O médico-legista Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, servidor do Governo de Mato Grosso do Sul, foi detido nesta quinta-feira (13) durante a segunda fase da Operação Auditus. A ação, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), investiga supostas fraudes em serviços médicos.
Aguilar é proprietário da Policlínica Rota Bioceânica, em Jardim, que foi alvo da operação. A investigação apura um esquema de direcionamento de contratações e pagamento por serviços médicos não realizados, resultando em um prejuízo estimado de R$ 4 milhões aos cofres públicos de Nioaque. Conforme o Gecoc, cerca de 83% dos exames e consultas pagos pela prefeitura entre 2022 e 2025 teriam sido simulados mediante falsificação de documentos.
O servidor público estadual, vinculado à Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) como perito oficial forense, foi admitido em fevereiro de 2021. Ele atua em regime de 40 horas semanais e sua remuneração informada é de R$ 11.137,93. A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul confirmou o afastamento de Robson de suas funções em decorrência dos fatos investigados, ressaltando que a prisão não tem relação com suas atividades na instituição.
Clínica e esquema de fraudes investigados
A Policlínica Rota Bioceânica, anteriormente conhecida como Prontomed e localizada no centro de Jardim, foi um dos locais inspecionados na operação. A unidade médica está no centro das investigações que apontam para o registro e pagamento de exames e consultas pelo poder público sem que os serviços tivessem sido efetivamente prestados. O grupo investigado, composto por agentes públicos e privados, teria utilizado a falsificação de documentos para simular a prestação desses serviços.
O prejuízo estimado aos cofres públicos de Nioaque ultrapassa os R$ 4 milhões. Dados da investigação indicam um aumento expressivo nos gastos da Prefeitura de Nioaque com serviços médicos, que teriam crescido 1.713% entre 2022 e 2025, período em que as contratações fraudulentas teriam ocorrido. O esquema investigado também buscava expansão para outros municípios do estado.
Operação Auditus e afastamento do servidor
A segunda fase da Operação Auditus cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 12 ordens de busca e apreensão em cinco municípios: Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna. A primeira fase da operação foi deflagrada em 1º de julho de 2025, e a análise do material apreendido naquela ocasião forneceu novos elementos ao Gecoc sobre o suposto esquema.
O nome da operação, “Auditus”, que significa “audição” em latim, faz referência a um dos mecanismos iniciais do suposto desvio de dinheiro público, que seria a simulação de exames auditivos. Posteriormente, a prática teria se estendido a outros exames e serviços médicos. A ofensiva conta com o apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque.
Medidas administrativas e histórico político
A Corregedoria da Polícia Civil, à qual o médico está vinculado, instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos no âmbito administrativo e acompanha os desdobramentos da operação. A Polícia Científica reafirmou que não compactua com desvios de conduta e que atos individuais que contrariem a legislação serão rigorosamente apurados.
Robson Roosevelt Ferreira Aguilar também teve incursões na política, tendo sido candidato a vice-prefeito de Antônio João em 2012 pelo PDT. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Prefeitura de Jardim não foi alvo direto da operação. A reportagem não obteve contato com a defesa do médico preso até o momento, e o espaço para manifestação permanece aberto.
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