, pode facilitar o acesso a uma região com forte potencial industrial e logístico, conectando-a de forma mais eficiente com outros centros. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de conexões aéreas diretas tem impactado negativamente a mobilidade entre cidades próximas.

Rotas diretas perdidas: o desafio da conectividade regional

A dificuldade em manter e expandir conexões aéreas é evidenciada pela situação da rota entre Campo Grande e Cuiabá (MT). Duas capitais vizinhas que antes eram conectadas por voo direto, agora exigem escalas em São Paulo ou Brasília, **aumentando o tempo de viagem de cerca de uma hora para até seis horas**. Essa perda de voos diretos prejudica não apenas o turismo, mas também negócios e a integração regional. O Campo Grande NEWS destacou recentemente como a ausência de voos diretos torna o deslocamento entre essas capitais um desafio logístico.

O governo estadual tem defendido ativamente a **retomada de rotas regionais**, argumentando que a dependência de conexões em outros estados torna viagens curtas excessivamente longas e ineficientes. A expansão da infraestrutura aeroportuária e a atração de novas companhias aéreas por meio de concessões são vistas como as principais soluções para reorganizar e fortalecer a oferta de voos em Mato Grosso do Sul. A expectativa é que essas ações resultem em um sistema aéreo mais robusto e acessível para todos os cidadãos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a falta de investimentos em infraestrutura e a concorrência de outras modais de transporte aérea mais rentáveis para as companhias são fatores que contribuem para a redução de rotas regionais.